Os Pixel Buds 2a trazem Gemini Live e algumas funcionalidades interessantes por 149 euros, mas só fazem sentido se já tiveres um telemóvel Pixel.
O que mudou desde a primeira geração

A Google decidiu adicionar 30 euros ao preço dos Pixel Buds A-Series originais e, para justificar o aumento, meteu lá dentro algumas funcionalidades que já deviam estar presentes desde o início. Cancelamento activo de ruído e modo transparência, para além do Bluetooth 5.4, para citá-los. Mas será suficiente para fazer frente à cada vez mais aguerrida concorrência?
A bateria melhorou substancialmente, é verdade. As 10 horas prometidas sem ANC (7 horas com ANC ligado) comparam favoravelmente com metade da primeira geração. Com a caixa incluída, tens 27 horas totais de reprodução. E num gesto raro de sustentabilidade, a bateria da caixa é agora substituível – um ponto a favor da Google num mercado dominado por produtos descartáveis.
Os auriculares também encolheram ligeiramente, de 5,1g para 4,7g cada, e a caixa ficou mais compacta. Isto é relevante se carregas os auriculares no bolso o dia todo, para além de não darmos por eles, nem no bolso, nem aquando a utilização.
Gemini Live: o truque de magia que só funciona para alguns

Se tens um telemóvel Pixel, os Pixel Buds 2a transformam-se em algo genuinamente interessante. O Gemini Live funciona completamente hands-free, permitindo conversas fluidas com a IA sem precisares de tocar no telemóvel. Basta dizer “Ok Google, let’s talk live” (podes tentar em português) para discutir o sentido da vida enquanto caminhas pela casa (ou qualquer outro tópico que te interesse mais do que a mim).
O problema? Esta funcionalidade só existe se tiveres um Pixel. Para todos os outros utilizadores Android, os Pixel Buds 2a são apenas mais uns auriculares competentes mas sem nada de especial.
O sistema de “audio switch” é outra funcionalidade interessante que merece destaque. Ao contrário do multipoint tradicional que existe na maioria dos auriculares premium, o audio switch da Google funciona entre diferentes dispositivos Android ligados à mesma conta Google.
Testado com telemóveis e tablets de várias marcas (Google, Samsung, e neste momento um OPPO e um Xiaomi), o sistema funciona razoavelmente bem, com atrasos ocasionais de até 10 segundos ao mudar de dispositivo. Não é perfeito, mas é mais flexível do que as soluções fechadas da Apple ou Samsung.
Áudio aceitável mas sem brilho

Os Pixel Buds 2a usam o mesmo chip Google Tensor A1 dos Pixel Buds Pro 2 mais caros (ler análise aqui), o que teoricamente deveria significar algo. Na prática, a Google cortou nos codecs de áudio – tens apenas SBC e AAC – o que para um fabricante do Android é embaraçoso. Não há aptX, não há LDAC, não há nada que justifique chamar a isto uma experiência de áudio “premium”.
O palco sonoro tem largura suficiente para a maioria da música, mas falta-lhe dinâmica e volume. As frequências altas mantêm-se limpas mas sem grande extensão, enquanto os graves têm peso adequado mas não a profundidade que alguns preferem. O equalizador gráfico de cinco bandas permite ajustes básicos, mas não compensa as limitações do hardware.
A diferença torna-se evidente quando comparas directamente com os Pro 2. Os auriculares mais caros têm melhor separação de instrumentos, graves mais completos e um palco sonoro mais tridimensional. Mais importante, o ANC superior dos Pro 2 cria um fundo “mais silencioso” que permite ouvir mais detalhes a volumes mais baixos. Nos Pixel Buds 2a, aumentar o volume perto do máximo resulta num palco sonoro que começa a embaciar e o áudio fica enlameado.
Controlos limitados
Não há opção de deslizar nos touchpads para controlar o volume, ao contrário dos Pro 2. Pior ainda, a personalização disponível é mínima, podes ajustar a função de pressão longa em cada auricular, mas só tens duas opções para escolher. O resto dos controlos está completamente bloqueado.
A ausência de carregamento wireless também se nota, especialmente quando auriculares concorrentes a preços similares já incluem esta funcionalidade.
Conforto e autonomia: os pontos positivos

O design de “twist to fit” com barbatanas estabilizadoras funciona bem, mantendo os auriculares seguros mesmo durante exercício. O conforto é genuinamente bom pois é possível usá-los durante um dia completo de trabalho e as quatro opções de pontas incluídas na caixa devem servir a maioria das pessoas.
A certificação IP54 para os auriculares e IPX4 para a caixa oferece protecção adequada contra suor e água, embora não sejam à prova de submersão. A construção parece sólida, mas só o tempo dirá se a durabilidade corresponde às promessas.
Em suma

Os Google Pixel Buds 2a são auriculares perfeitamente aceitáveis que não fazem nada particularmente bem nem particularmente mal, excepto se tiveres um telemóvel Pixel, caso em que o Gemini Live e o audio switch se tornam argumentos muito válidos de compra.
Para utilizadores Pixel, há um argumento forte para escolher estes em vez dos Pro 2 que custam mais 60 euros. A qualidade sonora e autonomia são suficientemente boas, o design é praticamente idêntico, e a maioria das funcionalidades inteligentes está presente.
Para todos os outros utilizadores Android, especialmente aqueles que valorizam qualidade sonora acima de truques de IA, existem melhores alternativas. Mas sem caixa reparável…
Preço Google Pixel Buds 2a
149€
A ANÁLISE
Pixel Buds 2a
Para utilizadores Pixel, há um argumento forte para escolher estes em vez dos Pro 2 que custam mais 60 euros.
PRÓS
- Confortáveis e leves, Gemini live, Audio Swith, Caixa substítuivel, Bateria melhorada
CONTRAS
- Apenas codecs SBC e AAC, personalização limitada, não tem carregamento wireless




