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Nissan PULSAR 1.6 DIG-T 190 TEKNA, o ensaio a um lobo em pele de cordeiro

João Gata por João Gata
Abril 12, 2016
Nissan PULSAR 1.6 DIG-T 190 TEKNA, o ensaio a um lobo em pele de cordeiro
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É-me difícil afirmar que gosto ou não gosto do desenho exterior do Nissan Pulsar. Depende do dia ou da hora, pois umas vezes acho-o bonito, outras não tanto. O perfil está conseguido, a traseira menos. Há sempre um “mas” nesta apreciação, nem que seja porque se trata de uma opinião, mas uma coisa é certa: o Pulsar não dá nas vistas, deixando esse papel para o seu “gémeo mais encorpado” e bem mais popular Qashqai.
Já tinha experimentado a versão mais “tradicional” (no mercado português tão escandalosamente dependente das motorizações diesel) 1.5 DCI Tekna que podem ler aqui, e dei nota máxima ao conforto a bordo e ao extraordinário espaço útil. Essas facetas mantêm-se iguais no Pulsar deste ensaio, mas esta versão tem um plus que o transfigura, o catapulta, que lhe empresta um carácter, posso desde já avançar, único.
Bem sei que o Pulsar não é um modelo que que arrebate corações, contudo, fiquei totalmente rendido a esta versão. Melhor, quem comigo viajou nele, e que gosta de alguma adrenalina bem temperada, claro, ficou fã. Mas o que tem este Pulsar tão especial: uma coisa apenas, o motor a gasolina com 1.6 de cilindrada. Ah… e 190 CV. Sim, leram bem, cento e noventa cavalos! Já ficaram mais atentos, tenho certeza.
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Cordeiro por fora, leão por dentro

Já o entreguei faz alguns dias mas continuo entusiasmado. Há muito que um carro não me fazia sorrir tanto. Não é uma questão de ser um bólide ultra competitivo nos semáforos, mas sim porque se trata de um carro familiar sem uma ponta de adereços pouco subtis. Aliás, nem no portão traseiro está colada uma qualquer designação sobre o que se passa debaixo do capot. E isso, meus amigos, dá um gozo danado, principalmente quando estamos a ser injuriados por mentecaptos que nos seguem perigosamente colados, ao mesmo tempo que nos brindam com impropérios vários, máximos frenéticos e buzinadelas intermitentes. O gozo acontece quando carregamos no acelerador e, num ápice, como se fosse magia, desaparecemos do perseguidor em poucos segundos. Dá, confesso, um misto de sensações pouco dignas de quem, como eu, se sabe calmo ao volante. É que se solta a fera que há em mim para acompanhar, de forma muito competente, a potência de tanto cavalo à solta. Sim, ainda estou a sorrir ao relembrar o ar incrédulo de alguns (ok, muitos) idiotas que me chatearam nas ruas lisboetas e estradas nacionais e, principalmente, em vias rápidas onde se pode, com cuidado, soltar os cavalos num verdejante prado para correr ao longo do riacho…. se entendem a metáfora.
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Para um motor destes, há que confiar no chassis e este é muito equilibrado, aponta bem à entrada das curvas e, como está bem calçado, permite alguma rapidez na saída. É, como muitos diriam, um carro de corridas para cidade. Não me canso de escrever isto e sorrio sempre que relembro as passagens de caixa, bem escalonada e muito directa.
Mas um carro não é só motor. Há que largar por uns minutos esse ímpeto para me debruçar no que ele também oferece. E uma coisa que salta à vista é o espaço interior, uma imensidão de centímetros para as pernas de quem vai atrás, num banco preparado para três adultos. As viagens são confortáveis, pois o rolar é suave e cómodo, o que não seria de esperar numa versão tendencialmente desportiva. Mas a Nissan achou, e bem, que poderia  brindar o chefe de família com dois comportamentos bem vincados: um para quando estiver sozinho, outro para quando transportar a cara metade, os dois ponto três filhos e o cão, mais a bagagem. Sim, temos direito a uma boa bagageira com 385 litros. Com os bancos baixados, acrescem mais 1000.

 

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O interior é simples e com linhas que nos evocam os ares de família da restante gama nipónica, principalmente o Qashqai e o eléctrico Leaf. Espaço não falta para arrumação e é sempre notória a qualidade de montagem em todos os espaços.
Para  reforçar a robustez, temos à disposição muita tecnologia de segurança activa e passiva: sistema de Escudo de Segurança que inclui nomeadamente o Aviso de Mudança de Faixa e o Aviso de Ângulo Morto; sistema de Visualização da Área Circundante (Nissan View 360 que nos permite ter uma noção circundante dos objectos que podem surgir em qualquer ângulo e que mais que perfeita para o estacionamento) e sistema de última geração NissanConnect que fornece integração perfeita com smartphones e funções completas de navegação por satélite num bom ecrã de 5,8″.
Temos ainda a travagem de emergência com radar, câmara de ajuda ao estacionamento com auto limpeza, Monitorização da Pressão dos Pneus, Start/Stop e os já normais vidros eléctricos e ar condicionado. Tudo funciona de forma simples e directa, sendo a curva de aprendizagem quase mínima. E uma vez experimentada a câmara 360 graus para ajuda ao estacionamento, garanto-vos, é difícil entender como está em falta nos restantes 98% dos veículos modernos. É, francamente, excepcional.

 

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Portanto, este motor a gasolina com turbo é capaz de nos oferecer sensações de um digno desportivo mas tresmalhado de compacto familiar. O conforto em rodagem é a norma, pois sabemos que temos de levar os miúdos à escola e ir e vir do trabalho naquele ritmo frenético do pára arranca (ainda bem que o sistema start/stop é bom). Mas olhamos ali para aquela estrada secundária já abandonada e sabemos que fazemos 8 segundos dos 0 aos 100 Km/h e que, se a estrada alargar, chegamos quase aos 220 Km/h de velocidade máxima. É muita velocidade para um familiar…
Mas o maior “gozo” são os consumos: em cidade, cerca de 7 litros, em estrada baixei aos 6,5 e em toada mesmo muito calma, a passear pela marginal entre Lisboa e Cascais, consegui 6.
Diesel? Isso é para meninos.

PVP: 29.700€

Tags: Nissan Pulsar 1.6Nissan PULSAR 1.6 DIG-T 190 TEKNA análiseNissan PULSAR 1.6 DIG-T 190 TEKNA ensaioNissan PULSAR 1.6 DIG-T 190 TEKNA reviewNissan PULSAR 1.6 DIG-T 190 TEKNA teste
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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