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Análise Nothing Phone 4a Pro: Glyph Matrix renovada

João Gata por João Gata
Junho 17, 2026
Nothing Phone 4a Pro em prata polido sobre superfície escura, com o módulo de câmara transparente e o Glyph Matrix circular activo a mostrar o relógio

Metal polido, luzes circulares e um sistema operativo que não tem medo de ser diferente: o Nothing Phone 4a Pro é o telemóvel que faz as pessoas perguntar "o que é isso?"

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Em metal polido, luzes que piscam e com sistema operativo com personalidade, o Nothing 4a Pro não é para toda a gente e é precisamente por isso que é para tanta gente.

Como sabemos, há muito boa gente que compra um equipamento por motivos sociais. Não é que porque faz isto ou aquilo melhor que os demais, mas porque transmite uma mensagem aos “outros”. Mas depois existe outra facção que escolhe ser diferente, não por vaidade, mas por gosto. Não é uma crítica a uma das partes, ou ambas, apenas uma constatação. ora a Nothing percebeu que este nicho existe, está a aumentar e que precisa de soluções (mais ou menos) práticas.

A história da marca britânica não tem muito tempo (em anos civis) mas já anda no bolso e nos ouvidos de muita gente. Podem ler aqui no Xá das 5 as análises a a equipamentos anteriores, mas hoje é o Nothing Phone 4a Pro que brilha e que parece que foi feito para esse grupo de pessoas. O segundo, claro está.

O humor também está bem patente para quem o vê de longe: ao contrário de ser uma cópia fidedigna, como o novo Honor 600 (ler análise) na cor laranja, o Nothing Phone 4a Pro também sugere ser um iPhone 17 Pro, mas à medida que nos aproximamos ficamos confusos: é mais original, mais irreverente, é mesmo visualmente impressionante e custa um terço do preço.

O Nothing 4a Pro

Nothing Phone 4a Pro 2

A Nothing é uma marca londrina fundada em 2021 por Carl Pei, um dos co-fundadores da OnePlus, o que é um BI assinalável. A proposta desde o início foi construir tecnologia com identidade própria num mercado saturado de rectângulos de vidro que se copiavam entre si.

Se a vossa memória consegue mais do que os oito segundos de concentração, ainda se devem lembrar dos primeiros modelos com traseiras transparentes que mostravam o interior do telemóvel – componentes, cabos e estrutura – como se o próprio design interno fosse parte da estética. Foi provocador, diferente e, não por acaso, conquistou uma base de utilizadores muito fiel precisamente por não ser para toda a gente.

Nothing Phone 4a Pro 3

O 4a Pro marca uma viragem deliberada: abandona o vidro transparente no corpo e adopta um chassis unibody em alumínio polido. É uma decisão que divide os puristas da marca mas que resulta num produto extraordinariamente bom para quem o vê pela primeira vez.

Em prata mate – a versão em análise – tem uma qualidade em mão que “engana”: pesa 210 gramas, que não é pouco, mas o peso distribui-se bem e a frieza do metal ao toque é genuinamente satisfatória. Podem escolher também em Preto (muito apelativo) e Rosa, este último exclusivo da versão com mais memória. A capa de silicone transparente, confesso, retira bastante do “power” na mão deste menino, mas compreendo que se use que foi o que fiz ao longo da análise.

O Glyph Matrix

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Se há uma característica do Nothing Phone 4a Pro que vai fazer as pessoas à tua volta pararem e perguntarem “o que é isso?”, é o Glyph Matrix. (foi difícil escolher entre masculino e feminino). Trata-se de um pequeno ecrã circular composto por 137 mini-LEDs integrado no módulo de câmara – um ecrã dentro do ecrã, por assim dizer, mas na parte de trás do telemóvel. Atinge 3000 nits de brilho máximo, o que significa que é visível mesmo em plena luz do dia, e pode ser configurado para mostrar um relógio, um temporizador a fazer contagem decrescente, o nível de bateria, ou animações específicas para notificações de contactos seleccionados.

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Na prática, o Glyph é uma daquelas funcionalidades que ou se torna indispensável ou nunca se usa, dependendo completamente do perfil do utilizador. Quem consegue tirar partido dele – por exemplo, colocar o telemóvel com o ecrã para baixo numa reunião e ainda assim saber que chegou uma mensagem de alguém específico sem desbloquear o ecrã – vai amar. Quem não tem paciência para configurar regras e animações vai olhar para aquele círculo a piscar e encolher os ombros. Não é perfeito, mas é genuinamente diferente de tudo o que existe no Android.

Um ecrã grande que fica bem na mão – com esforço

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O ecrã AMOLED de 6,83″ com taxa de actualização de 144Hz (depende) e brilho máximo de 5000 nits é um dos pontos mais fortes do 4a Pro – e também o principal motivo pelo qual este telemóvel exige duas mãos para a maioria das operações. É grande, não de forma absurda, mas o suficiente para que quem tem mãos mais pequenas sinta que está a segurar um tablet pequenito.

