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Volvo V90 D4 Inscription – guiei o vislumbre do futuro

João Gata por João Gata
Abril 30, 2017
Volvo V90 D4 Inscription – guiei o vislumbre do futuro
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Este poderá ter sido o melhor carro que alguma vez conduzi. Mas foi, sem qualquer dúvida, o primeiro que realmente me conduziu.


Ter sido transportado durante uns dias pela nova Volvo V90 constituiu uma experiência inesquecível. Perguntam “ter sido transportado?” Sim, foi ela que me guiou durante uns valentes quilómetros através de autoestradas e itinerários deste país.

A Volvo V90 é todo um tratado automóvel. Com design agressivo de linhas apuradas, aqui e ali originais, ali e aqui familiares e convencionais, posso apenas dizer que é uma das carrinhas (ainda lhes chamo assim) mais bonitas da actualidade. Bonitas e grandes, pois mede uns impressionantes cinco metros de comprimento para transportar muito confortavelmente cinco passageiros, entre eles o próprio condutor (sim, novamente o ser transportado). Mesmo o desenho do pilar C, que faz um ângulo tipo coupé, não retira muita da capacidade de bagageira (560 litros), ao mesmo tempo que oferece esse tal estatuto que a diferencia em relação à concorrência.

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O motor que me calhou é o muito vigoroso quatro cilindros turbodiesel com 235 CV, equipado com uma fantástica caixa automática de oito velocidades.

Quanto aos interiores, são imaculados. Apresentam enorme qualidade de construção e de materiais. Respira-se luxo e é um prazer olhar para cada canto, cada pormenor, cada comando. Tudo está bem feito e optimamente colocado. Esta V90 faz sentido. Muito sentido. E todos os carros deveriam ser assim. (ver galeria de imagens lá em baixo)

A lista de equipamento é infindável, principalmente nesta versão ensaiada que, não sendo a top do topo, está lá muito perto. Ajudas à condução, activas e passivas, reforçam a segurança e conforto das viagens, nada está lá apenas para encher o olho ou o flyer de marketing e vendas. Aliás, quem escolhe um Volvo (antigamente também se poderia optar por um Saab) é um consumidor bem diferente dos demais. Acima de tudo, valoriza a segurança e a qualidade, só depois a importância de um logotipo. A questão é que, recentemente, a Volvo tem mostrado que por debaixo do seu logotipo, esconde também uma alma desportiva que está aliada às mais recentes inovações tecnológicas. Deste modo, dou por mim a pensar porque é que ainda existem tantos consumidores a preferirem outras latitudes europeias.

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Adiante. Imaginem um carro que tem tudo. É este. E para não estar a encher espaço com a infindável lista de equipamento, extras e acessórios, deixo lá em baixo o resumo oficial da Volvo e desta versão ensaiada. A experiência que vos quero descrever é de maior importância.

O sistema de infotainment tem até um manual de instruções e, vos garanto, não faz mal nenhum em passar por lá. Afinal, estamos a aprender a trabalhar com um computador um tanto ou quanto diferente do que estamos habituados, e existem tantas funções e parâmetros editáveis que temos mesmo de gastar algum tempo para compreender a maior parte das funções. Por outro lado, podemos também ir à aventura, descobrindo aqui e ali o que precisamos, testar esta conjugação, apostar naqueloutra.

Decidi-me pelos dois métodos. Tentar descobrir por mim, e assim avaliar a facilidade da aprendizagem, e seguir o manual pelo ecrã quando encontrasse alguma dificuldade.

 

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Foi assim que sintonizei as estações, alterei a equalização do (fantástico) sistema de som, programei o ar condicionado para os vários lugares, escolhi o design dos instrumentos de acordo com o tipo de condução que iria tomar: modo Eco, Normal, Dynamic e Individual, escrevi as coordenadas do destino, activei os alarmes de segurança passiva (nem todos) e fiz-me à estrada.

