
Estudo da eDreams revela que o aquecimento global está a obrigar os portugueses a repensar o que significa “verão tranquilo”
O último estudo da eDreams confirma a tendência: um terço dos portugueses já teve de alterar planos de férias devido ao clima extremo.
O verão já não é o que era. As férias também não. O que antes se resumia a reservar um destino soalheiro e fazer as malas, hoje exige mapas de risco climático, apps de previsão meteorológica minuto a minuto e, se possível, uma oração contra tempestades, incêndios ou ondas de calor abrasadoras.
Se esta percentagem parece preocupante, mais inquietante ainda é perceber que este comportamento já é aceite como normal por muitos viajantes. Vagas de calor, inundações, incêndios ou tempestades tornaram-se riscos calculados. E não, não estamos a falar de aventuras exóticas em ilhas tropicais: tudo isto tem acontecido na Europa, e com frequência alarmante.
Flexibilidade meteorológica: o novo luxo das viagens
Perante esta realidade, a flexibilidade nas reservas passou de detalhe útil a critério determinante. No inquérito, 15% dos portugueses que foram forçados a alterar viagens conseguiram fazê-lo sem custos, graças a reservas flexíveis. Outros 11% tiveram de pagar para mudar de planos. E 5%… nem isso puderam fazer.
O recado está dado: viajar em 2025 exige não só um bom destino, mas também planos B, C e talvez até D.
Os jovens estão mais atentos. Os mais velhos… nem tanto
A geração mais nova é claramente mais sensível a estas mudanças: metade dos inquiridos entre os 18 e os 24 anos já alterou ou quis alterar férias devido ao clima, enquanto entre os maiores de 65 anos apenas 9% admitiu fazê-lo. Serão os mais jovens mais conscientes dos riscos, ou os mais velhos apenas mais teimosos?
Seja como for, a tendência é clara: há uma geração que já não separa férias de responsabilidade ambiental.
Prever o calor, fugir ao caos
Cada vez mais portugueses planeiam as férias com um olho no boletim meteorológico. Cerca de 29% evita viajar nas épocas altas e 26% prefere “épocas intermédias” para escapar ao calor extremo. Outros 17% passaram a valorizar seguros de viagem e políticas de cancelamento mais humanas.
‘Coolcations’: quando fugir do calor é a nova tendência de verão

A procura por destinos mais amenos – as chamadas coolcations – não é apenas moda, é sobrevivência. Os dados da eDreams apontam para aumentos expressivos nas reservas para cidades mais frescas como Rouen (+163%), Oviedo (+49%) ou Bilbao (+30%). O fenómeno está a espalhar-se pela Europa e, finalmente, começa a enraizar-se entre os viajantes portugueses.
Estas alternativas juntam-se a clássicos como Barcelona, Funchal ou Palma de Maiorca – mas a verdade é que o norte está a ganhar tração. Um sinal de que a prioridade já não é apenas apanhar sol, mas sobreviver-lhe.
eDrams: já não dá para ignorar o clima
Se antes o verão era previsível, hoje é imprevisível por natureza. Os dados da eDreams não deixam margem para dúvida: o clima já condiciona as férias de milhões. E a tendência é clara – destinos flexíveis, reservas ajustáveis, horários alternativos. As viagens deixaram de ser apenas escapismo. Agora, são também estratégia de adaptação.
Por isso, da próxima vez que marcar férias, pense duas vezes. O sol ainda pode brilhar – mas talvez não no lugar onde espera.




