A Palantir é um dos casos mais intrigantes de Wall Street na última década. Inspirada nos palantíri, as pedras mágicas do Senhor dos Anéis, a empresa tornou-se rapidamente uma estrela do mercado após a sua entrada em bolsa em 2020. O entusiasmo inicial levou as acções a dispararem dos 10 para mais de 40 dólares em poucos meses, mas em 2022, acompanhando a liquidação geral do mercado, desabaram para apenas 6 dólares.
Palantir: crescimento meteórico ou bolha prestes a rebentar?
Muitos analistas decretaram então o fim precoce da narrativa Palantir. No entanto, a história estava longe de terminar. A deterioração do cenário geopolítico mundial, a crescente procura por ferramentas de análise de dados e a aposta contínua em soluções de inteligência artificial deram-lhe novo fôlego.
O novo armamento do século XXI
Especializada em plataformas de análise de dados para agências governamentais e de segurança, sobretudo nos Estados Unidos, a Palantir é vista como a “nova empresa de armamento” do século XXI. Ao contrário de concorrentes, detém autorizações governamentais que lhe permitem lidar com informação confidencial, um trunfo que lhe garante contratos altamente lucrativos.
A ligação à guerra na Ucrânia reforçou esta percepção. Alex Karp, fundador e CEO, foi o primeiro líder empresarial ocidental a encontrar-se com Volodymyr Zelensky após o início do conflito, e os sistemas da Palantir têm sido utilizados na defesa ucraniana.
A valorização impressionante

Em 2024, a Palantir conseguiu o seu lugar no índice S&P 500 ao completar quatro trimestres consecutivos de lucros, tornando-se rapidamente uma das acções de maior crescimento do índice (+340%), superando até a Nvidia.
Desde os mínimos de 2022, as acções dispararam 3.000 %, atingindo cerca de 190 dólares este verão. Com isso, a empresa entrou directamente para o top 25 mundial em capitalização bolsista, avaliada em 400 mil milhões de dólares – mais do que a SAP, a Samsung, a Coca-Cola ou mesmo a ASML.
Rentabilidade e expectativas
A margem bruta ronda os 80 %, sinal da enorme escalabilidade do modelo de negócio. No último trimestre, a chamada Regra dos 40 – indicador que avalia a saúde das empresas SaaS – atingiu uns impressionantes 94 %. Entre as gigantes mundiais, só a Nvidia apresenta um valor superior.
Apesar disso, a avaliação actual é estratosférica: a Palantir negoceia a 500 vezes os lucros anuais e a 100 vezes as vendas. Para comparação, empresas como Apple, Alphabet ou Microsoft situam-se entre 20 e 40 vezes os lucros. Até a Tesla, tantas vezes criticada pelo excesso de valorização, negoceia a “apenas” 200 vezes os lucros.
Risco de bolha

É esta discrepância que levanta as sobrancelhas de investidores e analistas. A Palantir é uma história de sucesso e está a crescer, mas com uma capitalização de 400 mil milhões registou apenas 760 milhões de lucro no último ano. Para contraste, os gigantes globais chegam facilmente aos 100 mil milhões anuais.
A equação é simples: quanto maior a valorização, maiores as expectativas. E expectativas demasiado elevadas transformam-se rapidamente em risco. Um pequeno deslize, uma hesitação nos resultados ou uma correcção de mercado podem levar a quedas de dezenas de por cento em poucos dias – como já se viu recentemente, com uma perda de 16 % numa semana.
Concluindo
A Palantir é simultaneamente promessa e incógnita. O seu papel estratégico, a aposta precoce na inteligência artificial e a procura crescente por análise de dados colocam-na numa posição privilegiada. No entanto, a avaliação bolsista aproxima-se perigosamente de território especulativo.
Afinal, estamos perante o próximo gigante tecnológico sólido ou a mais cara bolha da história recente dos mercados?
Este artigo foi baseado num estudo da XTB.