Um carrão destes obriga a sair da cidade para percorrer distâncias médias ou grandes. E, muito curioso em relação ao (sim, é agora) piloto automático (Pilot Assist), precisava de uma auto estrada larga e sem trânsito. Ok, é uma tarefa fácil, pois as auto-estradas em Portugal são tão absurdamente caras, que poucos condutores as escolhem. Mas precisava de algum trânsito para perceber até que ponto o sistema é fiável. Para lá, quase ninguém. Mas aquando o regresso, ao anoitecer, e já um pouco cansado, tive alguma sorte e encontrei as condições ideais para testar o famoso sistema de auto-condução.

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Entardecer, trânsito de regresso a Lisboa. Condutores cansados, algo agressivos, alguns cheios de tralha mal acondicionada, o típico final de Domingo português. Sem ter lido os manuais, pesquisei os comandos. Foi fácil entender que um toque o acionava, dois toques ligavam a distância, três o chauffeur, quatro o tempo até ao alarme que nos obriga a colocar as mãos no volante para “dizer” ao V90 que estamos acordados, enfim, toda uma panóplia que, para quem está habituado a estas andanças, não é muito difícil de apreender. Mas é um sistema complexo que obriga ao seu entendimento, primeiro para usá-lo bem, segundo para evitar alguns erros.

Tudo pressionado e escolhido, vamos! E, como por magia, um piloto automático sentou-se no meu lugar e tomou conta dos comandos. Não brinco, um Jarbas impecavelmente vestido manteve a velocidade estável, fez suavemente as curvas, abrandava quando o veículo que nos precedia ficava mais próximo, todas essas coisas. Senti-me, de repente, como um lorde ou, quiçá, um ministro que usa e abusa deste tipo de luxo.

Não vou mentir. Esta situação deixou-me com os nervos à flor da pele. Ao contrário de relaxar e passar pelas brasas, nunca estive tão atento a qualquer barulho, torção, desvio, enfim, qualquer milimétrico movimento ou “atitude” tomada pelo tal piloto. De 20 em 20 segundos, e porque também carreguei nesse botão, o volante estremecia e o aviso visual pedia-me para lhe colocar as mãos. Desta forma, a V90 sabia que eu continuava acordado para o que fosse necessário. E, na verdade, tudo isto funciona e bem. É apenas extraordinário entender o que está a acontecer e como, tão cedo no século XXI, já tive um pequeno vislumbre do que o futuro nos reserva.

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Existem, para além desta, todas as demais assistências ao condutor, desde o aviso sonoro e visual (uma luz vermelha nos espelhos retrovisores) relacionado com o ângulo morto, como o grande aviso sobre o possível obstáculo à nossa frente, a mudança de faixa de rodagem, o pisar o traço contínuo, enfim, somos realmente ajudados e avisados por tudo e mais alguma coisa. É algo intrusivo, sim, para quem (como eu) pensa que domina o automóvel e o que lhe está relacionado. Mas uma coisa é certa: ninguém domina a aselhice de terceiros e são essas que geralmente nos roubam à vida.

Kudos, Volvo! Em poucos dias alterei toda a minha percepção sobre o que é, realmente, andar na estrada com algum cansaço (fiz 700 km no mesmo dia) e percebi que ia cometendo ligeiros erros aqui e ali. E ainda bem que me avisaste de meia em meia hora que precisava de beber um café e estender as pernas. Só falta escolheres a estação de serviço da A2 que roube menos quem precise dela.

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Depois disto tudo se torna secundário: a potência disponível faz da V90 um desportivo muito dinâmico, o conforto a bordo é uma constante, o luxo impera, o design é imaculado, tudo parece que está feito a pensar em mim.

Mas o preço é alto. Tudo isto paga-se bem, o que não é novidade no nosso país sobre-taxado. A questão é outra: como se consegue olhar para logotipos germânicos quando existe esta (e outras) alternativas?

A minha conclusão é simples: a Volvo V90, nesta versão, foi o melhor automóvel que já conduzi. Ou que me conduziu. Ainda estou meio baralhado.

 

V90

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Tags: Volvo V90 D4 InscriptionVolvo V90 D4 Inscription análiseVolvo V90 D4 Inscription ensaioVolvo V90 D4 Inscription reviewVolvo V90 D4 Inscription teste
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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