Se no ano passado apontei o Honor Magic V3 como o melhor smartphone do ano, desta feita parti para o seu sucessor com mais ânimo mas também mais temeroso: afinal, como poderia a Honor melhorar o muito bom de um ano para o outro?

Mas este é o fabuloso mundo dos smartphones em que tudo parece ainda ser possível, principalmente no segmento dos dobráveis que têm vivido num equilíbrio estranho entre inovação e compromisso.
A maioria das marcas lança produtos que brilham em design mas ficam aquém em autonomia, ou oferecem potência mas falham na resistência. Foi neste cenário que o Honor Magic V5 chegou ao mercado e, surpreendentemente, quanto a mim, conseguiu melhorar o que já parecia muito difícil de melhorar e o V5 mostra que a Honor está a levar esta categoria mais a sério do que muitos esperavam.
Honor Magic V5: design e construção



O novo Magic V5 apresenta um corpo ultrafino quando dobrado, com pouco mais de 8,8 milímetros, e chega a ser ainda mais surpreendente quando aberto, ficando abaixo dos 5 milímetros. Isto, caros leitores, é muito mais surpreendente do que pssa parecer, e convido-os a ir a uma qualquer loja para sentir estes números na mão.
O peso ronda os 220 gramas, o que é também impressionante para um dobrável desta dimensão. O design mantém-se elegante, sem aquele ar de protótipo experimental que ainda se vê em alguns concorrentes. A dobradiça está mais sólida, com menos folgas e um fecho quase magnético, algo que transmite confiança na utilização diária.
Desempenho e ecrãs com brilho recorde

No que toca ao desempenho, a Honor não poupou. O processador é o Snapdragon 8 Elite de 3 nanómetros, que traz potência de sobra e eficiência energética suficiente para prolongar a autonomia.
As versões mais generosas oferecem até 16 GB de memória RAM e 512 GB de armazenamento interno, valores dignos de um topo de gama.
Tanto o ecrã exterior de 6,4 polegadas como o interior, com quase 8 polegadas, são painéis LTPO OLED de 120 Hz e brilho que pode chegar aos 5.000 nits, o que faz com que ler notificações ao sol ou ver vídeos numa esplanada deixe de ser um desafio.
Autonomia e carregamento



Mas o que realmente surpreende é a bateria. Com 5.820 mAh, baseada em tecnologia de silício-carbono, o Magic V5 aguenta um dia e meio de utilização intensa, algo quase impensável em dobráveis até agora.
O carregamento também não desilude: 66 W com cabo e 50 W em modo sem fios. Para quem já se habituou a esperar mais de uma hora para ver o telemóvel a recuperar energia, aqui bastam minutos para o devolver à vida.
As câmaras do Honor Magic V5

O sistema de câmaras também não foi deixado ao acaso. A Honor optou por uma configuração equilibrada: um sensor principal de 50 MP, uma ultra-grande angular igualmente competente e uma teleobjetiva com zoom óptico de 3×.
Não estamos perante números estratosféricos como os 200 MP que a Samsung enfiou no Galaxy Z Fold 7, mas os resultados são consistentes, equilibrados e fiáveis.
O software ajuda, com processamento de cor muito próximo da realidade, e com um modo noturno que não abusa do artificialismo. É um módulo que não procura ser extravagante mas que cumpre muito bem na maioria das situações.



O problema? O conjunto das câmaras é grande e faz com que o V5 fique ligeiramente instável quando pousado sobre uma superfície enqunto aberto. Mas, e há sempre um mas, quando fechado fica impecável, o mesmo não se pode dizer do ultra bamboleante Fold 7.
Onde o Honor Magic V5 ainda pode melhorar
Claro que não há bela sem senão. O maior ponto de crítica recai sobre o software. O MagicOS 9, baseado em Android 15, ainda não está à altura do hardware que equipa o Magic V5.
A interface é fluida, mas falta polimento em alguns detalhes, como a adaptação de certas aplicações ao modo dobrável. Pequenas falhas que não comprometem a experiência no geral, mas que irritam quem gosta de interfaces limpas e intuitivas.



Outro detalhe menos positivo é o preço. Apesar de a Honor conseguir posicionar o V5 abaixo do Galaxy Z Fold 7, continua a ser um investimento pesado. E como a marca ainda não tem a mesma rede de assistência técnica da Samsung em mercados como Portugal, há sempre a questão da garantia e da reparação, que pesa na decisão de compra.
Comparação Honor Magic V5 vs Galaxy Z Fold 7
Galaxy Z Fold 7: onde a Samsung ainda ganha
Quando o colocamos lado a lado com o Galaxy Z Fold 7, o comparativo torna-se inevitável. O dobrável da Samsung tem a vantagem clara no departamento fotográfico, com aquele sensor de 200 MP que produz imagens impressionantes em condições de boa luz. Também beneficia da maturidade do ecossistema Samsung, com maior integração de software e uma rede de assistência global robusta.
Honor Magic V5: onde a Honor surpreende
O Magic V5 responde com argumentos fortes: um brilho de ecrã muito superior, que chega aos 5.000 nits, uma bateria consideravelmente maior e carregamentos muito mais rápidos. Soma-se ainda uma certificação IP58 e IP59, raríssima em dobráveis, que dá ao utilizador a confiança de não ter de andar com o telemóvel “ao colo” cada vez que chove. Em termos de espessura e peso, os dois são muito semelhantes, mas o V5 tem uma estética mais refinada quando aberto.
Resumindo



O Honor Magic V5 não só melhora em relação ao V3 como também consegue incomodar seriamente o Fold 7, que sempre foi a referência do mercado.
É um dobrável que prova que a inovação não precisa de compromissos drásticos, e que finalmente traz para cima da mesa uma alternativa credível ao monopólio da Samsung.
Se o software ganhar o polimento que merece, temos aqui um dos melhores smartphones do ano, e possivelmente o melhor dobrável para quem procura equilíbrio entre desempenho, autonomia e design.
Preço Honor Magic V5
O preço do Honor Magic V5 é de 1.999€ (PVP recomendado) e está disponível em Portugal nas cores Black e Dawn Gold.
A ANÁLISE
Magic V5
PRÓS
- Estilo, Construção, brilho dos ecrãs, espessura mínima, autonomia excelente, IP58 e 59
CONTRAS
- MagicOS 9 melhorável, preço alto, módulo de câmara enorme





