Os novos Sony Xperia XZ3 e XA2Plus vão tentar reconquistar um lugar ao sol. E pelo apresentado, têm todas as hipóteses para apanhar um valente escaldão.
A Sony continua a ser uma das minhas marcas favoritas. Talvez porque me rodeei por Black Tinitrons e Walkmans ao longo de uma vida.
Fui defensor acérrimo (e continuo a sê-lo) do Betamax, tal como do MiniDisc, e da extraordinária DAT.
Comprei tudo o que havia para comprar, desde os primeiros Vaio ao primeiro Walkman Vaio (sim, existiu).
E, logicamente, tenho ainda comigo os primeiros Z ainda Sony, depois passei pela colecção dos Sony-Ericsson e, finalmente, fui um fiel servidor da causa Xperia.
E neste momento de um novo lançamento duplo da marca em Portugal (e no mundo), o que tenho na mão é um smartphone não japonês mas chinês. Que tragédia aconteceu?

Como a Sony deu tiros no pé
A Sony, em pouco mais de uma dúzia de anos, perdeu parte do norte. É uma gigante que actua(va) em quase todos os segmentos e departamentos tecnológicos e, como todas as gigantes, foi difícil passar incólume por duas ou três grandes crises internacionais.
Mas essa é parte da história e do motivo que levou a um crescendo de erros de análise do mercado o que provocou passos em falso.
De década em década vimos desaparecer muito segmento, como os portáteis VAIO, e o que seria bem mais grave, a marca BRAVIA poderia ser vendida, pois ninguém consegue vender bons produtos combatendo os preços da LG e a Samsung.
A Sony conseguiu manter essa honra viva e, numa nota pessoal, ainda bem.
O segmento dos smartphones tem sido duro. Toda a gente sabe que um Xperia é melhor que muitos outros. Que é melhor construído, que é raro ter problemas, etc. e tal. Mas quando chegam à loja encontram outras propostas mais baratas e “mais” avançadas. A escolha é simples.

Um dos lemas da Sony tem sido aplicar as novas linguagens (tecnológicas ou design, para citar algumas) após essas terem dado provas que são realmente boas e estáveis.
Só a Sony pensa assim! E enquanto faz isso, já a concorrência vai lá muito à frente.
O resultado tem sido catastrófico. E, o pior, é que também é mal ajuizada de vez em vez. O “caso Cristina”, apresentadora de programas populares televisivos, nunca poderia ter sido eleita como embaixadora para um Xperia topo de gama.
E muito menos um cómico que foi a seguinte escolha.
A questão de associar caras ou imagens às marcas pode dar um impulso imediato na notoriedade e nas vendas. Mas existe um lema milenar: “depressa e bem não há quem“.
Os preços associados e desfasados do tempo ajudaram ao fracasso de vendas e à pouca notoriedade que os Xperia têm hoje em dia em Portugal.

A hora da mudança
Mas depois da tempestade vem a bonança!
E os jornalistas foram confrontados com uma nova atitude na apresentação dos dois novos smartphones. Pode ser que o caminho em frente seja bem menos tortuoso e que a Sony seja brindada com a atenção que os seus produtos merecem.
Agora que a prosa vai longa, vamos a eles!

Sony Xperia XA2 Plus
Confesso-vos: o smartphone é deveras bonito mantendo ainda alguns traços do design passado (e que eu adoro) da gama Xperia.
Com um imenso ecrã de 6″ com formato 18:9, tem qualidade FHD+, um corpo metálico e vidro muito bonito e elegante e que assenta bem na mão.
Características há muitas, como podem observar na fotografia abaixo, mas as grandes diferenças para o irmão topo de gama são o processador que aqui surge na versão Qualcomm Snapdragon 630, 4 / 32 GB de RAM/ROM, expansível naturalmente através de cartão de memória.

Com duas belas câmaras com qualidade mais que suficiente para podermos brilhar enquanto fotógrafos de viagem (principal com 23 MP, Zoom 5x, estabilização e tudo o mais, a câmara frontal tem 8 MP e grande angular para apanhar toooooodos os amigos.
Acima de tudo, e para além do design perceptível e da sua qualidade de construção, o que salta à vista e pode fazer deste XA2 Plus um sério sucesso de vendas é o preço: 399€! Dá que pensar.
Sony Xperia XZ3
Meio ano apenas após o lançamento do XZ2, eis que o sucessor se revela em toda a sua performance.
Ok, antes de mais, porque se “mata” assim um modelo tão recente?
A Sony lá terá as suas razões, entre elas o atraso na implementação de algumas funções e uns quantos erros de concepção. Não é que seja um mau telefone. Foi apenas lançado depois do timing e não conseguiu combater os flashgips concorrentes.
O Xperia XZ3 é um belíssimo telefone e tem factores diferenciadores muito apelativos, embora aqui e ali teime em certos erros que já fazem parte de uma certa forma de estar no mundo (alguma teimosia como a manutenção do sensor ID num espaço pouco comum).
O novo topo de gama apresenta-se totalmente curvo e arredondado. Não há uma aresta, num canto, nada! É orgânico e, ao contrário do antecessor, não escorrega tão facilmente da mão.

A Sony aposta num ecrã de 6″ OLED QDR + HDR com todas as vantagens e know-how que foi buscar ao banco das TV Oled Bravia.
O resultado na mão é extraordinário, uma qualidade de imagem que entusiasma, principalmente se optarmos por ligar o sistema de vibração dinâmica (uma espécie de caixa de ressonância).
Esta faz com que o smartphone vibre o que potencia o som que, através de duas novas colunas estéreo e com mais 20% de potência, eclipsam qualquer equipamento adversário e actual que esteja nas prateleiras.
Existem curiosidades interessantes neste XZ3 como o novo UI que faz uso de uma acção denominada Side Sense que utiliza a inteligência artificial para ir aprendendo os nossos gostos.
Este Side Sense acciona por toque lateral nas duas margens do corpo dianteiro para fazer surgir um sub menu lateral, muito à imagem do que a Samsung oferece com o seu side screen.
Merece alguma habituação, pois é diferente e obriga a um certo toque com uma certa força, mas é daquele tipo de coisas que gosto num telefone de topo e que me abre o sorriso.
As câmaras da Sony são sobejamente conhecidas.
No XZ3 temos como principal uma unidade de 19 MP com Motion Eye e a frontal é a unidade de 13 MP que já tem um par e anos e foi “rebuscada”. Ambas gravam vídeo em 4K HDR, e podemos brilhar com o Super Slow Motion a 960FPS em Full HD.
Para brincar aos avatares, a Sony está muito à frente da concorrência com o 3D Creator que agora até facilita acções com expressões faciais. Sim, mete um bocado de medo tipo Chucky.


















