Isabelle Lux, uma criadora de conteúdos de 32 anos de Palm Beach, Florida, nos Estados Unidos, é uma das muitas mulheres que se submeteram ao procedimento conhecido por “Barbie Botox”. Lux disse à CNN que ficou aterrorizada quando se sentou na cadeira para o seu “tratamento”, mas que está satisfeita com o resultado.

O procedimento, que envolve injecções de toxina botulínica nos ombros para alongar o pescoço, está a ganhar popularidade entre as mulheres que procuram um visual mais magro e delicado
O procedimento foi originalmente concebido para ajudar a libertar os músculos trapézios gravemente sobrecarregados, que podem causar enxaquecas e tensão intensa no pescoço. No entanto, agora está a ser utilizado para diminuir cosmeticamente o tamanho dos ombros, alongando o pescoço.
A hashtag #Barbie Botox tem actualmente mais de sete milhões de visualizações no TikTok, onde MediSpas e clínicas documentam a injecção nos seus clientes, adicionando legendas em rosa pastel e emojis brilhantes.
No entanto, os especialistas alertam que o procedimento pode ser perigoso se não for realizado por um profissional qualificado. Parisha Acharya, médica-chefe de cosmética da famosa clínica de estética médica Waterhouse Young, em Londres, Inglaterra, disse à CNN que o Botox pode paralisar completamente o músculo se for administrado incorrectamente. A neurotoxina também pode ocasionalmente migrar do local original da injecção, enfraquecendo a conexão nervosa de outros músculos circundantes.
No entanto, os especialistas alertam que o procedimento pode ser perigoso se não for realizado por um profissional qualificado
Lux – que foi presenteada com o tratamento de 1.200 dólares (um pouco mais de mil euros) por uma aplicação de reservas de serviços estéticos – foi instruída a evitar carregar mochilas pesadas, exercícios extenuantes e massagens durante pelo menos 72 horas.
Ela diz que se sente “melhor do que nunca” dois meses depois e já está a planear uma nova sessão no inverno. No entanto, ela insiste que este não é um tratamento para ser feito de ânimo leve.

Acharya também está preocupada com a tendência da “Barbie Botox” nas redes sociais, especialmente porque capta a atenção de um público muito mais jovem. Ela diz que pensa que um procedimento médico deve ser tratado como um procedimento médico e que é preocupante que qualquer pessoa possa administrar injecções de toxina botulínica no Reino Unido, onde a indústria da estética não está regulamentada.
Prevê-se que o mercado global de injectáveis faciais mais do que duplique na próxima década, atingindo 36,8 mil milhões de dólares (34 mil milhões de euros) em 2032.
Lux argumenta que a busca cosmética de características semelhantes às das bonecas e a magreza em geral não devem ser condenadas. Na Internet, ela foi apelidada de anti-feminista, insegura e até de “vítima do patriarcado” nos comentários.

Para Acharya, o “Barbie Botox” vai ironicamente contra o filme recentemente lançado (“Barbie” é distribuído pela Warner Bros. Pictures, que também é propriedade da empresa-mãe da CNN, a Warner Bros. Discovery). Ela diz que acha que o filme era muito pró-feminismo e que as mulheres estavam a afastar-se da sexualização dos nossos corpos e em pensar neles apenas como objectos.
Lux diz que não gosta do facto de esta tendência estar a usar a Barbie para dizer que devemos ter pescoços finos. E diz que devemos abraçar-nos por aquilo que somos.




