Fiz a comparação possível entre o Samsung Galaxy Fold, o “duplo” LG G8X e o Huawei Mate X. Percebi-os, são adoráveis, mas demasiado caros. Será cedo demais ou uma aposta segura?
O mundo dobrou-se perante um organismo viral que transformou a vida no planeta, mais dos ricos e remediados que dos pobres, e viu-se assim confinado.
Uma das áreas que mais sofre com um confinamento económico e a sua possível e demorada recuperação é a da tecnologia.
Por um lado, há segmentos que nunca venderam tanto, impulsionados pelo denominado teletrabalho. Portanto, computadores, webcams, microfones, pequenas colunas, alguns acessórios, desde stands a cabos, esgotaram os stocks. Mas, por outro lado, aquele tipo de equipamentos que não são de primeira necessidade para trabalhar, como todos os restantes, ficaram nas prateleiras. E aqui encontramos os smartphones. Sim, são muito importantes para trabalhar, mas qualquer modelo com um, dois ou três anos, garante excelente imagem e som para se poder fazer uma conferência online, independentemente das plataformas escolhidas.
Ora está na hora para, depois de todos falarem e admirarem e confundirem projectos e soluções, para falar na minha experiência com a nova moda dos smartphopnes dobráveis que pareciam estar a caminhar para uma presença física extraordinária já no próximo ano e que, num repente, foram relegados à sua verdadeira importância. E essa é apenas uma: o luxo e a ostentação.
Ora vamos lá ver. Nem todos os dobráveis são maus, mas nem todos são bons
Tive na mão três das quatro soluções que estão no mercado nacional. Consegui viver e adaptar-me ao Samsung Galaxy Fold (segunda versão) durante mais de três semanas, as mesmas que fui descobrindo os benefícios do ecrã duplo, denominado Dual screen, do fantástico LG G8X. Consegui parcos minutos físicos com a solução da Huawei, o muito bonito Mate X.
Não vou perder nem o vosso nem o meu tempo com um rodilho de características técnicas, pois estamos a falar dos topos de gama das marcas mencionadas e todas estão disponíveis nos sites oficiais, mas vou explicar brevemente, porque até já passaram uns meses de confinamento, qual foi a real experiência física com cada um.
Comecemos pelo Galaxy Fold
Calhou-me a versão revista e melhorada, já sem os problemas que muitos youtubers criaram ao retirar a capa protectora do ecrã, e com o sistema rotativo mais conseguido e repelente de poeiras e detritos.
É, para todos os efeitos, um smartphone que vale por dois, ou seja, até a própria construção o não esconde, pois temos modelos tão finos como cada uma das partes. É grande, duplo, pesado, mas bem construído. Parece um tanque contra tudo e todos e é, verdadeiramente, uma arma de defesa pessoal que cria mossa bem atirada e apontada a alguém.
O ecrã frontal é pequeno, não vai de uma ponta à outra do chassis, mas é muito utilizável e acima de tudo prático, pois escusa-nos de abrir o Fold. Tudo se faz, desde as selfies às fotos de qualidade com a tripla câmara traseira que é em quase tudo moldada dos modelos Galaxy de topo, mas na verdade, e esta é que é a importância, 80% das vezes que o agarrava abria-o. Tinha esse impulso, o ver um ecrã gigante mesmo num formato quadrado. Tudo tem outra vida, as aplicações sociais ganham nova dimensão, os vídeos youtube ou outros são perfeitamente visíveis e o som está a condizer.

O Fold obriga à abertura, é essa a minha conclusão, e faz-nos felizes devido ao acesso à janela para o mundo. E, na verdade, deixei o tablet que uso para trás durante essas semanas. Pura e simplesmente não valia a pena estar a ir buscá-lo para continuar a ver a série netflixiana que acompanhava à altura.
O Galaxy Fold é um excelente investimento para quem pode e para quem quer ter apenas um gadget para multi serviço, pois a sua dimensão também permite fazer dele um processador de texto e um editor de peças no wordpress, com a vantagem de ter as músicas e as fotografias alojadas na sua imensa memória de raiz. Basta juntar um míni teclado por bluetooth e temos um computador. Ou então ligá-lo via DEX a um monitor tradicional. O Fold é uma máquina de trabalho e tem uma grande vantagem em comparação com o adversário da Huawei.
Capa mágica com duplo ecrã
Antes desse, espaço para a surpresa que foi o LG G8X ThinQ. Ao contrário do Samsung e do Huawei, não é um dobrável, mas um smartphone tradicional. A solução encontrada pela LG é que é engenhosa e vale por dois, ou seja, e na caixa se o quisermos comprar com preço simpático, o G8X tem também uma capa que é paralelamente um segundo ecrã. E, atenção, funciona tal e qual como o espelho do principal, tendo até um bug que é replicar o punch hole da câmara frontal onde ela não existe. Mas nem me preocupei com isso, tal a vantagem que é ter esta solução na mão.

Ou seja, para uma utilização normal, diária, tradicional, o G8X é um telefone igual aos outros, mas com grande qualidade de construção e um conjunto de câmaras que nos prometem um mundo cinematográfico sem paralelo. Sim, também tem uns movimentos com as mãos, mas esqueçam que não funcionam sem nos dar cabo da paciência.
Mas é quando se junta à capa/ecrã que todo um mundo novo nos é revelado. Esta solução passa a ser tão prática quanto polivalente. Por exemplo, podemos usar o ecrã principal como teclado e o segundo como monitor de texto e assim passamos a ter um míni computador. Dependendo dos jogos e dos aplicativos, podemos usar ambos os ecrãs para a jogatana digital, tanto em conjunto, como escolher um ecrã para os comandos, enquanto vemos o jogo no outro.
Este segundo ecrã roda sobre ele próprio, ou seja, não é sequer necessário retirar a capa para poder usar o G8X de forma tradicional, como um simples telefone. A qualidade e o brilho não são idênticas mas, quanto a mim, o resultado do conjunto serve todas as necessidades e, quanto a mim, não é uma solução a caminho da final, é mesmo uma solução séria, capaz e muito original. Quiçá a mais interessante do trio.
Por falar em trio, termino com a experiência que tive com o Huawei Mate X

Huawei Mate Xs
De longe é o mais bonito, o mais elegante, com um extraordinário ecrã que se dobra para dentro. Mas também de longe, é o que aparente ser mais frágil e que nos vão manter o credo na boca cada vez que o deixarmos cair, tocar numa mesa, ser arranhado pela chave ou moedas que temos no bolso.

Huawei Mate Xs
Não tive mais que cinco minutos com ele aquando o seu lançamento em Lisboa, portanto, também não posso opinar sobre a possível utilização diária que lhe daria, o que é pena, mas a marca terá, actualmente, outros meios bem mais populares para opinar e analisar as suas gamas.
A concha
Portanto, restou-me analisar o “Zé Filipe”, como carinhosamente tratamos o Samsung Z Flip, uma fórmula muito diferente em formato concha e que pode muito bem apelar a toda a minha geração que usou inúmeros modelos com essa forma.
Ficará agora para o Verão e esperará pela possível, porque anunciada, concorrência da Motorola… mas isso…. vamos lá ver se acontece.

samsung galaxy z flip
Resta-me chegar à conclusão: neste momento, a minha opção recairia no conceito da LG por ser menos volumoso, oferecer-me tudo o que pretendo num smartphone tradicional e, quando preciso, juntar-lhe a capa/ecrã para poder expandir as minhas necessidades. Não é tão vistoso, claro, mas é muito, mas muito mais barato. Atenção, MUITO mais barato.
E em tempos de contenção, esse factor passou a ser também prioritário.















