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Fiat Tipo 1.6 MJET, o ensaio ao topo de gama de um modelo que pode fazer história

João Gata por João Gata
Março 2, 2016
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Todos gostamos de automóveis e cada um tem a sua preferência pela marca e modelo. Mas, na verdade, um automóvel serve apenas para nos transportar de A a B. Pode é fazê-lo com requinte, conforto, muito depressa ou descontraidamente. Pagamos cada uma das grandezas, seja como extra ou por status, mas no fim do dia, é com o retorno de B a A com que temos de viver.

O preço dos automóveis em Portugal é totalmente inverso à capacidade económica da maior parte da população, e se não fossem as empresas e as suas frotas, o impacto anual seria anedótico. É uma realidade boa para os mecânicos de vão de escada e as suas, enfim, tropelias quando chega a hora da inspecção obrigatória (como é possível ver automóveis recentes a bafurar um denso fumo negro sem que nada seja feito) e para um extenso mercado de peças em segunda mão, originais ou não. Mas o português tem ainda outro problema: a importância que dá a um logotipo! E esta realidade obriga-o a tudo fazer, do possível ao impossível, para conseguir comprar um desejado carro alemão. Tanto melhor se for BMW, Mercedes ou Audi, mas também não envergonha ter um VW. O pior para este falso status social, é que existem soluções mais equilibradas e de outras origens, com preços menos absurdos e muito mais equipamento de série.

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Se todos gostaríamos de ter um compacto familar (poucos são os que pretendem mesmo uma berlina), somos na maior parte das vezes obrigados a ter de escolher um utilitário citadino e não pelas vantagens de utilização em ambiente urbano: é mesmo porque não conseguimos esticar a forma de pagamento um degrau acima. E assim vamos vivendo.

Eis que, num repente, e numa marca até conhecida pelos seus utilitários, surge um modelo capaz de romper com esta realidade, um sedan compacto de três volumes, de formas graciosas, com muito espaço e a preço amigo. Sim, ele existe, chama-se Fiat Tipo e pode revolucionar um ou outro conceito. Pelo menos, e depois de experimentá-lo, tenho até uma certeza: o novo Tipo vai ser um sucesso de vendas e poderá, inclusive, mudar um poucochinho esta mentalidade tão portuguesa que acima descrevi.

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O modelo ensaiado é o topo de gama (nesta fase de lançamento) com motor turbodiesel Multijet II de 1.6cc e 120 cv de potência, unidade motriz que já me tinha seduzido aquando o ensaio ao 500X (ler aqui). Com tracção dianteira, caixa de seis velocidades e um nível de equipamento muito composto (na unidade ensaiada só faltavam os opcionais câmara posterior de estacionamento e novo sistema de navegação TomTom 3D Touch), este Fiat Tipo é proposto a 21,300€, chave na mão. E porque falei já do preço, elemento que deixo geralmente para a conclusão? Porque este valor corresponde à mais cara das versões. Dá que pensar, não é?

O preço é realmente uma importância sempre presente neste ensaio, pois o modelo a gasolina com 95cv é proposto ligeiramente acima dos 15.000€. Estamos a falar de um familiar compacto cujo porta bagagens tem 520 litros e o banco traseiro é rebatível 60/40.

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Com cinco verdadeiros lugares, o Tipo mostra ao que vem, tem espaço, muito espaço, principalmente para quem viaja atrás e uma boa dose de conforto, se levarmos em linha de conta o seu segmento. A questão que se levanta é se o Tipo, sendo proposto a um preço muito próximo de um Grand Punto, não virá canibalizar as vendas deste já clássico Fiat (que continua a vender bem, mesmo que já tenho muitos anos de mercado). O público-alvo não é o mesmo, mas nunca se sabe.

