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Trump liberta a IA dos direitos de autor e declara guerra ao “woke digital”

João Gata por João Gata
Julho 24, 2025
Trump liberta a IA dos direitos de autor e declara guerra ao “woke digital”
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Trump IA MAga VS Direitos de autor e copuright

Se a Inteligência Artificial (IA) tem olhos e ouvidos no YouTube, Spotify, livros, revistas, e tudo o que é cultura digital, quem lhe paga os direitos de autor? A resposta, segundo Donald Trump, é simples: ninguém!

Numa jogada que ainda vai fazer correr muita tinta (isto seria verdade se Trump soubesse ler), a administração norte-americana decidiu que as empresas de tecnologia não terão de pagar por cada artigo, livro, música ou vídeo utilizado no treino de modelos de inteligência artificial. O argumento? “Não é fazível!!!”, palavras do próprio Trump numa cimeira em Silicon Valley, promovida pelo podcast All-In.

“Não se pode construir uma IA viável se cada pedaço de conteúdo usado tiver de ser licenciado. Sabemos que é delicado… mas não há forma de o fazer.”

IA sem travão e sem factura

Na prática, esta decisão livra gigantes como OpenAI, Meta, Google e afins de contas milionárias e processos infindáveis. Deixa do outro lado artistas, escritores, editoras e jornalistas a perguntar: “E agora, como vou pagar as contas, principalmente em Portugal com o IVA a 23%?”.

A batalha pelos direitos de autor na era da IA não é nova, mas a Casa Branca acaba de atirar gasolina para a fogueira com um plano de 28 páginas que recomenda:

  • Menos regulação;
  • Nenhum pagamento por conteúdos usados em treino;
  • “Castigo” a estados que criem leis “demasiado restritivas”.

Ah, e com o selo ideológico habitual: só IA “livre de livres de ideologias identitárias e neutras em relação a agendas sociais ou seja, tudo o que implique Wokismo” terá acesso a contratos públicos.

David Sacks: o “czar” da IA made in MAGA

A mente doente por trás desta política é David Sacks, co-apresentador do All-In Podcast e agora o novo “czar” da IA e cripto da administração.
Foi ele quem desenhou o plano para uma “corrida da IA contra a China” – sem regras, sem filtros e sem burocracia. “A inovação é prioridade. O resto resolve-se depois”, resume Sacks.

A IA já não precisa pedir licença

Do ponto de vista legal, a questão é delicada. Há decisões judiciais nos EUA que sugerem que a IA, por ser “transformativa”, pode invocar uso justo (fair use).
Ou seja: usar conteúdo protegido para aprender, sem o copiar literalmente, não é considerado violação de direitos.

Mas isso deixa o sistema criativo exposto. E se a tua música, o teu livro ou o teu texto estiver a ser usado para treinar IA sem qualquer controlo? Tens de aceitar isso como “fazer parte do progresso”? E, afinal, qual progresso, o norte-americano? É que este princípio não vai dividir águas criativas por país ou continente…

Reações? De guerra!

Enquanto a Chamber of Progress e outros grupos tech aplaudem a decisão como “bom senso aplicado à tecnologia”, no Senado Norte-americano surgem vozes em sentido contrário.
Josh Hawley e Richard Blumenthal avançaram com um projecto de lei que pretende proibir explicitamente o treino de IA com obras protegidas sem permissão.

Este duelo político pode definir o futuro da cultura digital nos EUA e no resto do mundo.

E a Europa, fica a ver (como sempre)?

Na Europa, onde o AI Act aposta em ética, transparência e direitos dos criadores, a postura norte-americana levanta problemas.
Vamos assistir à erosão dos direitos de autor em nome da inovação?
Ou conseguirá o Velho Continente impor um modelo mais equilibrado?

Com Trump, a IA poderá fazer tudo e mais alguma coisa?

Ao declarar que “pagar não é exequível”, Trump e companhia definem o novo normal da Inteligência Artificial: treina tudo, absorve tudo, usa tudo e não paga nada!

Será isto o novo “roubar como um artista”, versão algorítmica? Ou o início do fim do respeito pelos criadores humanos?

O que é certo é que esta guerra está longe de terminada. E os próximos capítulos podem reescrever não só o futuro da IA, mas da própria cultura digital.

Tags: AIDaqvid SacksDireitos de autorDonald TrumpIAIA VS WokeJosh HawleyRichard Blumenthal
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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