Tenho uma fobia a multidões e sei bem porquê, pois safei-me de ser espezinhado por duas vezes em Lisboa, uma num Santo António em que a horda fugiu do castelo em debandada furiosa e outra em que quase fui esmagado pela multidão que, à portuguesa, quis furar a fila para comprar bilhetes a preço antigo num qualquer festival do cinema Quarteto. Nunca mais me meti em confusões, não vou a jogos de futebol nem que me convidem para os camarotes VIP e concertos só mesmo sentado.
Daí que esta inovação da NEC me tenha captado a atenção. A marca nipónica desenvolveu a primeira tecnologia mundial de “análise de comportamento de multidões”, que utiliza imagens de câmaras de vigilância para compreender o comportamento de multidões e detectar situações fora do normal. Esta tecnologia deverá contribuir para melhorar a protecção e a segurança através da detecção atempada de situações invulgares e de acidentes.
Como funciona? Analisa a influência que um incidente inesperado, ou sinais do mesmo, tem sobre o comportamento de uma multidão, permitindo identificar com precisão as mudanças na sua forma de actuar. Assim sendo, as câmaras de segurança existentes podem ser utilizadas para detectar perturbações, tais como uma mudança repentina no fluxo de tráfego pedonal ou um grupo que se forma em torno de um individuo, e estimar com precisão o grau de congestionamento, mesmo num ambiente extremamente sobrelotado, como um espetáculo publico ou uma estação de comboios em hora de ponta.
É a história do copo meio vazio ou cheio. Se por um lado a tecnologia pode evitar acidentes ou mesmo tragédias, por outro estamos cada vez mais conscientes que a nossa liberdade e direito à privacidade já não existe. Agora é pesar os prós e contras.










