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GhostRedirector manipula o Google e infecta Windows

João Gata por João Gata
Setembro 8, 2025
“Diagrama do GhostRedirector a injetar Gamshen em IIS para manipular Googlebot”; “Mapa com países afetados pelo GhostRedirector em 2025”; “Consola Windows Server a mostrar módulos IIS suspeitos”

GhostRedirector: novo grupo manipula o Google e ataca Windows

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A ESET identificou um novo agente de ameaças, GhostRedirector, alinhado com a China, que desde Dezembro de 2024 compromete pelo menos 65 servidores Windows para manipular resultados do Google e impulsionar artificialmente sites de jogos de azar.

O grupo usa duas peças de malware inéditas: o backdoor Rungan, escrito em C++ e de perfil passivo, e o módulo malicioso de IIS chamado Gamshen, responsável por adulterar respostas apenas quando o visitante é o Googlebot. Para o utilizador comum, a página parece normal, é SEO furtivo a operar nos bastidores.

GhostRedirector, Gamshen e Google: como funciona a fraude de SEO

O Gamshen injeta conteúdo e ligações direccionadas a partir dos servidores comprometidos, explorando a reputação do domínio vítima para inflacionar rankings do site que se pretende promover.

A técnica é um “SEO fraud-as-a-service”: invisível para visitantes, visível para crawlers do Google, até chegar a penalizações e alertas de reputação.

Em paralelo, o Rungan garante comando remoto no servidor para manter e renovar o controlo.

Alvos, sectores e geografia

A maioria dos sistemas afectados localiza-se no Brasil, Tailândia, Vietname e Estados Unidos, com casos adicionais no Canadá, Finlândia, Índia, Países Baixos, Filipinas e Singapura. Não há um sector único visado: educação, saúde, seguros, transportes, tecnologia e retalho surgem no radar — o denominador comum é o Windows Server com IIS exposto e com falhas por corrigir.

A porta de entrada: da SQL injection ao IIS

Segundo a ESET, o acesso inicial terá explorado vulnerabilidades de aplicação web, muito provavelmente SQL injection, seguido do uso de scripts PowerShell para elevação de privilégios e instalação dos componentes.

Observou-se ainda o recurso a técnicas “Potato”, como BadPotato e EfsPotato, para escalar privilégios e criar contas administrativas persistentes, plano B caso o backdoor seja removido.

O que isto significa para quem gere servidores

Se tem IIS em produção, este caso é um lembrete útil. Verifique módulos nativos e ISAPI filters instalados, valide a assinatura e a origem de cada DLL, reveja permissões de pasta %SystemDrive%\inetpub e monitorize padrões de user-agent que emulam o Googlebot com IPs que não pertencem ao Google.

Actualize o CMS e as aplicações para mitigar SQL injection, aplique patches de Windows Server, reforce WAF/IDS e ligue logging detalhado de IIS com comparação entre respostas para humanos e crawlers. Se notar quedas súbitas de ranking ou alertas do Search Console, investigue adulterações condicionais a Googlebot.

Resumindo

O GhostRedirector não rouba dados para revender, vende posições no Google usando os seus servidores como megafone. A táctica mistura um backdoor discreto com um módulo IIS feito à medida para enganar motores de busca.

Moral da história: endureça o seu Windows Server, feche SQL injection, vigie o que o seu site mostra ao Google e trate a reputação SEO como um activo de segurança. A investigação da ESET dá-nos o mapa, cabe-nos fechar as portas.

Tags: cibersegurançaEsetGamshenGhostRedirectorGooglebotIISRunganSEO fraudSQL injectionWindows Server
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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