Galaxy-S6-vs-Galaxy-S6-Edge-Displays

A Samsung prometeu mundos e fundos para os novos topos de gama Galaxy, o S6 e o S6 Edge, e deixou todo o mercado em expectativa. O caso não era para menos: do plástico passou-se para o metal e vidro, com acabamentos topo de gama e um visual de arromba. Finalmente, um Galaxy S à altura dos concorrentes também no aspecto físico.

Foram-me entregues de uma assentada os dois modelos, o clássico S6 em tom azul escuro e o arredondado S6 Edge num verde escuro saphira bastante elegante. Medi os dois, pesei-os, liguei-os, mexi-lhes e… deixei-me encantar pelo ecrã arredondado do Edge e pela moldura metálica que, num belo truque de design, faz parecer este fantástico e apelativo Galaxy bem mais fino do que realmente é.

Vamos aos factos semelhantes a ambos os modelos: processador Exynos 7420, Quad-core 1.5 GHz Cortex-A53 + Quad-core 2.1 GHz Cortex-A57, 3 GB de RAM em versões com 32/64/128 GB. Atenção, muita atenção a este pormenor, pois a Samsung deixou de lado a ranhura para cartões microSD. À imagem da arqui-rival Apple, e deitando fora um dos factores plus dos terminais Android, deixamos de poder aumentar a memória do telefone… o que implica ter de gastar muito mais dinheiro que custam as versões de 64 ou, para os muito bem na vida, 128 GB. Terá a Samsung dado um tiro no pé neste caso? Quanto a mim, sim. É inevitável a crítica, se bem que a aceitasse no S6 Edge devido à “falta de espaço” mesmo colocando a ranhura para o SIM no topo. Mas tal limitação não se verifica no S6 o que me faria equacionar a escolha no momento da compra. E, atenção, essa seria também uma mais valia do modelo tradicional em relação ao disruptivo S6 Edge que, com boa vontade, aceita-se o argumento que a espessura e o design impõem falta de espaço… ou talvez não. Convém dar uma olhada no que a Huawei anda a fazer…

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Continuando, ambos já estão equipados de raiz com a Android Lollipop 5.0.2 e com um desenvolvido, muito melhorado e simplificado interface TouchWiz que, finalmente, é utilizável sem espremer a RAM e a bateria até à exaustão e que me fez torcer o nariz aquando o ensaio ao S5. Os ecrãs, bem diferentes, são muito bons. O S6 tem 5.1” Super Amoled com 2560 x 1440 pixels e apresenta uma qualidade top e digna de registo com cores muito realistas (ao contrário do que é comum nos produtos coreanos) e de facilitada leitura sob luz solar, para além de que permite ler textos com menos esforço. No caso do S6 Edge, os extremos arredondados são uma faca de dois gumes. Se visualmente é um espanto, escrever uma simples SMS torna-se complicado por causa do próprio limite que as dobras do ecrã impõem, para além de que temos menos tela “útil”. Por outro lado, as funções de menus laterais (arrasto para a direita mostra a lista de contactos preferidos, arrasto de cima para baixo mostra conteúdos, como notícias – e podemos instalar diversos menus e feeders RSS) são apenas fabulosas e mostram o potencial desta nova fórmula surgida no primeiro Edge de 2014.

Mal os ligamos, passamos algum tempo a pressionar o botão frontal que tem dupla função como analisador de impressão digital e multi-função. Se bem que para quem nunca usou um sensor deste tipo é uma novidade que enche o olho, irão perceber que no dia a dia este é daqueles passos monótonos e até chatos, principalmente se o smartphone tiver uma utilização intensa. Ao lado do flash, outro sensor, mas este mais dirigido à nossa própria saúde: através da app S-Health, mede os batimentos cardíacos e faz de médico, mostrando o nível de stress, entre outras informações mais ou menos úteis. Também duplica função como disparador fotográfico, bem localizado e útil para as omnipresentes selfies. Boa malha, Samsung!

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Evoluir um conceito de design e aumentar a qualidade dos materiais resulta sempre em grandes mudanças. No caso dos novos S6, abandonar a capa de plástico e optar por vidro faz com que deixemos de ter acesso à bateria, agora inamovível. Mas é de 2550mAh e aguenta-se um dia sem grandes stresses (mais vale ir medindo o nosso através do sensor). Há vantagens no vidro, a principal sendo o menor aquecimento de todo o aparelho. Mas pode ser sol de pouca dura: o meu Xperia Z2 tem vindo a aumentar a temperatura em funcionamento normal, sem grandes razões, e parece que não é o único. Como também tem vidro atrás, pode ser um mau presságio para o S6.

Gostei bastante de alguma aplicações já características desta gama da Samsung, e que me continuam a cativar, como uma página inteira de notícias como ecrã principal à esquerda. Facilita em muito a consulta aos “bitaites” do dia. O Flipboard, que uso em todas as plataformas possíveis, enche o ecrã e o olho. Muito boa relação com este UI.

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Deixo para o final a questão da câmara fotográfica, por muitos apontada como um dos sectores chave num… telemóvel. Ok, não serei eu a desdizer-lhe a importância, mais a mais porque a uso constantemente. Mas as revistas e os fóruns estão cheios de opiniões e dúvidas sobre qual é a melhor câmara do momento. E eu digo-vos sem pudor: a presente no Xperia Z2/Z3 continua difícil de ultrapassar (também com Apps dedicadas, como o Defocus) e as mais recentes que equipam o glorioso LG G4 (o grande adversário deste S6/S6 Edge) e o Huawei P8, com truques e filtros criativos dignos de registo e que podem apreciar aqui. Ah… e o Apple? Pois não sei. É inexistente a presença da Apple em Portugal (em termos de representação) e não posso compará-lo.

Mesmo com adversárias à altura, tenho de salientar a extrema qualidade desta unidade fotográfica. É, em tudo, fabulosa. Imagens muito definidas, cores perfeitas, ajustes manuais muito compreensíveis e resultados excepcionais. O Flash LED pode ser uma mais valia, mas confesso que é das funções (qualquer tipo de flash) que raramente utilizo. De qualquer forma, saliento a hegemonia da “flashada” menos impactante nos rostos e iluminando homogeneamente parte do “décor”. Num ponto esta câmara não é tão fabulosa quanto a do LG: o “Afterzoom” é inexcedível na concorrente directa.

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Não tive tempo para brincar aos realizadores, portanto não vou falar da qualidade vídeo. Perdoem-me, mas foram poucos dias de utilização.

Mas e então, qual escolher: o S6 ou o S6 Edge?

Muito sinceramente? Escolho o Edge apenas porque é diferente e aquele ecrã cativa. Mas se tivesse mesmo de escolher um para o dia a dia, aí teria de optar pelo ecrã tradicional, pois escrevo muitas peças no próprio smartphone (há quem continue a usar laptops). Neste caso, seria impensável optar pelo Edge. Mas, como utilizador fashion ou cool, saberia bem por qual optar.

Dois telefones, dois mundos. E no preço também.

Galaxy S6 (32GB) PVP: 699,90€

Galaxy S6 Edge (32 GB) PVP: 849,90€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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