Um país, várias gerações e dois mundos digitais
O Grupo Ageas Portugal, em parceria com a Ipsos Apeme, acaba de divulgar o estudo “Gerações em Movimento – Preparar o Futuro”, que traça um retrato fascinante das diferenças digitais e financeiras entre gerações em Portugal.
Os resultados mostram uma realidade dupla: a Inteligência Artificial divide, mas o WhatsApp continua a unir.
Entre o balcão e a app, entre o toque humano e o toque no ecrã, os portugueses revelam muito sobre a forma como se relacionam com o dinheiro e com a tecnologia.

Geração Z: a que nasceu com o dedo no ecrã
A Geração Z (jovens adultos até aos 30 anos) é a mais híbrida de todas: 39% prefere apps, e outros 39% continuam a recorrer aos canais presenciais, do balcão ao atendimento telefónico.
Esta paridade inusitada mostra uma geração que não rejeita o contacto humano, mas também não teme a automatização, confiando nas ferramentas digitais para gerir o seu dinheiro com agilidade.
Por contraste, as gerações mais velhas mantêm-se firmes no modelo presencial:
- Millennials – 38% presencial vs. 33% via app
- Geração X – 45% presencial vs. 21% via app
- Baby Boomers – 70% presencial vs. 11% via app
Em suma, quanto mais experiência de vida, maior a necessidade de ver e falar com alguém real, o que reforça a importância da confiança pessoal no sistema financeiro.
Barómetro: um país ainda a meio caminho da literacia digital
O estudo confirma que o contacto humano ainda é sinónimo de segurança para a maioria dos portugueses. Mesmo num cenário de digitalização acelerada, o balcão e o telefone continuam a ser símbolos de credibilidade, especialmente para quem cresceu antes da era do smartphone.
A Geração Z, por outro lado, rompe o padrão. A sua familiaridade com o digital faz com que confie mais nas apps do que nas instituições físicas, independentemente do rendimento ou da escolaridade.
O estudo defende, por isso, uma estratégia multicanal, onde coexistam tecnologia, atendimento personalizado e educação financeira.
O envelhecimento como fenómeno cultural
Mais do que números, o barómetro “Gerações em Movimento” olha o envelhecimento como um processo cultural e social, não apenas demográfico.
Realizado entre 3 de Setembro e 6 de Outubro, o estudo envolveu portugueses entre os 25 e os 80 anos, distribuídos por geração, género e região, e analisou temas como património, consumo, literacia financeira, poupança, confiança institucional e planeamento da reforma.
O objectivo é claro: compreender como cada geração decide, investe e confia e como a tecnologia pode ajudar (ou afastar).
Uma conclusão à portuguesa: nem tanto ao mar, nem tanto à app
O retrato final é o de um país em transição.
Portugal está dividido entre o digital e o presencial, mas também unido pela comunicação, com o WhatsApp como denominador comum, o elo que continua a ligar gerações, famílias e até bancos.
Entre o balcão e o algoritmo, o futuro financeiro português parece querer o melhor dos dois mundos: tecnologia com rosto humano.





