O Lenovo Legion 9 18IAX10 é o tipo de máquina que faz uma pessoa questionar as suas escolhas de vida, não porque seja mau, mas porque depois de o experimentar, tudo o resto parece insuficiente.
Com um preço que começa nos 5000€ na configuração base com a RTX 5090, a versão de topo que me calhou durante umas semanas tem, atentem bem nestes números, 192GB de RAM, 4TB de disco, gráfica com 24GB VRAM com o processador de topo Ultra 9 275HX a bombar, o que faz dele o portátil mais ambicioso que a Lenovo alguma vez meteu na linha Legion e o mais espectacular que me passou pelas mão ao longo de mais de três décadas de análises.

E, surpreendentemente, não é apenas uma questão de empilhar especificações caras dentro de um chassis bonito, porque na verdade há aqui engenharia a sério. Estamos perante um portátil de 18 polegadas pensado para quem quer o máximo desempenho sem compromissos, seja para gaming exigente, edição de vídeo profissional, modelação 3D ou até para correr modelos de inteligência artificial localmente.
A questão não é se é rápido, porque isso não se coloca, mas se vale o investimento.
Construção e design do Legion 9 18IAX10

A primeira coisa que salta à vista é a tampa que resulta da fusão de oito camadas distintas de fibra de carbono forjada. Cada unidade tem um padrão único, o que lhe confere um ar quase artesanal se ignorarmos o facto de ser produzido industrialmente, claro. O chassis em alumínio anodizado e carbono é extraordinariamente robusto, sem flexões perceptíveis nem ruídos estranhos quando se pega na máquina.
E vai ser preciso pegar nela com convicção: estamos a falar de 3,5 kg na versão com ecrã 2D e 3,75 kg na variante com ecrã 3D, mais 1,2 kg do carregador de 400 W, o que perfaz uns gloriosos 5 kg na mochila e que torna a palavra “portátil” numa questão semântica.
O design segue uma estética toda em preto com o já habitual logótipo Legion iluminado por RGB na tampa, complementado por uma faixa luminosa na frente do portátil, felizmente configuráveis através da aplicação LegionSpace, embora encontrar exactamente onde se controlam os efeitos de iluminação exija alguma paciência inicial.
O interior é surpreendentemente limpo e desprovido de marcas e logótipos, o que é refrescante num segmento onde os fabricantes costumam exagerar na identidade visual. Há, contudo, um problema irritante: a luz sempre acesa no botão de ligar/desligar, que muda de cor conforme o perfil de desempenho activo (azul para silencioso, branco para equilibrado, vermelho para máximo). Ter um LED brilhante permanentemente ligado na linha de visão, logo abaixo do ecrã, é especialmente incómodo em ambientes escuros mas já é o design de gama que a Lenovo insiste em manter há várias gerações.
Teclado, trackpad e conectividade



O teclado é extraordinário, tal como a marca nos tem vindo a habituar. É uma implementação de borracha com teclas de sensação suave e feedback firme, com 1,6 mm de curso e iluminação RGB por tecla. Não são interruptores mecânicos mas oferecem uma experiência de escrita bastante competente.

O trackpad é enorme – 150 × 95 mm – preciso e muito confortável, felizmente centrado sob a tecla de espaço. A área é tão generosa que levei algum tempo a habituar-me à zona de clique efectiva. Em termos de biometria, temos uma câmara IR para Windows Hello mas falta o leitor de impressões digitais mas percebo que é algo geralmente utilizado pelos CEOs e malta top das grandes empresas e não por criativos.

A conectividade é das mais completas do segmento: duas portas Thunderbolt 5 (USB-C) no lado esquerdo com suporte para DisplayPort 2.1 e carregamento até 140 W, três USB-A 3.2 Gen 2, uma USB-C adicional para dados, HDMI 2.1 na traseira, Ethernet a 2,5 Gbps, leitor de cartões SD de tamanho completo, Wi-Fi 7 e Bluetooth 5.4. A organização das portas é inteligente, e como de costume na gama Legion, com a ficha de alimentação e o HDMI na traseira para manter a secretária arrumada, embora o posicionamento das restantes no meio dos lados – e não mais para trás – possa causar alguma confusão de cabos.
Ecrã IPS de 4K a 240 Hz

O Lenovo Legion 9 vem equipado com um painel IPS de 18 polegadas com resolução 3840 × 2400 pixels e taxa de actualização de 240 Hz na resolução nativa, podendo chegar aos 440 Hz a 1080p através de uma configuração na BIOS. Existe também uma variante opcional com tecnologia 3D sem óculos, que utiliza eye-tracking e uma camada lenticular para criar um efeito tridimensional em jogos e aplicações compatíveis.
Em termos de qualidade de imagem, é tão bom quanto um IPS consegue ser: 500 nits de brilho, rácio de contraste de 1280:1, cobertura de 97% do espaço DCI-P3 e validação Pantone. O software X-Rite pré-instalado permite calibração profissional, e os testes revelam uma precisão de cor média de 2,3 dE de fábrica – já bastante boa para trabalho sério, e que desce para 1,2 dE com perfis optimizados.
Não há cintilação (PWM), o que é óptimo para longas sessões de trabalho. O problema principal é o acabamento brilhante. Num portátil de gaming de 18 polegadas ter uma superfície reflexiva é uma escolha discutível: os reflexos são perceptíveis em ambientes iluminados e o ecrã retém dedadas de uma forma que ecrãs com vidro convencional não o fazem.
Desempenho

