A Hitachi Energy investe mil milhões em transformadores de energia nos EUA!
Estava eu a ver o feed do Instagram enquanto tomava o pequeno-almoço, mais um vídeo de gatos, mais uma review do iPhone 16 Pro Max, quando dou de caras com a notícia: a Hitachi Energy vai investir mil milhões de dólares nos EUA. Não em apps, não em smartphones, mas em algo ainda mais excitante… transformadores de energia.
A “transformação” da Hitachi Energy
Sim, transformadores. Aqueles caixotes cinzentos que não dão likes, não aparecem em reels e que nunca vão parar a um unboxing no YouTube. Mas sem eles, o iPhone 16 Pro Max que me tentavam vender em cada story não passava de pisa-papéis caro.
O plano é simples: 457 milhões para a Virgínia, nova fábrica, 825 empregos e o recado de Washington. Se a inteligência artificial vai devorar eletricidade, os EUA não querem correr o risco de pedir emprestado à Ásia. Produzir em casa é mais caro, mas é também mais seguro.
Nada disto é inocente. É o mesmo guião de sempre: abrir os cofres públicos, atrair multinacionais estrangeiras e obrigá-las a produzir dentro de portas. Assim foi com os chips através do CHIPS Act e é agora com a energia. No fim, não é só investimento, é controlo.

Europa, sempre a ver passar os comboios
E nós? Continuamos no campeonato dos powerpoints. Bruxelas adora a palavra “soberania tecnológica”, mas quando chega a hora de investir, o melhor que conseguimos é um fundo de 100 milhões que parece troco de café comparado com os milhares de milhões americanos.
Já vimos este filme antes.
• Dependemos da OPEP durante décadas, a rezar para que os preços não disparassem.
• Ficámos reféns do gás russo, que Moscovo usou como arma política até fechar as torneiras.
• Agora arriscamos depender dos EUA para manter acesa a luz que alimenta os nossos data centers.
E claro, no meio de tudo isto, os políticos europeus aparecem a sorrir para a fotografia, como se mais uma conferência com bandeiras azuis resolvesse a dependência energética. É o equivalente político ao “modo avião”: parece que estamos ligados, mas na prática não fazemos nada.
O tsunami energético
Entretanto, os data centers de IA crescem como cogumelos, a sugar energia como quem bebe imperiais num arraial. Só nos EUA já se fala em 12% de toda a eletricidade nacional nos próximos anos (Reuters). Na Europa, continuamos a acreditar que meia dúzia de painéis solares na varanda vão resolver o problema.
No fim
Talvez o maior gadget do século XXI seja invisível. Não tem câmera 8K, não vibra com notificações, não cabe num unboxing. Chama-se rede elétrica. Sem ela, todo o resto, do TikTok ao ChatGPT, é só sucata digital.
E se alguém ainda acha que isto é exagero, basta lembrar-se do Magalhães. Chamavam-lhe “o futuro da escola digital” e acabou no lixo tecnológico. Pois bem, a diferença é que, desta vez, se falharmos na energia, não é só um portátil azul a ficar obsoleto. É todo o continente.