O carro é bonito, mesmo para quem não aprecia carroçarias com três volumes, como é o meu caso. Nesta cor de ensaio (um grafite) e jantes muito atractivas, é difícil não dar nas vistas. Vem, logicamente, combater o domínio de alguns modelos que estão a fazer boa carreira, principalmente como táxis, como é o caso do Citroen C-Elysee, mas tem um traço bem mais bonito e moderno, até mesmo sofisticado, com uma grelha a fazer lembrar os Mercedes com tratamento AMG.

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Mal entramos percebemos que estamos dentro de um Fiat. Os comandos não enganam, como os rotativos para a climatização, assim como o sistema Uconnect com ecrã táctil de 5″, já visto em outros modelos italianos. O volante também é decalcado da gama 500, com inúmeros botões e respectivas funções. Tudo está à mão, tornando muito prática a utilização. Percebo, contudo, que seja um tablier que não agrade a toda a gente, mas a colocação do ecrã por cima dos ventiladores faz muito sentido, pois não nos obriga a olhar para baixo e desviar os olhos da estrada. A parte de cima apresenta-se em plástico de tacto mole, mas os restantes painéis, inclusive nas portas, são em plástico duro. A qualidade de montagem é notória em todo o lado. O sistema de som é de bom nível com entrada auxilar, USB e emparelhamento com o smartphone por Bluetooth, tudo feito para nos acompanhar no dia a dia.

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Os bancos são muito confortáveis, principalmente à frente, e com um magnífico apoio lombar. Foi muito fácil encontrar a posição de condução perfeita e o punho da maneta de mudanças é maior que o normal, o que transmite a sensação que se guia algo de segmento superior, reforçada pela excelente pega do volante bem dimensionado. Vamos fazer-nos à estrada?

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Os 120 cv a 3750 rpm permitem ao Fiat Tipo chegar a uns belos 199 km/h de velocidade máxima e acelerar de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos.

Sobrealimentado com turbocompressor de geometria variável, debita elevado binário a baixo regime de rotações (320 Nm a 1750 rpm)

Este Tipo tem uma enorme alma. Os 120cv deste belo motor conferem-lhe um comportamento agressivo e desportivo. Esta unidade, que já brilha no mais pesado 500X, faz com que o Tipo voe baixinho. É um prazer conduzi-lo tanto em cidade quando em percurso misto e temos de nos preparar para gastar mais uns euros em gasóleo ao fim do mês. É que o comportamento e o equilíbrio pedem-nos sempre mais pé direito. Há que ter cuidado com este lobo escondido em pele de cordeiro.

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Em cidade, e no meio do caos na zona ribeirinha lisboeta que obriga ao desespero e ao pára-arranca, nota-se que houve muito trabalho no isolamento exterior, mesmo que o motor se faça ouvir no arranque. O silêncio vivido a bordo é notável para um carro deste segmento e garante de bem estar. Percorri alguns Km por cima de buracos e afundando-me em crateras, mas o Tipo lá seguiu, sem um queixume e com ausência de vibrações, um bom tónico para quem o escolher para o dia a dia. Este motor pede estrada livre e é assim, em sexta, que se percebe que é um conjunto poupado nos consumos (pouco mais de 4,5 l/100) o que aliado ao conforto, é convidativo para viagens mais longas.

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A lista de equipamento é interessante para um modelo deste segmento: ABS com EBD, faróis de nevoeiro com função “cornering” e Sistema de Monitorização da Pressão dos Pneus, sensores de estacionamento, câmara posterior Park Assist System, faróis automáticos e Cruise Control. Existe ainda o sistema City para facilitar as manobras em cidade, sistema Hill Assist e para não me alongar, um sofisticado sistema ESC (Electronic Stability Control).

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Resumindo, gostei muito deste Fiat Tipo e sei que vai ser um sucesso de vendas. Basta que os portugueses percebam que para ir de A a B não é necessário muito mais que isto.

 

PVP Versão ensaiada: 21,300€

 

 

 

 

 

Tags: Fiat Tipo 1.6 MJETFiat Tipo 1.6 MJET ensaioFiat Tipo 1.6 MJET review
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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