Por fora, é dos mais cativantes automóveis que circulam pelas estradas. Por dentro, tem um ambiente futurista e cheio de estilo. O DS5 prefere a forma ao conteúdo? Por um lado, sim, pois tem alguns erros de concepção derivados destas linhas exuberantes. Resta saber se os desculpamos porque, na verdade, é sempre fascinante olhar as suas formas.
As siglas DS têm um historial tão rico como a aventura automóvel. A Citroen é sinónimo de avanços tecnológicos profundos, e escolheu ressuscitar esta assinatura para tentar reconquistar esse lugar. Nesta versão 1.6 mais básica (e barata), o DS5 não desilude, mas também não arrisca. Defende-se com um design muito próprio e um estilo inconfundível. Mas os tempos são o que são e muitos dos elementos vêm do banco da marca generalista, na tentativa de poupar no fabrico mas também de conseguir um preço final que seja alcançável.
Por fora olhamos uma espécie de coupé-carrinha. Linhas fulgurantes com uma frente alta e redonda, tornam-se mais esguias até ao portão traseiro. Parece uma gota de água, famoso desenho que todos os designers de automóveis tentam replicar. Contudo, esta linha descendente cria problemas no sector traseiro. O vidro desce abruptamente e ainda incorpora um pequeno aileron, o que cria grandes dificuldades na visibilidade traseira. E como a versão que ensaiei não tinha câmara de vídeo para ajudar, foi pelo sistema de sensores que muitas vezes percebia os centímetros que faltavam para o obstáculo. É um dos pontos a ter em consideração, porque se repete também à frente (já lá chego).
Como sabem, gosto tanto de máquinas e gadgets quanto de automóveis, portanto, seria de esperar que o interior deste DS5 me deixasse fascinado. E, por um lado, consegue-o. É fantástico ter botões e luzinhas por todo o lado: à frente, de lado, ao meio e no tecto. Sim, leram bem. E se por um lado toda esta panóplia agrada a um olhar entusiasmado, não posso deixar de apontar exactamente a simplicidade do extremo oposto que encontramos numa outra marca francesa – a Peugeot – com a simplicidade que tem emprestado aos tablier dos seus modelos mais recentes. O DS 5 fascina, sem sombra de dúvidas, mas obriga a uma maior adaptação e memorização de tanta função “física”.
Se entrar no DS5 obriga a uma certa ginástica, já o conforto a bordo é de assinalar. Belos pormenores, como a iluminação para os lugares traseiros, como o dashboard inspirado nos modelos históricos, envolvem os quatro belos lugares (com um quinto que também pode levar um adulto) e excelentes poltronas que, à frente, têm até função de massagem. Três tectos panorâmicos com cortinas eléctricas, dois à frente e um atrás, uma consola central que nos coloca tudo à mão, uma caixa directa e de manete com curso curto, ecrã informativo táctil com 7″, botões directos para o sistema multimédia, comandos do ar condicionado automático, tudo centrado ao meio. Por cima, mais botões, mais funções e guarda óculos. Este cockpit concentra quem guia nos mostradores, modernos e legíveis, e na panóplia de comandos que se estendem ao volante, muito bonito, original e com excelente pega.
Se a Citroen, e os DS, são sinónimos de qualidade e conforto, posso dizer que em cidade o DS5 não é tão confortável quanto deixa adivinhar. A sua suspensão (ao contrário dos desejos, não é hidráulica neste 1.6) é mais dura do que antevemos, a caixa manual pilotada é um pouco lenta e está pensada para poupar nos consumos, e este motor 1.6 com parcos 115 CV, também é pouco lesto. A Citroen fala de um sistema micro-híbrido, mas não é mais que a conjugação de um excelente sistema start/stop com gestão inteligente e reforço no motor de arranque e alternador. Daí esta conclusão urbana. O mesmo já não digo em viagem e é em auto-estrada onde o DS5 está como peixe na água. Estável, poupado e muito confortável, é quase perfeito, muito embora, e agora recupero a crítica que ficou a meio em termos de visibilidade, se já não é boa para trás, a ilha que aloja o espelho retrovisor central desce até meio do “ecrã” e isso provoca alguma dificuldade onde, confesso, nunca a tive. Um ponto a rever, mesmo sabendo que a arquitectura única do desenho deste modelo obriga a certas invenções.
O seu estilo vanguardista – com a integração da grelha vertical e esculpida –, o requinte e a atenção ao detalhe, as tecnologias high-tech – como os faróis equipados com tecnologia DS LED Vision e o posto de condução do tipo cockpit, integrando um ecrã táctil de 7’’, etc – foram alguns dos factores de sedução que elegeu o DS5 como o melhor modelo de produção (em alguns certames e média) o que demonstra que é uma boa aposta da Citroen.
E eu, será que lhe dava um prémio? Bom, gosto do estilo e de algumas soluções, mas nesta versão é duro para um Citroen, achei que tinha pouca quilometragem para já ter um ou dois ruídos parasitas (mas, atenção, uma unidade de parque de imprensa leva sempre uns valentes açoites) e a visibilidade é o calcanhar de Aquiles. Por outro lado, é poupado (cerca de 5,7/6 l em circuito misto), tem uma mala com cerca de 500 litros bem maior que o esperado e aquelas poltronas são irrepreensíveis. Mas o desenho é o factor que vai fazer a história comercial deste modelo.
PVP: a partir de 32.000€

