O processador Intel Core Ultra 9 275HX combina 8 núcleos de alto desempenho (até 5,5 GHz) com 16 núcleos de eficiência, e neste chassis consegue operar a potências sustentadas de 170-200 W que são os valores mais elevados alguma vez registados num Legion.
A GPU Nvidia GeForce RTX 5090 com 24 GB de VRAM é a mais potente disponível para portáteis, posicionada no topo de todos os rankings de desempenho gráfico para notebooks.
Esta configuração inclui 192 GB de RAM DDR5 (o máximo suportado) e 4 TB de armazenamento SSD com velocidades PCIe 5.0 no slot principal. Quatro slots DDR5 SODIMM e quatro slots M.2 2280 para SSDs fazem deste portátil uma raridade em termos de expansibilidade, pois a maioria dos concorrentes directos oferece apenas dois slots de RAM e dois de armazenamento.
Para quem trabalha com projectos de programação pesados, ficheiros de vídeo massivos ou quer correr modelos de linguagem localmente, esta configuração é um luxo real e não apenas teórico. Onde este portátil verdadeiramente se distingue é na relação desempenho-ruído: no perfil Performance, os jogos correm com ventoinhas a 45-46 dBA e temperaturas de GPU entre 66-70 °C num suporte, valores extraordinários para um sistema que debita 240-250 W de potência combinada. O perfil Balance reduz o ruído para 35-40 dBA com temperaturas nos 60 °C, sacrificando cerca de 20% do desempenho. E mesmo no perfil Quiet, abaixo dos 35 dBA, os jogos modernos continuam jogáveis a resolução 4K com DLSS activado.
Na prática

Como não sou gamer, utilizei este Legion para edição vídeo e, acima de tudo, perceber a rapidez na produção e edição de DCPs, algo que puxa sempre qualquer computador até ao seu limite. Os valores são absurdos para quem está habituado a laptops com algum poder de edição, entre eles um Lenovo Legion que faz parte da redacção.
A comparação imediata que fiz foi com o Desktop, no qual tenho valores decentes para edição e produção, mas nada me preparou para este tipo de resultados, tanto em rendering 4K de um vídeo de 60 minutos bastante puxado através do Resolve. Mas se vos disser que a produção de um DCP 4K de 60 demorou menos de uma hora contra as mais “normais” duas a quatro no meu desktop, acreditam? Pois é…
Não é para levar para o café

A bateria de 99,9 Wh – o máximo legal para levar em aviões – oferece entre 3 a 5 horas de utilização “suave” (navegação, vídeo, edição de texto) e pouco mais de uma hora de edição o que me parece que são números aceitáveis para um portátil desta potência e dimensão.
O carregamento via USB-C até 140 W é possível através das portas Thunderbolt 5, mas o desempenho fica muito limitado neste modo pois o sistema puxa energia da bateria em cargas pesadas mesmo com carregador PD ligado. Para qualquer utilização séria, o carregador de 400 W é obrigatório, e ele próprio é um bloco considerável de 1,2 kg com design de cabo duplo.
Em suma

O Lenovo Legion 9 18IAX10 é, provavelmente, o portátil gaming de 18 polegadas mais equilibrado à venda actualmente. A combinação de desempenho de topo, refrigeração exemplar, construção premium e expansibilidade sem rival (relembro que as quatro slots de RAM e quatro de SSD é algo que simplesmente não se encontra na concorrência) fazem dele uma proposta convincente mesmo ao preço pedido.
Mas, muita atenção (tinha que encontrar um aspecto negativo), não é perfeito!!! O ecrã IPS brilhante sem opção OLED ou mini-LED é a fraqueza mais evidente, limitando o contraste e o suporte HDR e o peso de quase 5 kg com carregador torna qualquer pretensão de portabilidade um exercício de optimismo.
Mas quando nos sentamos à secretária e ligamos esta máquina, nada disso importa muito. O Legion 9 entrega o que promete, ou seja, um desempenho brutal num chassis que não soa como um aspirador industrial, e fá-lo excepcionalmente bem. Para quem procura o melhor portátil de alto desempenho sem se importar com o peso, este é o padrão a bater.
Se gostava de tê-lo? Há perguntas tão desnecessárias…
Preço Lenovo Legion 9 18IAX10
Arranca nos 5000€…

A ANÁLISE
Legion 9 18IAX10
O Legion 9 entrega o que promete, ou seja, um desempenho brutal num chassis que não soa como um aspirador industrial, e fá-lo excepcionalmente bem.
PRÓS
- Poder de processamento, qualidade geral, conectividade
CONTRAS
- Ecrã e peso





