A convite da agência que comunica o canal SyFy, lá fui ao Armazém F para assistir ao terceiro episódio (ou capítulo) do “trashmovie-happening” do momento, o entusiasticamente celebrado Sharknado.
De acordo com o canal e os seus promotores, a exibição simultânea nesta sala e no canal cabo originou milhares de tweets e mensagens facebookianas. Estamos, afinal, na época da #hashtag e os promotores sabem bem disto, apostando como nunca em merchandising dedicado, passatempos nas redes sociais e todos os novos truques de cartilha digital.
O argumento (Thunder Levin) do Oh Hell No! conta-se em três frases: os tubarões atacam a Costa Este (doravante Beast Coast) e rebentam com os pilares administrativos norte-americanos. As tempestades são inteligentes e os bichos, como passam a vida a voar, já comem pássaros. E afinal, o programa “guerra das estrelas” nunca foi encerrado.
O realizador Anthony C. Ferrante estudou os sucessos das midnight sessions que, ano após ano, enchem pequenas salas de cinema de Nova Iorque a Londres com fãs que vão para gritar, rir, aplaudir, barafustar e fazer parte de uma experiência cinematográfica suis-generis. Confesso que gosto deste exagero desde que tive a sorte de assistir a sessões do género lá por fora, como uma noite inesquecível na ensurdecedora operarock #rocky horror picture show , uma festa carnavalesca em que só eu não estava vestido a condizer.
Um dos truques deste género cinematográfico é convidar VIPs para uns segundos de acção. Logicamente que, nos Sharknados, celebra-se a morte violenta dessa gente que faz fila para aparecer: desde George RR Martin a Jackie Collins, passando por Jerry Springer ou Kendra Wilkinson, a lista é infindável e surge a um ritmo avassalador. Os mais conhecidos recebem fortes aplausos entrecortados por gargalhadas e expressões admiradas, uma verdadeira festa “pipocame” (neste caso lisboeta, “cachorro quentame”).
E como se consegue um casting com malta minimamente (ou sobejamente) conhecida que garante muitos posts, notícias, breves, comentários, matérias e até especiais? Vai buscar-se os que caíram no esquecimento ou, melhor, em desgraça. Junte-se o canastrão Ian Ziering do sucesso TV 90210 original, uma esquelética Tara Reid, uma plasticamente irreconhecível Bo Derek, o eternamente jovem Frankie Muniz que protagonizou esse grande sucesso televisivo Malcom in the Middle, e sirva-se com a cereja no topo do bolo, o imortal David Hasselhoff que largou o seu KIT e fato de banho para se dedicar, neste filme, a outros e altos voos.
Chego agora à parte em que analiso o filme: tratada que está a premissa dramática (afinal, estudei cinema), e apresentado o naipe de actores, concluo que o filme está longe de ser perfeito e de conseguir sublinhar o que é proposto: ser o pior filme (ou sequela) de todos os tempos. Existe ritmo, muito barulho (era ensurdecedor), alguns momentos bem construídos e um belo final que sugere o quarto capítulo. Prefiro a violência gráfica do gore, em que tudo é milimetricamente pensado para meter nojo e/ou medo/repulsa, mesmo que numa toada non-sense ou absurda. O meu mal foi ter visto quando era jovem todos os agora clássicos da produtora Troma. E quem vê o início da carreira do famoso Peter Jackson, já viu tudo. Procurem por Bad Taste. Põe o Sharknado numa gaveta.
Venha o quarto!





