Chegou em branco, com 64GB e com o tal ecrã com grandes bordas. Será que gostei da coqueluche que democratiza a Apple de uma forma sem precedentes?

Com o iPhone SE 2020, foi a primeira vez que abri um iPhone novinho em folha. Minto… tive o primeiro que usei um mês e revendi com lucro. Daí até hoje, todos os iPhones me passaram ao lado. É uma questão de iTunes e iTeimosia.
Mas atenção, durante mais de uma década fui fiel utilizador de Mac o que, para mim, é uma marca diferente: uma coisa são os computadores, outra os iDevices.

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iPhone SE 2020 – um produto anti-luxo?

Há muita coisa que me irrita nos ditos e outras que me tiram do sério quando se fala de iOS. E, mais uma vez, chamo a atenção para um facto muito simples: adorei o sistema Windows Phone, quanto a mim o melhor e mais conseguido da última década, mas todos sabemos o que se passou. Portanto, não me posso considerar um Android lover mas, na verdade, considero-me um anti fanboy.

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iPhone SE 2020 – análise Xá das 5 – ligação há só uma, a proprietária e mais nenhuma.

Se a ligação proprietária que a Apple teima em manter para ganhar dinheiro é das maiores críticas que aponto à marca, também sempre apontei falhas e atrasos ridículos na adopção de coisas tão simples como o NFC.

Depois ainda aconteceu um maior drama: a Apple, mais uma vez para ganhar dinheiro, aboliu a entrada minijack. E, claro, essa estratégia tem vindo a ser copiada pelas restantes marcas. Ora eu ainda uso o minijack e não é só para ouvir música com muito mais qualidade, mas sim para trabalho como, por exemplo, captar melhor som através de um microfone decente.

E não me venham falar do iTunes, isso é que não. Sempre foi o pior software, o mais castrador, inconsequente e com um algoritmo pior que qualquer outro em termos qualitativos. E só os surdos não admitem esta verdade.

Mas o mundo é o que é, a Apple é americana e temos um marketing que foi de excelência durante duas décadas.

Dito isto, para ficarem a perceber o meu ponto de vista, ainda mantenho um Macbook Pro de 2011. E, por motivos pessoais, terei de adquirir um tablet da marca. Portanto, recomeço esta análise sabendo que vós já sabeis qual é a minha atitude sobre a iCoisa.

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iPhone SE 2020 – análise Xá das 5 – unbox

Recomeçando

O iPhone SE 2020 apareceu-me em branco e novinho mas vinha em formato de demonstração em loja, o que não estava à espera, e ainda perdi um par de dias a tentar reiniciá-lo para poder perceber o histerismo colectivo que o envolve. Não foi fácil, lá está, mas sou teimoso e consegui, através de uma página oficial do Canadá, chegar aos códigos oficiais e resolvi o problema sem ajuda. Senti-me quase um mestre.

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iPhone SE 2020 – análise Xá das 5 os modos que encantam

Estando em modo de utilizador, e falando como um verdadeiro virgem no que respeita ao iOS, percebi logo que o mundo Apple mente. Não, o sistema operativo não é simples de usar para quem não está habituado e, como utilizador Android, confesso que tive uma linha de aprendizagem maior que pensava e que, aliás, não terminou, pois o tempo que me foi dado para análise não foi suficiente. Acima de tudo faz-me muita falta um botão back. Tão simples, não é?

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iPhone SE 2020 – análise Xá das 5

Simplicidade ou bonecada?

Confirmei o que sempre notei: os ícones são demasiado grandes e enchem bastante espaço neste minúsculo ecrã de 4,7” que muitos dizem ser ideal. Não, não é, mas já lá vou.

Para além da dimensão, tudo é muito colorido, muito animado, e para uma utilização pessoal, gosto mais de ter um tema simples, escuro, básico, que não dê nas vistas, algo impossível para um utilizador Apple conseguir sem fazer marabilismos técnicos que somente estão ao alcance de uns quantos iluminados.

Mas não é disto, ou da minha experiência iOS que querem saber, pois não? É se o SE 2020 vale a pena visto ser tão barato.

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Comparação entre SE

Vale a pena comprar o SE 2020?

Ora vou começar pelos pontos óbvios: o telefone tem o corpo do mais antigo iPhone 8. Se isso é bom ou mau, vocês o dirão. Para mim é muito elegante, cai bem na mão, os materiais são de extrema qualidade e a dimensão física perto do ideal.

Isto visto pela traseira, porque de frente surge o famoso míni ecrã de 4,7” com molduras enormes no topo e na base, que alberga o físico e redondo ID Touch e naturalmente compreendo que seja a maior crítica que lhe podem fazer.

Tenho usado ecrãs com mais de 6” e baixar para as 4,7 é, confesso, muto complicado. Mas, mesmo assim, dei por mim a escrever facilmente as mensagens nas redes sociais, pois o teclado é muito bom, e mesmo que o ecrã seja LED HD, consegue-se ler e ver os conteúdos durante o dia. Se podia ser mais brilhante, podia, mas a Apple teve de sacrificar alguns elementos e o ecrã, quanto a mim um dos principais cativadores de escolha, foi um deles.

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iPhone SE 2020 – análise Xá das 5 – Som Stereo, fenomenal!

Imagem pequena, som enorme!

É um pouco estranho ter um ecrã tão pequeno e um som estereofónico tão bom! É bem verdade, duas colunas que enchem o espaço com uma boa gama de frequências e até posso dizer que é som a mais para a imagem que obtemos. Estranho, não é?

