Tenho “brincado” com o Nothing Phone 3 durante estas últimas semanas e, desde já e para evitar mal entendidos, quero esclarecer que sou um confesso fã desta novel marca. Daí que, depois da análise aos aguardados e nada decepcionantes Nothing Headphone 1 (mesmo nada, muito pelo contrário, mas terão de ler a análise), foi com muito entusiasmo que me atirei a este smartphone que é tudo menos consensual. Será que gostei?
- Ler nálise aos Nothing Headphone 1
O Design

Logo à primeira vista, percebe-se que a Nothing não quis mexer muito na fórmula que já resultava: o visual transparente continua lá, aquele ar retro-futurista que conhecemos bem, mas com uma reviravolta interessante que, curiosamente, enfureceu muitos fãs…
Falo da grande novidade que é a Glyph Matrix que substitui os famosos LED segmentados por uma matriz compacta de micro-LEDs no canto superior direito.



Onde antes tínhamos simples flashes ou padrões básicos (mesmo que programados por nós), agora temos pequenas histórias animadas com micro pixels, inclusive a npssa própria cara quando tiramos uma fotografia tipo selfie usando o painel traseiro e as câmaras principais.
Esta Glyph Matrix é uma caixinha de surpresas pois consegue formar símbolos, criar animações personalizadas e até reagir a sons em tempo real. É quase como ter pixel art no bolso – minimalista, mas surpreendentemente expressiva.
A traseira em vidro mantém o visual transparente icónico, mas felizmente está menos escorregadia que os modelos 3a. O formato circular da nova matriz também lhe dá uma identidade visual imediatamente reconhecível. Não tenhamos dúvidas, basta um simples olhar para se perceber que é um Nothing.
Mas será que funciona na prática? Bem, passada a novidade inicial das primeiras animações, admito que uso estas funcionalidades menos do que esperava. É giro, é diferente, mas no dia-a-dia acabo por recorrer ao ecrã principal na mesma. Ainda assim, é inegável que a Nothing conseguiu criar algo verdadeiramente único num mercado saturado.
Especificações

E aqui chegamos ao ponto onde a Nothing finalmente decidiu levar a coisa a sério. Ao contrário do Phone (2), que chegou ao mercado com um processador já “em fim de carreira”, o Phone 3 vem equipado com um chip flagship actual.
As especificações prometem estar finalmente à altura do design distintivo:
Processador: Snapdragon 8s Gen 4 (não o topo de gama, mas competente) RAM: 12GB ou 16GB LPDDR5X Armazenamento: 256GB ou 512GB UFS 4.0 Ecrã: 6.78″ OLED, 120Hz, HDR10+ Bateria: 5150mAh com carregamento rápido 65W Câmaras: Sistema quádruplo – tudo a 50MP!
O Ecrã

O painel OLED de 6.78 polegadas é, sem dúvida, um dos pontos altos deste aparelho. Com bordas mais finas que o antecessor e uma câmara frontal finalmente centrada (aleluia!), a experiência visual é substancialmente melhorada.
A taxa de refrescamento de 120Hz é fluida como deve ser, e a qualidade de cor impressiona. Para consumo de média, gaming ou simplesmente navegação, este ecrã cumpre e sobra.
Performance

A Nothing optou pelo Snapdragon 8s Gen 4 em vez do mais poderoso Snapdragon 8 Elite que encontramos nos flagships de topo. Na prática, isto significa performance semelhante ao 8 Gen 3, que não é mau, mas também não é o que esperávamos de um “verdadeiro flagship”.
Para uso quotidiano, com os 12+2GB de RAM (e 256GB na versão que testei), a experiência é fluida. Multitasking sem problemas, apps a abrir e fechar muito rapidamente, tudo fast and furious..
O gaming? Bem, aqui a coisa complica-se um bocadinho. Títulos como Alto’s Odissey ou Limbo correm muitíssimo bem, mas o Nothing Phone 3 tem tendência para aquecer – e quando digo aquecer, é porque se torna desconfortável – em jogos mais rápidos e complexos como o Asphalt Legend Unite.
Conectividade e Bateria
A conectividade é um dos aspectos onde a Nothing acertou em cheio. Com Wi-Fi 7 tri-band e Bluetooth 6.0, está bem preparado para o futuro.
A bateria de 5150mAh cumpre o prometido e os utilizadores mais moderados conseguem facilmente chegar ao segundo dia. O carregamento rápido de 65W é eficiente (especialmente se tiveres um carregador de portátil USB-C à mão), enquanto o carregamento sem fios fica pelos modestos 15W.
As Câmaras

