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Uma reflexão sobre a evolução dos Podcasts: o fim está próximo?

João Gata por João Gata
Maio 7, 2024
Uma reflexão sobre a evolução dos Podcasts: o fim está próximo?
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podcasts para freelancers

Como podcaster que sou, encontro-me a contemplar esta afamada indústria dos Podcasts que, para quem neles trabalha, é um cosmos em constante metamorfose. A era pós-COVID deixou-a vulnerável, e uma quase imperceptível mudança na Apple, ainda a gigante dos podcasts, abalou as fundações que se julgavam estáveis.

Apple, a influencer esquiva

É que nos tempos idos (e dourados dos podcasts) a Apple inflacionava os números de downloads, descarregando automaticamente episódios de shows subscritos, mesmo que não fossem ouvidos. Leram bem, mesmo que não fossem ouvidos!!! O The Daily e o Dateline, por exemplo, gabavam-se de ultrapassar mil milhões de downloads, mas esses números não eram verdadeiros nem o reflexo da realidade.

Avisada, amedrontada ou esquiva, a Apple mudou de política: só há downloads automáticos para quem ouve, pelo menos, cinco episódios ao longo de 15 dias. Para os ouvintes ocasionais, a contagem parou. O resultado? Uma queda dramática nos downloads, especialmente para programas com publicações frequentes.

O choque

A descrição da Apple quanto a esta “ligeira” mudança causou um choque ainda maior (lá nas “américas”, naturalmente). E enquanto mega editoras como o New York Times e a NPR foram surpreendidas, a indústria viu uma redução significativa nos downloads. E significativa é dizer pouco.

O silêncio dos grandes podcasters é ensurdecedor; nenhum dos dez mais populares quis comentar esta mudança. A Apple defende a alteração como uma “evolução do produto”, enquanto a Sounds Profitable, uma associação de monetização de podcasts, apoia a mudança, argumentando que leva a dados mais precisos e publicidade mais eficaz.

O problema dos Podcasts

Mas há consequências negativas. O modelo de subscrição de podcasts sofreu um duro golpe, com a Apple a reconhecer que contava episódios bónus para além de segmentos não ouvidos. Muitos executivos e produtores de podcasts, apesar de perceberem a necessidade da mudança, expressaram preocupações de forma privada. Mas eis que chegam as conversas com os publicitários e os contratos baseados em números inflacionados são um grave problema, com alguns programas (até conhecidos globalmente) a ter que lutar para atingir os mínimos previamente acordados.

Onde já vi isto?

Este caso é mais um exemplo do controle excessivo das plataformas tecnológicas sobre a média. Quem não se lembra dos vídeos manipulados pelo Facebook e do recuo do Spotify neste mesmo campo dos podcasts e que resultou em despedimentos. Este ajuste da Apple, feito sem aviso, deixou toda a indústria relacionada em estado de alerta e o caso não é para menos, principalmente porque também ninguém sabe o que vai acontecer com o final dos Google Podcasts e a sua mudança para o Youtube Music, algo com que muitos autores não vão pactuar.

Contudo, nem todos estão parados. O New York Times lançou a sua própria aplicação de áudio, procurando uma conexão directa com os ouvintes e, claro, alguma independência das plataformas.

É assim que vai o mundo dos podcasts, numa constante evolução com altos e baixos. A bolha rebentou, a ressaca é real, mas ainda é prematuro declarar o fim desta forma de comunicação.

Como é que a indústria se vai adaptar a esta nova realidade, é a grande e seguinte questão. Até lá, continuem a ouvir os vossos programas favoritos e a descobrir novos talentos.

Tags: Apple podcastsFim dos podcastsPodcastsPodcasts: the end
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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