Imagine esta situação: poupou dinheiro para comprar aquele televisor 4K de 55″ que lhe vai preencher a vida durante os próximos, vá lá, 10 anos.
“Agora é que é”, pensou, “está na hora de apostar”. Chegado a casa, monta a sua nova e brilhante 4K e começa a entender que o mundo não acompanhou a sua decisão. Os “conteúdos” das operadoras portuguesas, como agora se diz, não são transmitidos em 4K. Nem mesmo em FullHD puro, quanto mais quatro vezes essa qualidade anunciada e desejada. Então, vale a pena gastar bom dinheiro numa 4K quando as outras estão a preços super competitivos? E, mais importante, será que este seu novo televisor está preparado para o futuro?
É aqui que está o busílis e um potencial problema global que vai colocar em cheque todos os fabricantes. Denomina-se HDCP (High-bandwidth Digital Content Protection) que é um sistema proposto pela Intel no longínquo 1990 para impedir as cópias de sinal puro, ou seja, em alta definição, tentando proteger desta forma os direitos de autor, entre outros.
O problema é que foi anunciada, muito recentemente, a evolução desta protecção para a norma HDCP 2.2 que será a responsável pela própria reprodução de conteúdos 4K (UHD) no televisor que acabámos de adquirir. Ou seja, é muito possível que o nosso brilhante TV 4K UHD possa não reproduzir essa qualidade apregoada e por nós, consumidores, desejada e PAGA.
Qualquer leitor 4K (e hoje os leitores podem ser os clássicos blu-ray, consolas de jogos, computadores, Pens, NAS, etc.) pode ser incompatível com a 4K que temos em casa, mesmo que possuindo uma porta HDMI 2.0, mas que não esteja equipada com HDCP 2.2.
Temos também de pensar no futuro da reprodução dos próprios operadores portugueses, que optaram pela inútil Box (que é uma fonte de problemas e que retira muito do potencial tecnológico dos novos televisores, tornando mais de metade das suas funções totalmente inúteis), e que também passará pela problemática HDCP 2.2 que, não sendo uma aplicação de software, mas sim um mix entre soft e hardware, obrigará a uma profunda alteração física nos televisores não preparados. E, muito sinceramente, quem de nós que tem uma tela de 50″ na sala está disposto a carregar com ela até ao serviço técnico mais próximo?
Agora que começamos a estar avisados, só nos resta perguntar ao comerciante se o TV 4K exposto está ou não equipado com HDCP 2.2. E, como conselho adicional, o melhor é vermos na net o que se passa com os modelos que tencionamos comparar.
Se já comprou um, tente perceber a situação e fale urgentemente com quem lho vendeu em busca de uma solução.
- info:
hdcp-2-2-what-you-need-to-know
4k-content-protection-will-frustrate-consumers-more-than-pirates




