Experimentei este Punto Twin Air depois do Verão do ano passado e reservei a publicação para uma altura em que tivesse tido a oportunidade de experimentar mais modelos citadinos equipados com estes motores “modernos” de três ou dois cilindros. E ainda bem que o fiz, pois estaria a ser demasiado duro em relação a algumas características do Punto que, entretanto, percebi que são gerais aos outros modelos que ensaiei (500S, Twingo, 108).
O Grand Punto, desde que surgiu, que me encantou pelas suas linhas. A frente faz lembrar um Bugatti e o espelho num utilitário foi uma excelente aposta e golpe de mestre. Aliás, este desenho, com mais ou menos alterações, continua a ser fiel ao original e já lá vão uns anos. É um carro que se vende bem. E continua bonito. Mas conhece adversários tremendos, principalmente no mercado português que nos afunila para este segmento.
Depois da versão BiFuel (GPL e gasolina, solução que muito me agrada, principalmente no Alfa Romeo Giulietta – ensaio aqui), eis que chega o TwinAir com 0,9 litros (875cc) e, atenção, 105 cavalos! É bem verdade, este Fiat domina!
O modelo que me calhou foi o Lounge com pack Sport. Tem alguns embelezamentos exteriores, com as bonitas jantes de 15″ e saias laterais com um pequeno aileron traseiro. Os vidros escurecidos dão o toque final. Mas é no interior que se percebe a antiguidade do modelo, que mesmo quando saiu, foi acusado de ter poucos espaços para arrumação dos multiplicados adereços que transportamos diariamente.
Há bolsas nas portas, um espaço depois do travão de mão, até uma tampa no topo da consola que esconde os pertences dos olhares alheios. Mas é pouco para o smartphone, tablet, coluna de som, dossier, computador, tabacos e derivados, chaves das casas em que nos movemos… percebem onde quero chegar. A bagageira com 275 litros não é das maiores desta classe, mas não lhes fica atrás e possiilita o rebatimento do banco traseiro para atingir os 1030 litros.
Conforto e equipamento
Esta versão oferece algum conforto e bem estar a bordo. Está equipada com Ar Condicionado, ESP com Hill Holder e sistema Blue & Me de série que nos possibilita conectar um smartphone ou leitor MP3 externo, pela entrada AUX ou uma qualquer pen USB com entrada directa. Através do bluetooth, emparelhamos o nosso smartphone e temos comandos no volante para atender e desligar chamadas, para além dos comandos áudio. Tudo muito prático e bem simples.
Mas é deste motor que vos quero falar. Agora que já tive a oportunidade de guiar dois modelos italianos e dois modelos franceses equipados com parcos centímetros cúbicos mas muitos cavalos, posso dizer que este Fiat encoraja os aceleras. O forte ruído dá nas vistas e enche os ouvidos… de quem está dentro do carro e quem vai na rua. É um ronco tipo “tuc-tuc” que, ao fim da primeira surpresa e kms percorridos, começa, quanto a mim, a tornar-se presente demais. Mas, questiono, se não será o som que o típico jovem de 20 anos procura para reforçar o entusiasmo do seu primeiro volante…
O Punto TwinAir é muito activo, despachado, até vibrante nas primeiras relações, desde que optemos por uma condução desportiva (as coisas acontecem a partir das 2000 RPM). Como é leve, tem um arranque digno de registo, mas não é carro para prolongadas viagens, pois os dois cilíndros serão sempre parte da companhia.
Outro ponto menos bom são os consumos. Os anunciados até fazem sorrir (5 litros em urbano, quase 4 em estrada), mas são muito optimistas. Dentro de Lisboa o que me surgiu no ecrã do computador de bordo foi uma média de 6 L. Mas, confesso, puxei sempre pelos dois cilíndros pois, como escrevi acima, o ronco do motor leva-nos a isso. Estou em crer que, com mais uns dias, conseguiria baixar o consumo em mais de um litro.
PVP: a partir de 16,500 euros (atenção às campanhas Fiat)














