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O dia mundial da Password visto por quem sabe

João Gata por João Gata
Maio 7, 2026
Esqueça as palavras-passe: pense numa “frase-passe”!
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Hoje comemora-se o Dia Mundial da Password e vamos ler três opiniões de players sobejamente conhecidos: a Kaspersky, a ESET e a Commvault:

A Password fraca continua a dominar

A Kaspersky analisou 231 milhões de passwords expostas entre 2023 e 2026 e chegou a uma conclusão desconfortável: continuamos a facilitar demasiado a vida a quem quer invadir contas.

Mais de metade das passwords comprometidas termina com um número, e cerca de 68% podem ser quebradas em menos de um dia. Em muitos casos, nem é preciso grande esforço técnico. Basta explorar padrões óbvios.

Números no fim, sempre o mesmo erro

Um dos padrões mais comuns é simples: números no fim da password.
Mais concretamente:

  • 53% terminam com dígitos
  • 17% começam com números
  • 12% incluem datas previsíveis
  • Sequências como “1234” continuam a aparecer com frequência

O problema não está em usar números, mas em usá-los sempre da mesma forma. Para um ataque de força bruta, isto reduz drasticamente o tempo necessário para descobrir a combinação.

Palavras da moda entram nas passwords

Outro dado curioso revela muito sobre o comportamento online. A palavra “Skibidi” foi usada 36 vezes mais nos últimos anos, acompanhando tendências virais.

Além disso, palavras positivas dominam: “love”, “magic”, “angel” ou “star” aparecem com frequência. Também há espaço para o lado mais negro, com termos como “hell” ou “devil”.

Em Portugal, o clássico “admin” continua no topo, seguido por sequências como “123456”. Nada de novo, infelizmente.

O problema é evidente: palavras comuns são fáceis de prever, especialmente quando combinadas com padrões simples.

Mais caracteres já não chegam

Durante anos disse-se que passwords longas eram suficientes. Hoje já não é bem assim.

Embora passwords curtas sejam rapidamente quebradas, até combinações com 15 caracteres podem cair em menos de um minuto se forem previsíveis. No total, mais de 60% das passwords analisadas são quebradas em cerca de uma hora.

A inteligência artificial veio acelerar tudo isto. Os ataques já não são apenas força bruta cega, são inteligentes e baseados em padrões reais.

Como criar passwords mais seguras

A recomendação mantém-se, mas com mais rigor:

  • Evitar palavras óbvias ou populares
  • Misturar letras, números e símbolos de forma aleatória
  • Não colocar números apenas no início ou no fim
  • Usar frases longas com combinações inesperadas
  • Activar autenticação de dois factores sempre que possível

Outra solução prática é usar um gestor de passwords, que cria e guarda combinações complexas sem obrigar a memorização.

ESET relembra importância de uma password segura

Passwords fracas ainda são risco

A ESET volta a puxar o travão à nossa confiança digital: continuamos a usar passwords demasiado simples. No Dia Mundial da Palavra-Passe, a empresa destaca que o problema não está apenas nos utilizadores, mas também em serviços online que ainda permitem combinações frágeis.

Na prática, mesmo com anos de alertas, muitos continuam a optar pelo mais fácil. E isso tem um preço.

Os velhos clássicos nunca morreram

Segundo dados do National Cyber Security Centre, passwords como “123456” ou “password” continuam entre as mais usadas no mundo. Só a combinação “123456” apareceu em mais de 23 milhões de contas comprometidas.

O mais curioso é que muitas plataformas ainda aceitam variações óbvias como “1234567!”. Ou seja, existe alguma exigência de complexidade, mas não o suficiente para travar padrões previsíveis.

Resultado: contas vulneráveis, muitas vezes sem o utilizador sequer se aperceber.

O problema não é só técnico

Para a ESET, há aqui uma questão de comportamento. Existe ainda a ideia de que contas pessoais não são interessantes para cibercriminosos.

Nada mais errado. Uma única password pode dar acesso a e-mails, redes sociais, serviços financeiros e até abrir portas a outras contas através de recuperação de credenciais.

É o chamado efeito dominó digital.

É preciso mudar o modelo

A ESET defende que os serviços online devem ir mais longe, tornando obrigatórias passwords fortes e autenticação multifator.

A password continua a ser a primeira linha de defesa. E, ao mesmo tempo, uma das mais negligenciadas.

Como criar passwords realmente seguras

Criar uma boa password não tem de ser complicado, mas exige algum cuidado:

  • Não reutilizar passwords entre serviços
  • Evitar sequências óbvias como “123456” ou “qwerty”
  • Usar frases longas com pelo menos 12 caracteres
  • Evitar nomes próprios ou referências pessoais
  • Utilizar um gestor de passwords para criar e guardar combinações
  • Não guardar passwords directamente no browser
  • Activar autenticação multifator sempre que possível
  • Monitorizar acessos e activar alertas de segurança
  • Alterar passwords imediatamente em caso de suspeita
  • Mudar credenciais de origem em routers e dispositivos

Pequenos gestos, grande diferença.

Segurança digital começa no básico

A tecnologia evolui, mas os hábitos nem sempre acompanham. Enquanto continuarmos a escolher passwords fáceis de memorizar, vamos continuar a facilitar o trabalho a quem não devia entrar.

As Piores Passwords de 2018

IA traz novos riscos às passwords

No Dia Mundial da Password, a reflexão já não é apenas sobre palavras-passe fracas ou reutilizadas. A Commvault levanta uma questão mais profunda: estamos preparados para proteger identidades digitais que já não são humanas?

Segundo Mark Molyneux, Field CTO da empresa, a explosão de agentes de inteligência artificial está a alterar completamente o cenário da segurança.

Agentes de IA já são “utilizadores”

A ideia é simples, mas inquietante. Os agentes de IA deixaram de ser ferramentas passivas e passaram a participar activamente em processos empresariais.

Na prática, isto significa que também precisam de autenticação, permissões e controlo. Tal como qualquer utilizador humano, mas numa escala muito maior.

E aqui começa o problema.

Mais superfície de ataque, novos riscos

Os sistemas baseados em IA não aumentam apenas os riscos. Mudam a forma como eles existem.

Falamos de vulnerabilidades como:

  • Injeção de comandos
  • Manipulação de dados
  • Corrupção de modelos

Não são ataques tradicionais. Não visam apenas código, mas a própria lógica de decisão dos sistemas.

Ou seja, já não se trata só de proteger acessos. Trata-se de proteger decisões.

IA precisa de regras claras desde o início

A Commvault defende que os agentes de IA devem ser tratados como identidades digitais críticas.

Isso implica:

  • Controlo de acessos rigoroso
  • Supervisão contínua
  • Gestão ao longo de todo o ciclo de vida

Sem estas bases, a promessa de produtividade pode rapidamente transformar-se num risco ampliado à escala da organização.

De ferramenta a risco invisível

O maior perigo é precisamente esse: a facilidade com que estes sistemas são integrados. Muitas vezes como soluções plug-and-play, sem uma estratégia de segurança robusta.

Quando isso acontece, os agentes de IA deixam de ser apenas úteis. Passam a ser pontos de entrada para vulnerabilidades mais complexas e difíceis de detectar.

Segurança digital já não é só sobre passwords

O conceito clássico de password está a evoluir. Já não falamos apenas de proteger contas humanas, mas de gerir identidades digitais autónomas.

E isso exige uma mudança de mentalidade.

Tags: CommvaultDia mundial da passwordEsetKasperskypasswords
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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