A pouco e pouco, as famílias portuguesas vão percebendo o que é um NAS (Network Attached Storage) e estão a começar a perceber as vantagens de ter uma baía destas em casa. Mas para quem ainda não está confortável com esta designação, posso simplesmente dizer que um NAS é uma caixa que leva um ou mais discos rígidos para se ter armazenamento de conteúdos numa e em rede. Dependendo dos sistemas, podemos ir montando baías em série até ficarmos satisfeitos. Este tipo de equipamento informático tem passado dos armazéns às caves, das caves aos escritórios e, mais recentemente, dos escritórios às salas domésticas.
Dependendo dos modelos, são mais ou menos fáceis de usar. É como ligar um disco rígido externo ao computador e aceder-lhe dessa forma. Só que um NAS serve, acima de tudo, para armazenar quantidades massivas de conteúdos e funcionar como servidor para todos os equipamentos lá de casa. Vamos a um exemplo: eu quero aceder via tablet ou smartphone às fotografias e música que tenho no PC. A minha mulher quer ver na TV da sala os filmes favoritos e que já passámos de DVD para MP4 e estão distribuídos por vários discos rígidos antigos. A miúda quer estar no quarto com auscultadores a ouvir as músicas estridentes próprias da idade, ao mesmo tempo que quer ver desenhos animados no tablet. O júnior que ver as séries de Anime no TV que tem no quarto enquanto o cão quer ver a DogTV através da TV da cozinha. Como bom pai e chefe de família e dono de animal doméstico, basta-me gravar no disco rígido que montei no NAS todos estes conteúdos. E até posso criar pastas para cada utilizador. Aliás, posso criar acesso específico às pastas para cada membro familiar, com ou sem bloqueios. Este mundo não tem limites. Percebem a vantagem? Numa só caixa, todos os conteúdos para a família e cão que podem ser acessados por qualquer equipamento que esteja ligado à rede doméstica. E quem diz rede doméstica, diz WiFi ou PowerLan.
Estas baías são geralmente caixas feias e, como devem ser arrumadas na vertical, ocupam sempre o espaço de alguns livros. Temos também de ter o cuidado de lhes deixar espaço em redor para o arrefecimento. Sim, fazem algum barulho (devido à ventilação) e emanam calor. A capacidade de armazenamento é a capacidade do disco rígido e podemos comprar baías com espaço para um disco ou mais. Tudo depende das nossas necessidades. Só vos posso dizer que a minha vida doméstica e profissional mudou para melhor desde que adquiri um NAS para casa. E o exemplo que dei lá em cima quase que encaixa na minha utilização. Ainda por cima, não falamos de preços proibitivos: muito pelo contrário. Contudo, a QNAP veio revolucionar este conceito.
O HS-251+ é muito leve e pequeno. De formato horizontal, tem estrutura de alumínio escovado e o interior tem espaço para dois discos rígidos de 3,5 (ou 2,5, podemos escolher o que desejarmos e montá-los em RAID 0 ou 1). Uma pequena tampa frontal de plástico fosco destaca-se e monta-se facilmente, pois está “presa” por ímanes. Retirar as baías só precisa de um leve puxar e montar os discos só obriga a escolher os parafusos certos. Com tudo montado, a caixa pesa sensivelmente 2 kg, dependendo sempre do que lá montámos. O design é limpo e a construção exemplar. Outra das grandes vantagens está no painel traseiro: dupla Gigabit Ethernet, 2 USB 2.0 + 2 USB 3.0, HDMI (reprodução de vídeo em 1080p e capacidade de transcodificação de hardware) e botão power, tudo para fazer deste NAS uma espécie de videogravador, se é que se lembram dessa coisa do século passado. Desvantagens? O botão On/Off físico estar colocado na traseira e a inexistência de uma porta USB frontal para facilitar a conexão de uma pen.
Usei, por cortesia da Toshiba, um disco rígido de 3,5 com uns espantosos 5TB de capacidade. Este tipo de disco garante uma coisa: não precisamos de outro, pois cabe tudo lá dentro. Criei pastas para vídeo, fotos, música, jornais e revistas, alguns podcasts e ainda uns quantos ficheiros nos mais variados formatos. A questão com que nos deparamos é que este (e outros) QNAP convidam, através da net, à consulta de serviços de streaming de vídeo, por exemplo, que trata com grande à vontade e muita rapidez, ao mesmo tempo que pesquisa legendas no nosso idioma preferido. Fico, portanto, sem saber se vale a pena gastar tanto dinheiro num disco rígido volumoso. Se a nossa vida são séries e filmes, podemos optar por outra dinâmica de visualização. Os QNAP são centros multimedia e só temos de pesquisar, baixar e instalar a aplicação ou serviço que queremos. E, acreditem, há um mundo à nossa espera! Mas quero ainda voltar ao HDD, pois tenho um apontamento negativo em relação a este disco usado para a experiência: de enorme capacidade, demora mais tempo a responder, pois todo o processo ainda é mecânico. Contudo, essa demora acontece apenas quando se inicia o processo de pesquisa. A partir daí, tudo corre como se nada fosse. O maior problema é o ruído e, sendo o HS-251+ apontado exactamente pelo silêncio de operação, é “chato” estarmos sempre a ouvir a agulha a pesquisar e reproduzir o ficheiro. Não é nada de assustador, mas no meio da experiência fez-se notar.