E chegamos a uma das maiores surpresas deste Nothing Phone 3. Pela primeira vez, a marca decidiu apostar verdadeiramente nas câmaras, e nota-se.
Eis o sistema quádruplo, tudo a 50MP:
- Principal: f/1.68, 1/1.3″, OIS + EIS, PDAF
- Ultra-wide: f/2.2, 114° FOV
- Telephoto: f/2.68, zoom óptico 3x, OIS + EIS
- Frontal: f/2.2, 81.2° FOV
O sensor principal faz um trabalho honesto. Fotos com boa definição, cores naturais (talvez demasiado naturais para alguns gostos, principalmente a malta que gosta dos excessos sul-coreanos) e capacidade decente para captar luz. Mas por vezes falha o foco em close-ups.
A ultra-wide mantém consistência de cor e iluminação com o sensor principal, o que é positivo. O problema são as distorções nas bordas e a dificuldade em focar de perto.
Onde o sistema realmente brilha é na telephoto. O zoom óptico 3x funciona muito bem, com fotos nítidas tanto de longe como de perto. Quando activamos o modo macro, é este sensor que entra em acção, e os resultados são impressionantes na captura de texturas.

A câmara frontal garante fotos nítidas, com bom contraste. Curiosamente, parece funcionar melhor que usar o sensor principal com o “Glyph Mirror” – as selfies ficam menos ruidosas e com melhor definição.
Contudo, o processamento computacional da Nothing ainda não está ao nível de um Google Pixel 9 Pro (para citar um exemplo) e o zoom digital esgota-se rapidamente.
Nothing OS 3.5
O Nothing OS 3.5, baseado no Android 15, mantém aquela filosofia de “less is more” que já conhecemos. É limpo, sem bloatware visível, mas alguns dos ícones são… digamos, criativos demais. Nem sempre é óbvio o que representam e para malta Gen X como eu a coisa fica confusa e necessita de aprendizagem, pois são muitos anos a lidar com a mesma iconografia.
O Essential Space continua a marcar presença e é activado através de um botão dedicado no lado direito (abaixo do power). Um toque tira um screenshot e manter pressionado grava uma nota de voz. É possível adicionar notas às screenshots para contexto adicional. É uma funcionalidade interessante mas ainda a dar os primeiros passos e a requerer alguma habituação.

Há uma app que acho extraordinária e que pode fazer a diferença: é o canal “rádio” oficial da marca com notícias narradas pelo próprio CEO. Visualmente, cada tracinho é uma notícia que vai diminuindo ao longo da mesma. Adoro!
A verdadeira estrela é a integração da Glyph Matrix com o software. Os utilizadores podem agora atribuir animações personalizadas a diferentes apps e notificações, com muito mais margem para criatividade do que antes. Som e luz evoluem juntos para criar animações verdadeiramente personalizadas.
Concluindo

O Nothing Phone 3 é, indubitavelmente, o melhor smartphone que a marca já produziu. Tem especificações de flagship, construção sólida e uma identidade visual única no mercado.
Mas será suficiente? Para os fãs da marca e para quem procura algo diferente, provavelmente sim. Para o consumidor médio que quer simplesmente o melhor smartphone pelo seu dinheiro, há adversários de peso pelo mesmo valor.
Preço
E chegamos ao elefante na sala: o preço. Com valores a partir dos 750€ (nesta versão base), o Nothing Phone 3 posiciona-se directamente contra os grandes players do mercado.
A questão é se vale a pena pagar este preço por um smartphone que, embora competente, não se destaca verdadeiramente em nenhuma área específica, a não ser no design diferenciador, num software criativo e algumas soluções únicas. Não o torna mais rápido, mas garante-lhe o factor Wow que é cada vez mais difícil de acontecer. E isso é suficiente para muita malta.











