Fui dos felizardos que viveu ao máximo os inesquecíveis anos 80, a década que reconfigurou algum do mundo com um misto de coisas pavorosas, como parte da moda, e grandiosas, como parte da moda.
Uma década, como alguns de vocês sabem, começa a contar a meio da que se lhe antecipa, ou seja, e simplificadamente, os anos 80 começaram em 75 e terminaram em 85. Este é um dado que parece estranho e erróneo, mas se pensarem bem, o que aconteceu e motivou os anos 80 teve a sua génese alguns anos antes.
Tudo isto para dizer que fui um jovem adolescente na altura certa e que, como muitos jovens adolescentes, queria mudar o mundo e ficar registado na história. À época, sem esta coisa da internet, era mesmo difícil ficar na e para a história e quem o almejava estava obrigado a fazer qualquer coisa de extraordinário. Tentei algumas e consegui fazer discos e escrever em jornais e revistas. Nos entretantos, e nessa minha busca pelo tal marco, ia vendo séries de televisão que, logicamente sem os 100 canais disponíveis como hoje, eram seguidas avidamente pela malta que discutia com alguma veemência os deves e haveres do MacGyver ou do Kit (não do palerma que o guiava, mas sim do próprio carro).
A estética televisiva, à época, era pavorosa. Davamos conta porque podíamos compará-la com, por exemplo, o cinema. Mas tinha regras de ouro, simples e eficazes: Grandes Planos fixos em caras sorridentes, Planos Americanos para quem transportava qualquer coisa à cintura, Planos Gerais para nos envolver na localização. Desde “Uma Casa na pradaria” ao “Dallas“, da “Balada de Hill Street” ao “MacGyver“, todas tinham o mesmo tipo de genérico inicial, o mesmo tipo de música, o mesmo encadeamento, o mesmo lettering. Tudo o que viamos chegava dos states ou da Globo com uns entretantos da majestosa BBC ou produtoras independentes britânicas. Raríssimas eram as produções da Europa continental, com a excepção de muitos desenhos animados que o Vasco Granja escolhia para a pequenada e que terminavam, quase sempre, com um Koniec escrito na tela.
E agora perguntam, tanta informação saudosista para quê?
Para vos colocar em 1980 vestidos com calças de cós alto, chumaços enormes nos ombros e cabelo espetado com um mistura que se fazia com sabão Clarim. Alguém pensou em tudo isto e brincou com o genérico dessa majestosa série Guerra dos Tronos, tão globalmente popular como foi o Dallas. Hoje temos a inteligência do Tyrion Lannister, ontem tinhamos a do J.R. Ewing. O Jon Snow era o Bobby. A Sansa, a Pamela. E por aí adiante.
Vale mesmo a pena ver este trabalho que nos faz sorrir e que transporta a série para esses idos tempos.
Os autores deste videoart que podem ver de seguida são:
Hunter Sanders fez a intro no ano passado utilizando o tema Queen’s I Want It All para a banda sonora.
Steve Buzz assinou esta nova versão da banda sonora
Mikolaj Birek misturou-as






