A Whymob AskWhy efectivou a anonimização de dados para cumprir o RGPD e AI Act.
Há um problema que cresce silenciosamente nas organizações portuguesas e europeias: têm dados valiosos, precisam de os usar para inovar e tomar melhores decisões, mas vivem com o receio permanente de violar a privacidade das pessoas ou de entrar em conflito com uma legislação europeia cada vez mais exigente.
A Whymob, empresa tecnológica portuguesa com sede em Lisboa e Porto, lança hoje a AskWhy, uma solução desenhada precisamente para resolver este dilema.
Quem é a Whymob e o que faz
Antes de perceber o produto, vale a pena conhecer quem está por detrás dele. A Whymob é uma empresa portuguesa que desenvolve soluções digitais à medida para organizações com necessidades complexas. Actua em áreas como desenvolvimento de aplicações, plataformas de dados, análise e inteligência artificial, e sensorização de espaços físicos.
Os seus clientes estão sobretudo em sectores críticos como a saúde, a administração pública, a educação e a indústria – precisamente os sectores onde os dados são mais sensíveis e onde o erro tem consequências sérias. O foco da empresa não é vender software genérico, mas construir ferramentas que resolvam problemas reais com dados de forma segura e auditável.
O problema que a AskWhy resolve
Para perceber a proposta da AskWhy, é preciso primeiro entender o contexto regulatório em que vivemos. O RGPD – Regulamento Geral de Protecção de Dados, em vigor desde 2018 – estabelece regras rígidas sobre como as organizações podem recolher, guardar e partilhar informação pessoal. Mais recentemente, o AI Act europeu introduziu novos requisitos para quem desenvolve ou utiliza sistemas de inteligência artificial com dados de pessoas. E os chamados Data Spaces – iniciativas europeias para criar ecossistemas de partilha de dados entre organizações e países – exigem também garantias sólidas de que os dados partilhados não comprometem a privacidade individual.
O desafio prático é este: uma organização pode ter dados de doentes, cidadãos ou clientes que seriam extremamente úteis para investigação, para treinar modelos de IA ou para tomar decisões estratégicas. Mas esses dados contêm informação pessoal que não pode ser partilhada livremente. A tentação é simplesmente não os usar – o que desperdiça valor – ou usá-los com riscos legais e éticos significativos.
A AskWhy propõe uma terceira via: a anonimização. Isto significa transformar os dados de forma a que a informação pessoal identificável seja removida ou alterada de modo irreversível, tornando impossível reconectar os dados a uma pessoa específica. O resultado são conjuntos de dados que mantêm o seu valor analítico – padrões, tendências, correlações – mas que deixam de constituir dados pessoais para efeitos legais.
Como funciona na prática
A distinção entre anonimização e pseudonimização é importante e muitas vezes confundida. A pseudonimização substitui os identificadores directos – nome, número de identificação – por códigos, mas a reconexão ao indivíduo original continua a ser possível com a chave certa. A anonimização verdadeira vai mais longe: o processo é irreversível e, mesmo com acesso a outras bases de dados, não é possível identificar a pessoa. É este segundo nível que a AskWhy se propõe garantir, com metodologias de segurança robustas e um processo auditável e transparente – o que é fundamental para organizações que precisam de demonstrar conformidade a reguladores.
A solução é especialmente relevante para três sectores: a saúde, onde registos clínicos têm enorme valor científico mas contêm dados extremamente sensíveis; a administração pública, que detém vastos volumes de dados de cidadãos e enfrenta obrigações legais acrescidas; e a fintech, onde o historial financeiro de clientes é simultaneamente valioso e protegido por múltiplas camadas regulatórias.
Uma aposta no mercado europeu de dados
O lançamento da AskWhy não acontece por acaso neste momento. A Europa está a construir activamente uma economia de dados – os chamados Data Spaces sectoriais, nas áreas da saúde, energia, mobilidade e outros domínios – que depende precisamente da capacidade de partilhar dados entre organizações com confiança. Quem não tiver as ferramentas para anonimizar correctamente ficará de fora deste ecossistema. A Whymob está a posicionar a AskWhy como a infraestrutura que permite às organizações portuguesas e europeias participar neste mercado sem comprometerem a privacidade nem arriscarem sanções.
A empresa disponibilizará demonstrações e projectos-piloto da solução a clientes estratégicos interessados em explorar casos de uso concretos.
Em suma
A AskWhy da Whymob é uma resposta prática a um problema que muitas organizações ainda não sabem bem como resolver: como tirar partido dos dados que têm sem violar a privacidade de quem os gerou. Para sectores como a saúde, a administração pública ou a fintech – onde os dados são ao mesmo tempo os mais valiosos e os mais sensíveis -, uma solução deste tipo não é um luxo, é uma necessidade crescente. É tecnologia portuguesa a resolver um problema europeu, e isso merece atenção.





