Confesso que, como adepto e utilizador de bastante material desta marca australiana, esperava conseguir um set de auscultadores Rode NTH-100 para experimentar e perceber o hype que os tem envolvido.
Leitura após leitura, tenho reparado que muitos analistas dizem bem, que isto e aquilo, mas poucos são os utilizadores que têm voz neste tipo de meios de comunicação e os Rode NTH-100 foram pensados, idealizados e feitos para malta que trabalha em estúdios de música ou suítes de edição audiovisual.

Rode NTH-100: para quem são
E, para estes, os factores de apreciação são um tanto ou quanto diferentes e divergentes. Por exemplo, o que interessa mais na qualidade de reprodução sonora é esta ser completamente neutra, ou flat, sem ajustes que enalteçam graves ou procurem detalhar melhor os agudos.
O detalhe é precioso em cada nota, em cada nuance, seja qual a frequência, e é este difícil equilíbrio que os Rode NTH-100 conseguem atingir. Portanto, e numa primeira nota muito breve, estes auscultadores são pensados e muito bem feitos para quem trabalha em estúdio e quer sentir e ouvir a reprodução mais natural e directa possível.

Se me perguntam se são bons para ouvir música em casa, relaxando num sofá, claro que são, mas sempre com este tipo de comportamento e muito longe dos gravões bem puxados por algumas marcas que sabem que diversos ouvintes preferem.

Mas a Rode não é uma marca de microfones e gravadores?
É uma bela questão e, sim, a Rode é conhecida pelos excelentes microfones, que vão de A a Z em relação às tecnologias empregues e muito bem definidos para os vários quadrantes, desde gravação de voz em estúdio até emissores/receptores com um software bem elaborado e sempre actualizado.

Portanto, faltava algo no portfólio que acompanhasse, por exemplo, a recente Rodecaster PRO II (que a tenho há um mês para análise e ainda nem consegui vasculhar todas as funções e o seu resultado) e que melhor senão uns auscultadores que fossem perfeitos para acompanhar esta solução de podcast (entre outras)?

Os Rode NTH-100 surgem para preencher este espaço e com condições para ultrapassá-lo. E porquê? Porque, muito sincera e brevemente, são bons demais para o preço que custam. E sim, leram bem: bons demais para o preço que custam. Geralmente, neste caso, é ponto final parágrafo.
Mas ainda quero falar sobre certos atributos que não são costumais. Por exemplo, o gel.

Almofadas em gel
Pois cá está: quais dos auscultadores que andam por aí que oferecem uma solução de almofadas em CoolTech gel que as transforma em algo muito confortável de pousar nas nossas orelhas e, também, aguentar esse esforço durante algumas horas sem cansar ou aquecer?
Se estas almofadas são perfeitas? Bom, na minha experiência, estão quase lá. O design em triângulo é ainda mais benevolente para quem tem orelhas pequenitas, o que não é o meu caso, mas que mesmo comigo, e baixando o ângulo quase ao máximo, conseguem no limite o desígnio.

Este desígnio é, para além do conforto de utilização durante o maior tempo possível (as infindáveis horas da produção em estúdio), conseguir um cancelamento de ruído exterior passivo (isolamento que pode chegar aos 20 dB) que compreende a possibilidade de estar a tocar, ouvir ou editar música sem qualquer tecnologia artificial que transforme o som real em impulsos ou que quebre certas dinâmicas para conseguir um total silêncio.

Estes Rode conseguem “calar” o meio ambiente sem subterfúgios digitais o que, só em si, é um dado para serem apontados como solução eficaz para estúdio. E, atenção, lutam directamente contra modelos da AKG, Sennheiser, Sony, e todos os demais, que têm sido a preferência por todos os quadrantes.
Então, se falamos de um novo modelo que custa bastante menos que os demais… teremos vencedor? Sim, temos.

Conforto
Outro dos grandes problemas em estúdio é o cansaço, a transpiração, o peso dos auscultadores usados horas sem fio (e com fio, claro está).
Estes pads em Gel acomodados por Alcantara são uma excelente solução mas, atenção, não o milagre divino. Ao fim de um tempo também aquecem e obrigam a um período de descanso. Não há bela sem senão, certo?

Uma das grandes vantagens é cada concha poder receber o cabo que tem um terminal em cadeado simples, ou seja, podemos conectar o cabo áudio (3 metros) a qualquer das conchas, esquerda ou direita, e travá-lo para não sair do sítio devido a qualquer puxão.
Se bem que prefiro cabos extensos helicoidais, este é simples e longo, o que também pode provocar algum trabalho na sua colocação. É bom ser longo, claro, mas também pode ser um empecilho.
Usar óculos, como uso, é quase sempre um problema quando se coloca auscultadores apertados nas têmporas. Tal não aconteceu com estes Rode. E, ainda por cima, os pads podem ser substituídos depois de muitos anos de utilização, aperto e suor.
O menos bom
Estes Rode não se dobram, não são pensados para serem colocados à volta do pescoço e , quanto a mim, nem gostam de ir lá fora ver o mundo. É uma unidade pensada para ficar indoors, num estúdio ou defronte um grande monitor como é o meu caso actual.

Conclusão
Vai ser difícil encontrar uns auscultadores tão bons, em termos de construção, de resposta, de entrega e qualidade, quanto estes por este valor.
Se procuram uns auscultadores que entregam a mais fiável sonoridade por menos de 200€, não procurem mais, pois vão perder o vosso tempo.
Preço
Aprox 150€







