in Metropolis #14
Tenho avisado alguns contactos do Facebook (amigos ou conhecidos e por vezes amigos de amigos dos conhecidos, visto que na maior parte das vezes todos os contactos estão ao dispor) para não publicarem fotografias com ou dos seus rebentos, sejam bebés, crianças ou adolescentes. Os motivos são vários e, pasme-se, o principal não é a defesa da segurança e anonimato dos juniores, embora qualquer pai ou mãe devesse saber que o perigo espreita a cada esquina, principalmente quando se publicam todos os dados do paradeiro da jovem criatura: qual é o carro que a transporta, a escola onde anda, o fastfood preferido, os passeios na Expo ou Ribeira, os melhores amigos que se podem vir a tornar ministros, as tropelias no jardim do bairro X, etc.
Sabemos que os malfeitores também utilizam as mais modernas tecnologias e que estão sempre de olho nos potenciais alvos, como as casas vazias de quem vai para férias e faz gala em publicar que está mesmo fora da habitação principal, o que facilita em muito o trabalho dos larápios.
Já agora aproveito para apontar outro grande defeito do pessoal que está “ligado” e que é a lavagem da roupa suja online para toda a praça pública ficar a saber a cor das truces do companheiro ou que a já ex-mulher gostava muito do tecto na cor bege. Admitam, todos têm amigos ou conhecidos e por vezes amigos de amigos dos conhecidos que não têm travões quando algo de mal acontece na sua esfera política e privada.
Eis-nos chegados à verdadeira mensagem desta crónica e que passa também pela publicação das fotografias dos filhos. Tenho visto no mural as mais diversas criaturas nas mais ousadas produções fotográficas: no banho de espuma, desnudados na praia, em situações ridículas ou azaradas, vestidos de acordo com o gosto dos progenitores, a comer, beber, dormir, a rir e a chorar, de birra ou trombas, nas artes plásticas ou desportivas, enfim, tudo serve para mostrar ao mundo o que o puto ou pita está a fazer naquele preciso momento.
E agora a conclusão: não é uma questão de segurança do fedelho mas sim o que lhe irá acontecer num futuro próximo. Ao publicar a privacidade do júnior, os papás e as mamãs esquecem-se que estão a oferecer de bandeja todos os dados, situações e razões para que os miúdos sejam vítimas de bullying por todos os outros que lhes vão surgir à frente e na vida. Esqueçam o caixa de óculos ou o mais anafado sem jeito para a cambalhota. Tudo serve para achincalhar e infernizar a vidinha de cada um, desde as vestes na festa da prima, à choraminguice porque não se foi ver o concerto do Bieber, aos posters que estão na parede do quarto, ao carro do pai que não é socialmente digno, aos amigos ou conhecidos e por vezes amigos de amigos dos conhecidos que por acaso fizeram parte da turma ou do recreio, catequese ou escuteiros.
Pais de Portugal, se gostam mesmo dos vossos filhos parem de uma vez por todas com este prejuízo infinito para um futuro que já não lhes vai ser famoso. Eles, quando finalmente tiverem noção de privacidade digital (ahhahaha), vão tomar a primeira atitude sensata da vida que é bloquear os maiores inimigos das redes sociais: os próprios papás e mamãs e todos os seus amigos ou conhecidos e por vezes amigos de amigos dos conhecidos.






