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Kaspersky revela que Portugal sofreu 2,3 milhões de ciberataques em 2026

João Gata por João Gata
Junho 29, 2026
Computador portátil com alerta de cibersegurança enquanto código malicioso é detectado por software de protecção.

Os ataques informáticos continuam a aumentar e Portugal não escapa à tendência.

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A segurança digital continua a ser um dos maiores desafios da actualidade e os números agora divulgados pela Kaspersky mostram que Portugal também está na mira dos cibercriminosos. Apenas durante os primeiros três meses de 2026, foram detectadas mais de 2,3 milhões de ciberameaças transmitidas pela Internet nos computadores de utilizadores portugueses, um volume que demonstra como os ataques se tornaram uma realidade quotidiana.

Segundo o mais recente Kaspersky Security Bulletin, cerca de 17,5% dos utilizadores em Portugal foram afectados por ameaças provenientes da Internet, colocando o país na 37.ª posição do ranking mundial.

Ataques através do navegador continuam a dominar

Grande parte das infecções continua a começar onde quase todos passamos boa parte do dia: o navegador de Internet.

Os chamados ataques drive-by download exploram vulnerabilidades existentes nos browsers ou nos seus complementos para instalar software malicioso sem que o utilizador se aperceba. Em muitos casos basta visitar uma página comprometida para que o processo tenha início.

A este cenário junta-se a engenharia social, uma técnica que continua a revelar-se extremamente eficaz. Em vez de atacar directamente o computador, os criminosos procuram convencer a própria vítima a descarregar um ficheiro aparentemente legítimo, que afinal esconde malware.

É o equivalente digital a alguém bater à porta vestido de técnico autorizado. Se abrirmos a porta, o trabalho fica muito mais fácil.

Malware sem ficheiro preocupa especialistas

Entre as ameaças que mais preocupam os investigadores encontra-se o chamado malware sem ficheiro.

Ao contrário dos vírus tradicionais, este tipo de código malicioso não instala ficheiros visíveis no disco do computador. Em vez disso, utiliza componentes já existentes no próprio sistema operativo para executar as suas acções e manter-se activo.

Na prática, torna-se muito mais difícil de detectar pelos métodos clássicos dos antivírus, uma vez que praticamente não deixa rasto.

Para combater este tipo de ataques, a Kaspersky recorre a tecnologias de detecção comportamental baseadas em inteligência artificial e modelos heurísticos. Em vez de procurar apenas assinaturas conhecidas de vírus, o sistema analisa o comportamento dos programas em tempo real, conseguindo identificar actividades suspeitas antes que provoquem danos.

Outra camada importante é a prevenção de exploits, responsável por bloquear tentativas de exploração de falhas de segurança existentes em aplicações ou sistemas operativos.

Quase quatro milhões de ameaças locais

Os riscos não chegam apenas através da Internet.

Durante o mesmo período foram registados 3.999.719 incidentes locais em Portugal, afectando cerca de 17,9% dos utilizadores.

Estas infecções são normalmente propagadas através de dispositivos físicos, como pens USB, discos externos ou outros suportes amovíveis. Embora CDs e DVDs sejam hoje menos utilizados, continuam igualmente a fazer parte desta categoria.

Os worms e os vírus tradicionais continuam a representar uma fatia significativa destas ameaças, o que demonstra que algumas técnicas clássicas continuam bem vivas, apesar de toda a evolução tecnológica.

Uma protecção eficaz exige várias camadas

Segundo a Kaspersky, confiar apenas num antivírus já não é suficiente.

Uma estratégia de segurança eficaz deve combinar diferentes tecnologias, incluindo firewall, sistemas anti-rootkit, detecção comportamental, prevenção de exploits e controlo sobre dispositivos USB e outros equipamentos amovíveis.

Esta abordagem multicamada permite reduzir significativamente o risco de uma infecção conseguir ultrapassar todas as barreiras de protecção.

Portugal acompanha uma tendência global

Embora Portugal tenha registado números elevados, continua longe dos países mais afectados nesta categoria de ameaças locais. O caso mais extremo foi o Turquemenistão, onde mais de metade dos utilizadores analisados sofreu algum tipo de incidente local durante o primeiro trimestre de 2026.

Ainda assim, os dados demonstram que nenhum país está verdadeiramente protegido contra o crescimento da criminalidade digital.

À medida que os ataques se tornam mais sofisticados e discretos, também os utilizadores precisam de adoptar hábitos mais seguros, como manter o software actualizado, desconfiar de ficheiros recebidos por correio electrónico ou mensagens instantâneas e utilizar soluções de segurança capazes de identificar ameaças modernas.

Tags: cibercrimecibersegurançaInternetKasperskymalwarePortugalsegurança informáticaVírus
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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