Muitos utilizadores de equipamentos móveis estão já habituados a confiar, quiçá conversar, com a sua assistente pessoal… digital. Cada sistema operativo tem uma designação mais ou menos humana com avatar a acompanhar: a Apple confia na Siri, a Microsoft na Cortana e a Amazon na dedicada Alexa. Sabemos bem o que elas podem fazer no dia a dia, desde relembrar assuntos, alarmes, reuniões, listas por fazer, aniversários, enfim, tudo o que temos na agenda e, também e porque não, alguma companhia.
E é aqui que a coisa se torna interessante! Ainda estamos longe (bem, não muito longe) em conseguir estabelecer uma conversa “tu cá, tu lá” com uma destas assistentes, mas relembrem a voz de Scarlett Johansson que dá quase corpo a Samantha no filme “Her” ou, ainda mais desenvolvida, o robot Ava em Ex Machina. Um recente artigo da MIT toca num ponto muito interessante: para existir uma assistente pessoal digital, alguém terá de construir a personalidade, maneirismos, sentido de humor, capacidade de interacção com o interlocutor e muitos etecétera, para a tornar verosímil. E, pasme-se, são precisas pessoas para essa tarefa, pessoas reais e de uma casta social e historicamente maltratada: falo dos criativos, desde escritores de ficção a comediantes, passando por poetas a pensadores, em suma, os mais sensíveis e os mais conhecedores do que é o “bicho homem”.
O gigante global que conseguir criar a Assistente mais humanizada ganhará, com toda a certeza, esse pedaço de futuro. Principalmente numa sociedade contemporânea em que estamos cada vez fisicamente mais afastados uns dos outros e que contamos com as redes sociais para manter – ou conseguir – um certo tipo de contacto humano.
Mas levanta-se outra questão: porque temos apenas mulheres neste campeonato? Porque os estudos garantem que respondemos melhor às vozes e corpos femininos. Será uma questão de ventre? Conforto? Confiança?
– Hello Siri, what do you think about that?
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