Mas existe outro ponto negativo e esse é um drama repetido na marca ao longo dos anos: a duração da bateria. No meu caso, como estive sempre a utilizá-lo, chegar ao fim do dia foi complicado. Mas numa outra situação, em que passei um par de dias sem lhe tocar, percebi que a percentagem não sofreu por aí além. Portanto, há que perceber onde está o equilíbrio e andar sempre com o carregador, caso normalmente visível nas salas de espera dos aeroportos.

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iPhone SE 2020 – análise Xá das 5

Mas vamos à importância real do iPhone SE 2020

Uma das particularidades é o preço a que foi proposto nos Estados Unidos: 399 dólares pela versão de 32Gigas 64 Gigas é um convite a entrar na loja e escolher entre o branco, vermelho ou preto. Sim, quem diria que se iria comprar um iPhone por ser barato?

Mas esses 399 dólares, grosso modo 365 euros, passam em Portugal a representar 499 euros, ou seja, bem mais que o anunciado com toda a panache pelos media internacionais. Sim, os 500 euros são a versão de 64GB mais as famosas taxas e impostos.

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iPhone SE 2020 – análise Xá das 5 – excelente teclado

E 500 euros já são um valor que pode assustar quem, afinal, pensava que ia ter um iPhone barato. É que existem Android por esse preço, e para não citar muitos aponto o TCL 10 PRO que tenho na outra mão neste preciso momento, que oferecem mais características, mais ecrã, mais câmaras e muito mais espaço e RAM que o SE 2020.

Mas escusam de apontar o que é também importante, que é a diferença brutal no que respeita ao processador. Enquanto o TCL é sofrível neste campo, o iPhone adoptou o seu mais recente A13 Bionic com todas as vantagens deste mais recente componente mas que está, digamos, espremido ao mínimo. Mesmo assim, são muitas para as várias Apps que tornam os iPhones tão apetecíveis, para além do logótipo, claro está.

iPhone SE 2020 análise Xá das 5 utilização com uma mão
iPhone SE 2020 – análise Xá das 5 utilização com uma mão

O iPhone SE 2020 acerta nas coisas fundamentais e, não sendo extraordinário, é muito competente. A câmara é boa e isso servirá muito cliente. O ecrã a 60Hz é suficiente para os utilizadores básicos, o tamanho do corpo excelente para quem gosta de equipamentos confortáveis e que caibam num bolso, a bateria com 1821mAH aguenta um dia em utilização muito moderada – esqueçam os jogos e tirar muitos fotografias ou filmar vídeos sem um powerbank no bolso -, o recarregamento é lento mas poucos se importam com isso porque uma noite dá para encher o depósito, e a qualidade das fotografias, mesmo que só tenha uma objectiva, é mais que suficiente para uma utilização normal e tem todo aquele software dinâmico, de luzes e fundos, que a malta gosta.

Cuidado

Mas muita atenção: não esperam os mesmos resultados, tanto em rapidez de processamento como em qualidade fotográfica, lá porque os processadores são “iguais” aos do topo de gama iPhone 11. Eles são os mesmos, mas não são iguais.

Mas o mais engraçado? É que esta mesma câmara é muito boa a filmar em 4K, talvez o segredo mais bem guardado deste novo míni iPhone.

Quero também salientar que o SE 2020 é resistente a mergulhos até um metro de profundidade durante meia hora, o que é sempre bom para quem o deixa cair na pool party.

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iPhone SE 2020 – análise Xá das 5

O que é bom e menos bom

Como podem ver, há coisas más, médias e boas. Tenho a certeza que, com mais um mês de utilização, poderia até pensar em utilizá-lo, mas faz-me falta um ecrã maior. A adaptação ao iOS não seria o que me faria desistir, mas chateia-me o facto de ter que ir à loja comprar um carrinho de supermercado com acessórios, adaptadores e cabos para as minhas necessidades profissionais, visto que não uso diariamente computadores Apple.

Há pormenores que me encantam, como a gravação de áudio em estéreo, o que dá pujança aos filmes 4K, o espaço para dois cartões SIM (pena que não tenham sacrificado um para colocar um cartão de memória) e até ligar dois auriculares sem fios ao mesmo tempo o que é mais útil do que parece, principalmente para entrevistas, por exemplo.

iPhone SE 2020 análise Xá das 5 o ID touch
iPhone SE 2020 – análise Xá das 5 – o ID touch

Mas percebo o sex appeal que o SE 2020 tem. Dei por mim a mostrá-lo, a manejá-lo, só porque sim. E essa é a questão do tamanho e da nobreza dos materiais: a “dupla” vidro e alumínio nunca defrauda as expectativas. De qualquer forma, e para o que preciso de fazer em iOS, 64GB é demasiado pouco e teria de chegar aos 256 pois 128GB, para um tempo de utilização que muitos apontam para 3 ou 4 anos, é também arriscado.

E quando vou ver o preço do iPhone SE 256GB, 670€ já dão para repensar a estratégia, não é? Mas, caso estejam a pensar em comprar o iPhone mais barato de sempre, façam um esforço e comprem o de 128GB que custa 549€. É mesmo muito importante.

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Agora o punch line: fiquei com pena de o devolver e faz falta aqui no tampo da secretária de trabalho. É que permitia um sorriso só de olhar para ele.

Parabéns Apple, o iPhone SE 2020 é um produto que vai, naturalmente, vender que nem ginjas.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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