A transformação digital deixou de ser uma opção e passou a ser uma condição básica de sobrevivência para empresas e entidades públicas. Processos mais rápidos, equipas mais conectadas e decisões baseadas em dados tornaram-se parte do quotidiano de praticamente todos os sectores. No entanto, este avanço tem um reverso claro: quando a digitalização avança mais depressa do que a segurança, a exposição ao risco cresce de forma silenciosa, mas extremamente eficaz para quem ataca.
Num mundo empresarial hiperconectado, dados sensíveis circulam entre sistemas, dispositivos móveis e infraestruturas remotas. Sem uma base sólida de cibersegurança, essa circulação transforma-se num convite aberto a intrusões, sabotagens e fugas de informação com impacto financeiro, operacional e reputacional.
Portugal sobe rapidamente no ranking do risco
Os números ajudam a perceber a dimensão do problema. De acordo com a sexta edição do Microsoft Digital Defense Report, Portugal subiu do 34.º para o 12.º lugar no ranking global de risco cibernético num espaço de apenas um ano. Este salto não é acidental nem isolado. A construção da nova “fábrica de IA” da Microsoft em Sines coloca o país numa posição estratégica à escala europeia, mas também o torna mais visível e atractivo para redes de cibercrime altamente organizadas.
Segundo dados da Statista e de várias entidades europeias, países como Alemanha, Reino Unido e França enfrentam igualmente um aumento significativo do volume e do custo associado aos ataques informáticos. Em Portugal, estimativas da Strategy apontam para prejuízos na ordem dos 10 mil milhões de euros em 2024, um valor que tende a crescer se não forem tomadas medidas estruturais com urgência.
Orçamentos curtos para um problema em expansão
Apesar da escalada do risco, os investimentos em segurança informática continuam a crescer a um ritmo demasiado lento, com aumentos médios anuais inferiores a 6%. Esta discrepância é particularmente preocupante em sectores críticos como a indústria transformadora, a energia e os transportes, que concentram uma parte significativa dos ataques registados.
O relatório de 2025 do Centro Nacional de Cibersegurança identifica padrões recorrentes nas vulnerabilidades exploradas: palavras-passe fracas, software desactualizado e ausência de autenticação multifactor continuam a ser portas abertas num ecossistema cada vez mais hostil. O problema não está apenas na sofisticação dos ataques, mas também na persistência de práticas básicas de segurança que continuam por implementar.
Endpoints no terreno: o elo mais exposto
A digitalização trouxe ganhos claros para o trabalho no terreno. Processos que antes dependiam de papel e presença física passaram a ser geridos através de portáteis e tablets robustos, permitindo recolha de dados em tempo real, comunicação imediata e maior eficiência operacional.
No entanto, esta mobilidade introduz desafios sérios de segurança, sobretudo em sectores onde as equipas trabalham longe dos centros de decisão e com supervisão informática limitada. Dispositivos remotos são alvos preferenciais para ataques, roubos, perda de dados e manipulação de informação crítica, colocando em risco não apenas sistemas, mas infraestruturas essenciais.
Robustez física já não chega
Muitas organizações apostam em tecnologia robusta para garantir continuidade operacional em ambientes adversos. Portáteis e tablets certificados segundo normas MIL-STD e IP resistem a impactos, poeiras, água e temperaturas extremas, oferecendo ainda conectividade 4G e 5G para manter operações activas em locais remotos.
Contudo, a robustez física não resolve, por si só, os desafios da cibersegurança. Quanto maior a conectividade, maior a superfície de ataque. Dados armazenados localmente, comunicações em redes instáveis e dispositivos perdidos ou roubados continuam a ser pontos críticos que exigem uma abordagem de segurança muito mais abrangente.
Segurança em camadas como estratégia central
Para reduzir estes riscos, torna-se essencial adoptar uma estratégia de protecção de endpoints baseada em múltiplas camadas. Isto começa no próprio hardware, com um número crescente de organizações a optar por dispositivos com arquitectura Microsoft Secured-Core, onde firmware, hardware, sistema operativo e identidade trabalham de forma integrada para elevar o nível de protecção.
Empresas como a Getac defendem uma abordagem prática e estruturada, assente em quatro pilares fundamentais que reforçam a resiliência dos dispositivos em ambientes críticos.
Quatro medidas que fazem a diferença
A activação de autenticação multifactor em todos os endpoints é um passo básico, mas ainda longe de ser universal. Ao exigir múltiplas formas de verificação, mesmo credenciais comprometidas deixam de ser suficientes para um acesso indevido.
A encriptação de ponta a ponta e o uso consistente de ligações VPN seguras garantem que os dados permanecem inacessíveis a terceiros, mesmo quando circulam por redes públicas ou instáveis.
A actualização contínua de firmware e software é outro elemento crítico. Vulnerabilidades conhecidas e falhas de dia zero continuam a ser exploradas sobretudo onde os sistemas ficam desactualizados por longos períodos.
Por fim, planos claros de resposta e recuperação a incidentes permitem actuar rapidamente quando algo falha, reduzindo tempos de paragem e limitando danos operacionais e financeiros.
Parcerias como factor de resiliência
Implementar segurança em várias camadas pode parecer complexo, sobretudo para organizações com equipas distribuídas e infraestruturas críticas. É aqui que a colaboração com parceiros especializados se torna decisiva.
A Getac, por exemplo, integra soluções como o Absolute Secure Endpoint nos seus dispositivos Windows, permitindo manter controlo, visibilidade e capacidade de intervenção mesmo em cenários extremos, como reinstalações de sistema, substituição de discos ou alterações de firmware. Esta persistência tecnológica garante que os dispositivos continuam geríveis, mesmo quando comprometidos ou operados remotamente.
Em suma
Com Portugal cada vez mais exposto no mapa europeu do cibercrime, reforçar a resiliência da cibersegurança deixou de ser um exercício teórico. Proteger equipas remotas, garantir a segurança dos endpoints e adoptar uma visão integrada da segurança digital é hoje um requisito essencial para sectores críticos.
Ao combinar dispositivos robustos com estratégias avançadas de cibersegurança e parceiros de confiança, as organizações conseguem não apenas responder às ameaças actuais, mas preparar-se para um futuro onde o risco digital será permanente.