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A boa notícia é que as bordas uniformes e finas em torno do ecrã criam uma sensação de imersão que compensa o tamanho e até oferecem a sensação que o ecrã parece ainda maior do que é, no bom sentido. Para filmes, séries e navegação, é um ecrã que enche o olho com resolução de 2800 x 1260 pixels e a protecção Gorilla Glass 7i deixa-nos ver o (quem é actualmente o Stalone genZ?) herói da porrada sem ter medo que o ecrã se parta.

NothingOS

O NothingOS 4.1 baseado em Android 16 é, sem exagero, um dos melhores sistemas operativos disponíveis num telemóvel Android. Não porque tenha mais funcionalidades que os outros (na verdade, até tem menos) mas porque as que tem estão bem pensadas, bem integradas e visualmente coerentes.

A estética monocromática com tipografia dot-matrix, os ícones limpos sem excesso de cor, a ausência quase total de aplicações pré-instaladas inúteis, tudo isto cria uma experiência de uso que parece desenhada por alguém que se preocupou com os detalhes. E, se formos ouvir e ver o que Carl Pei diz nas suas múltiplas intervenções, está claro que houve.

A Essential Space é a funcionalidade de IA da Nothing: com um duplo toque no botão dedicado no lado esquerdo do telemóvel, abre-se uma área onde se pode guardar capturas de ecrã, fotos e notas de voz que são automaticamente organizadas e etiquetadas por IA. E não é que funciona? Não é revolucionário, mas é genuinamente útil para quem tem o hábito de guardar referências, recibos ou ideias ao longo do dia, como a minha perda de memória recente actual já vai exigindo.

O Flip-to-Record – colocar o telemóvel com o ecrã para baixo e fazer uma pressão longa para iniciar uma gravação de áudio com transcrição automática – é outro desses detalhes que faz sorrir quando se descobre.

Câmaras

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O sistema de três câmaras inclui uma principal de 50MP com sensor Sony LYT-700C, uma ultra-grande-angular de 8MP – o ponto mais fraco do conjunto, sem surpresa – e uma câmara telefoto periscópica de 50MP com zoom óptico de 3.5x e estabilização óptica de imagem.

Esta última é o argumento que separa o 4a Pro do 4a base e que justifica o diferencial de preço: zoom óptico real a esta distância focal num telemóvel abaixo dos 500E é genuinamente raro. A 3.5x óptico e até 7x a partir do corte digital do sensor, a câmara produz retratos e detalhes a média distância com uma qualidade que impressiona. A 70x ou 140x é uma curiosidade mais do que uma ferramenta – como todos os zooms extremos na fotografia de telemóvel, os resultados são imprevisíveis e dependem muito da estabilidade da mão.

Em condições de boa luz, a câmara principal é excelente: exposição equilibrada, cores naturais, bom controlo do HDR. À noite perde algum detalhe mas mantém resultados utilizáveis. A ultra-grande-angular é o elo fraco e nota-se especialmente em fotografias com pouca luz, onde as cores perdem consistência face aos outros sensores.

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O Nothing Phone 4a Pro é para dois grupos-alvo muito diferentes mas que partilham um resultado em comum: a primeira é quem quer um telemóvel com carácter, com um sistema operativo que tem personalidade, com luzes que fazem as pessoas perguntar o que é aquilo, e que está disposto a aceitar que a ultra-grande-angular não é grande coisa e que não tem carregamento sem fios.

A segunda é quem olhou para o iPhone 17 Pro na montra, suspirou, e descobriu que por 499,99E euros existe algo que de longe parece muito parecido, tem um ecrã maior, tem mais luzes, e ainda assim tem um carácter próprio suficiente para não ser uma cópia envergonhada.

Ambas têm razão. E nenhuma vai arrepender-se.

Em suma

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O Nothing Phone 4a Pro em alumínio polido é um dos telemóveis mais interessantes disponíveis abaixo dos 500€ em 2026 e não apenas porque é genuinamente diferente em quase tudo mas porque é realmente bom.

O NothingOS é uma lufada de ar fresco num mar de interfaces genéricas, o Glyph Matrix é uma funcionalidade que pode ou não fazer sentido, muito dependente de quem usa, e a câmara telefoto de 3.5x justifica a diferença de preço face ao modelo base.

Para quem quer desempenho bruto máximo há escolhas mais eficientes; para quem quer um telemóvel que se nota, que se comenta e que ainda assim funciona muito bem no dia-a-dia, o Nothing 4a Pro é difícil de superar a este preço.

Preço Nothing Phone 4a Pro

499,99€

selo Xá das 5
Tags: alumínioAnáliseandroidGlyph Matrixmid-rangeNothingNothingOSPhone 4a Protelefoto
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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