É de assinalar a diferença qualitativa entre Buds, principalmente quando o form factor praticamente não se alterou

Fazia tempo que queria experimentar os famosos Buds da Samsung, os auriculares sem fio da marca sul-coreana para competir contra as esbranquiçadas soluções da Apple e os muito sofisticados Sony.

O meu passado musical fez-me passar horas infinitas de auscultadores nos ouvidos. À época não havia coisas tão modernas e sofisticadas como o cancelamento de ruído, e para o som chegar às conchas era mesmo necessário um cabo. Um cabo ou dois, pois tive alguns auscultadores que alimentavam cada concha pelo seu cabo específico. E, atenção, não é uma crítica que faço, pelo contrário.

Ora desde lá até agora muito mudou. Mas na verdade, continuo dependente de cabos quando quero ouvir música. Atenção, disse ouvir e não escutar. É que, na minha óptica são coisas diferentes, tal como é grande a diferença entre óptica com P e ótica sem P que o madrasto acordo ortográfico unificou criando um erro básico e dramático.

Bud(s) Spencer VS Terence Hill

Antes de chegar aos Buds propriamente ditos, permitam-me outra viagem em que recupero essa grande figura, em todos os sentidos, Bud Spencer. Quem viu filmes do famoso sub-género western spaghetti, divertiu-se às pampas com as aventuras do Trinitá, esse cowboy insolente protagonizado pela dupla Bud Spencer e  Terence Hill.

Esta minha lembrança não chega aqui por acaso: é que posso inclusive ajuizar sobre os Buds originais e esta segunda edição denominada Buds+ ou Plus. Vamos supor que os primeiros Buds, que me chegaram na caixa que também transportava o famoso Samsung Galaxy Fold na sua segunda fórmula, possam ser associados ao Bud Spencer.

O som é encorpado, muito baseado nos médios, e com agudos bastante presentes, ou seja, como um murro de mão aberta que era um dos toques pessoais do actor ou personagem dos filmes mencionados. Não fiquei fã, confesso, depois de ter apreciado os Huawei Freebuds 3 (link aqui) que, confesso, ultrapassaram as expectativas, e de compará-los, injustamente sei bem, aos Sony WF-1000XM3 (link aqui), até agora triunfantes com o seu ceptro de primeiro lugar intocável .

Iguais mas diferentes

Mas é dos Buds+ que quero tratar porque, incrivelmente, são praticamente idênticos em tamanho e design. A cor que me chegou foi um moderno azul claro, com tons espelhados, que dão um bocado nas vistas quando os usamos. Mesmo a caixa, também em azul, é moldada da anterior, com uma pequenita alteração na localização dos leds de carga.

De salientar que a caixa é recarregada através de USB-C mas também por indução, desde que tenhamos uma base ou smartphone que permita a carga sem fios.

O encaixe nas orelhas é francamente bom, e desde que percebamos qual é o esquerdo e direito, o que requer alguns dias de utilização, são muito simples de colocar nos ouvidos e não bamboleiam e nem caem, mesmo quando tudo fiz abanando violentamente a cabeça que mais parecia estar a servir de saco de pancada do Bud Spencer.

Atenção que podemos e devemos mudar as borrachas que entram no ouvido assim também como as abas que os entalam na nossa orelha, portanto, convém gastar algum tempo e experimentar os moldes que vêm no pacote para conseguirmos o set perfeito. Faz muita diferença, garanto-vos.

A parceria AKG

A Samsung tem há muito tempo uma parceria com a germânica AKG e não é por acaso que a legenda “sound by AKG” vem bem descrita por baixo do lototipo oficial. É que, quem já usou os auriculares com fio que têm acompanhado os topos de gama Galaxy, percebe imediatamente que a AKG sabe muito bem o que anda a fazer, emprestando muita tecnologia e outra tanta sabedoria técnica a este acessório que é indispensável hoje em dia.

O ecossistema da Samsung liga automaticamente os Buds depois do primeiro emparelhamento. A App tem diversos settings, alteramos inclusive o nível de cancelamento de ruído, pois por vezes é bom ouvir o trânsito que nos envolve.

Há três selecções pré-determinados, mas outros passos importantes como o equalizador e tudo o mais.

Tal como no Trinitá, Terence era elegante e equilibrado ao contrário de Spencer que era pesado e mais terra a terra. E é essa a grande diferente entre os Buds e os Buds+, sendo que a nova versão é um Terence alto, mais sofisticado e com muito melhor aspecto sonoro que o seu amigalhaço.

Os Buds+ têm mais graves, estão mais presentes e envolvem-nos com maior graciosidade. O cancelamento de ruído está mais polido e eficaz, devido à presença de dois microfones em vez de um e isto em cada auricular, o que não sendo uma grande diferença no papel é, no mínimo, notória para quem pode fazer a comparação directa.

Bateria dobra tempo

A bateria também aumentou e agora temos 11 horas de reprodução, quase o dobro da versão anterior, e a caixa também garante maior autonomia para mais cargas. Mas melhor são os três minutos de carga para uma hora de reprodução, o que é admirável. Esta diferença de tempos é apenas brutal quando comparada à anterior pois os Buds+ são basicamente idênticos aos anteriores o que demonstra que toda a evolução foi feita “debaixo do capot”.

O valor ronda os 170 euros o que é francamente ajustado para a qualidade e sofisticação que a Samsung nos coloca nos ouvidos. Não é o melhor som do mercado, não tem o melhor design, mas os Buds+ são francamente bons tendo em conta a relação qualidade/preço e não andam longe de modelos que rondam os 200 euros.

Para acabar em beleza e ao estilo do mais puro storytelling, aponto os Samsung Buds+ como o acessório perfeito para ouvir música enquanto nos deitamos numa espécie de maca ao sermos puxados por um cavalo numa viagem bem descontraída e muito longa. Tal como o Trinitá.

E sim, para efeitos de crítica cinematográfica, o verdadeiro nome de Terence Hill era Mario Girotti.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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