O HS-251+ pode não parecer, mas é uma máquina para o utilizador comum. Mesmo assim, é preciso saber de tudo um pouco: informática, redes, aplicações e serviços. Mas este QNAP, ao contrário de outros, está preparado para ser instalado e imediatamente convidar-nos à interacção. Por exemplo, montei o Toshiba, liguei os cabos, fiz On e a primeira coisa que surge no ecrã TV são as normas de utilização, as definições básicas de sistema e o convite a pesquisar serviços extras para fazermos desta a nossa máquina principal. Para nos facilitar a vida, podemos clicar em https://www.qnap.com/i/pt/product_x_down/ para este novo mundo: App Center, aplicações móveis, Utilitários, etc. Basta clicar aqui (app center) para perceberem o que quero dizer. Tudo o que já usámos, usamos e queremos usar, está aqui. O comando é pequeno e impreciso? Custa escrever texto? Não há qualquer problema! Basta instalá-lo no smartphone ou tablet e temos outro mundo na mão.
Passemos ao hardware: o HS-251+ está equipado com um processador quad-core Intel Celeron J1900 a 2,4GHz com 2GB de RAM DDR3 arrefecidas passivamente. Aliás, o arrefecimento da unidade foi uma das principais dores de cabeça dos técnicos, pois sabemos que as ventoinhas fazem barulho e este modelo teria de ser silencioso. E a grande verdade é que conseguiram a magia: com uma arquitectura sem ventilador, é realmente silencioso, não fosse o barulho mecânico do disco que montei e que já mencionei. Não tive tempo, infelizmente, para montar um SSD, mas se o 251+ respondeu bem com a unidade montada, só posso adivinhar a velocidade e silêncio de operação com um qualquer SSD. Deve ser brutal! Mas… uma ventoinha que entrasse em funcionamento nos momentos “mais quentes” não me chocaria e, confesso, aliviaria.
QTS, estas três letrinhas são o sistema operativo que nos mostra como tudo funciona, sem ainda o passo da instalação de aplicativos. Através deles acessamos aos conteúdos como também, por meio do PC e da suite que podemos instalar, é fácil mover por arrasto os ítems que queremos para as pastas que entretanto vamos criando. Para a minha utilização, e porque sou fiel ao que gosto, fui logo fazer o download do VLC. Mas não era necessário e só encheu o menu. De qualquer forma, serve o exemplo para perceberem que tudo pode ser instalado, até o eMULA. Lembram-se?
O HD Station QNAP integra o poderoso reprodutor Kodi (que torna descenessário o VLC ou equivalente) e um browser web próprio. Pesquisar (principalmente através do smartphone) vídeos no YouTube é uma tarefa muito simples, assim como navegar na web com o Chrome ou Firefox.
A qualidade de imagem depende da qualidade do ficheiro. A 1080p tudo é permitido, principalmente se o televisor for moderno e compensar alguns glitches e artefactos digitais. Pausa e recomeço sem dramas, o som com até 7.1 canais de áudio sempre síncrono (mesmo após pausas demoradas) e as legendas, depois de escolher formato, lettering, ângulo, tamanho e sombra, sempre no tempo certo. Sim, um NAS com ligação HDMI é todo um mundo novo que serve até televisores mais antigos e que não possuam ligação à internet ou rede. Esta é a grande, enorme, vantagem do HS-251+ e que vale todo um propósito.
O HS-251+ oferece transcodificação de vídeo superior e movimento 1080p para converter vídeos em formatos que podem ser facilmente reproduzidos em computadores, dispositivos móveis e Smart TVs. Permite ainda múltiplos dispositivos para exibir simultaneamente diferentes vídeos armazenados no HS-251+.
Ficaram com uma ideia geral, pois isto é equipamento que se vai descobrindo um pouco todos os dias à medida das necessidades. É muito versátil e uma máquina de base que permite reunir várias outras nela própria, ainda por cima com uma dimensão e pesos pluma. De salientar que é o silêncio de operação e a ligação HDMI, assim como o pequeno comando IR, que o torna realmente diferente dos demais e que permite que ele funcione sozinho, directamente ligado a um TV, sem qualquer outra ligação (a não ser à rede ou internet). Fica dispendioso se lhe adicionarmos um SSD de 256, mas na verdade, é máquina que se vai aguentar uns valentes anos como centro nevrálgico de uma casa com muitas pessoas dependentes de conteúdos AV. O maior problema para que aconteça um enorme sucesso é o preço ao qual ainda temos de somar o do disco rígido. Mas vale bem a pena.
PVP: 405€












