
Quando pensares em sair de onde estás, sai, mas atenta que “Paradise City’s” só mesmo para o Axl Rose e todos sabemos que não deu bom resultado… Uma das minhas missões (digamos que forçada) tem sido responder a mil perguntas sobre Londres: “Como é viver aí?”, “Estou a pensar em dar o salto, o que faço?” e muitos etecéteras.
Infelizmente, mais que responder a mil questões para que, sinceramente, nem para metade tenho resposta, ainda arco estoicamente com preconceitos vindos lá dos meados dos anos 90: “Agora a viver aí, estás à grande, é só libras”, que além de absurdos, são absoluta e completamente alarves (desculpem, saiu-me). Cheguei a Londres em Março de 2014, antes do Estado Islâmico ser o hit do momento, antes do Bataclan e antes de Bruxelas, do Egipto e da Turquia.
Cheguei sem nunca antes ter posto o pé na cidade e apenas com um mapa de papel na mão, pois o bendito iPhone ficou em Portugal levado por um azar poucos meses antes desta grande mudança. Resumindo e concluindo, cheguei feita uma mulher da Idade da Pedra, mas nem contra todas as expectativas desisti. De rua em rua, de pergunta em pergunta, lá fui fazendo tudo o que tinha para fazer.
Casa? Já a trazia tratada de Lisboa, que isto de aventuras é muito giro mas para mim tem limites – nascer velha obriga a manter o controlo de tudo e mais alguma coisa -. Optei pelos serviços de uma agência brasileira de arrendamento de quartos que, deixem-me que vos diga, ajudou e muito nesta mudança. Encontrar um local para pernoitar e juntar uns tarecos nesta cidade é tão ou mais difícil que encontrar uma agulha num palheiro. Um dos meus conselhos para quem está com ideias de “dar o pulo” para aqui é simples: comecem a tratar de tudo ainda por aí, mesmo que sentados no sofá da sala, ou preparem-se física e psicologicamente para se aninharem ao lado dos sem abrigo debaixo da London Bridge.
Conta bancária aberta, inscrição no sistema nacional de saúde, número de segurança social e trabalho: check! E agora… e agora que se perdeu a adrenalina inicial? E agora como me comporto, pois que Londres é o passaporte para crescer à pressa? E agora, porque num repente, é obrigatório ser-se adulto, mas à séria, não como aqueles que se adiam até aos 30 porque lhes sabe bem o conforto do lar paternal? Não desesperem, há soluções!
Para a semana, começaremos um guia de sobrevivência para os actuais e futuros Londrugas, com todas as dicas, melhores spots e as apps essenciais para a sobrevivência nesta metrópole!




