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Análise Sony RX1R III, a compacta dos 5000€

João Gata por João Gata
Junho 14, 2026
Sony RX1R III em magnesio preto mate sobre mesa de madeira, com a lente Zeiss Sonnar 35mm f/2 em destaque e o visor EVF fixo

a Sony RX1R III é a câmara compacta de sensor pleno mais pequena do mundo

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Dez anos depois, a Sony ressuscitou a câmara compacta de sensor pleno mais desejada do mundo. O resultado é extraordinário e frustrante em partes iguais.

A Sony RX1R III pertence a uma linhagem de nobreza que sempre olhou a plebe de alto e de soslaio. Eu, que me confesso plebeu, sempre tive o sonho de ter uma RX1 desde que a usei em Setembro de… 2013 (ler a análise aqui) ou sobre a RX1R aqui. É bem verdade, o Xá das 5 já tem uns anitos…

Analise Sony RX1R III a

É o menor e mais leve corpo de câmara de sensor pleno disponível no mercado, com uma lente fixa de 35mm f/2 da Zeiss, 60 megapíxeis e autofoco com reconhecimento de sujeitos por inteligência artificial. Pesa 498 gramas com bateria, cabe praticamente num bolso médio e custa 4900 euros… sim, escrevi 5k lá no título, mas é clickbait porque penso que quem não tem 5 também não terá 4,9 para gastar.

A Sony demorou dez anos a lançar a sucessora da RX1R II, tempo mais que suficiente para muita gente pensar que esta linha de câmaras tinha sido simplesmente abandonada. Mas a terceira geração chegou em Julho de 2025 e causou exactamente o tipo de reacção dividida que um produto desta natureza merece: metade das pessoas ficou entusiasmada com as possibilidades e a outra metade foi directa à lista do que falta. E sabem que mais? ambas têm razão.

O que torna a RX1R III diferente de qualquer outra câmara

Analise Sony RX1R III b

Para perceber a proposta da Sony RX1R III, é preciso primeiro perceber o que é um sensor pleno, o chamado “full-frame”. É o formato de sensor maior usado em câmaras fotográficas convencionais, com o tamanho equivalente a um fotograma de filme de 35mm analógico.

Sensores maiores captam mais luz, produzem imagens com mais detalhe e desfocam o fundo de forma mais natural, aquele efeito “bokeh” que separa o sujeito do ambiente circundante de forma quase pictórica, a que os profissionais de imagem chamam, e com razão, “profundidade de campo”.

A esmagadora maioria das câmaras com sensor pleno tem um corpo considerável, porque esse sensor exige uma óptica grande e uma mecânica robusta. Só que a Sony, lá em 2012, fez o impensável e continua a fazê-lo agora: empacotar um sensor pleno num corpo que, de longe, se confunde com uma câmara compacta de viagem.

A RX1R III tem 113,3 x 67,9 x 87,5 mm e pesa menos de 500 gramas. A lente Zeiss de 35mm f/2 – inalterada desde o modelo original de 2012, o que é simultaneamente impressionante e ligeiramente irritante – projecta-se para a frente, o que significa que não é exactamente uma câmara de bolso, mas é perfeitamente transportável numa mala pequena ou pendurada ao pescoço sem causar fadiga ao fim de um dia inteiro de uso.

O sensor de 60 MP é partilhado com as Sony a7R V e a7CR, e com as Leica Q3 – as câmaras que mais directamente competem com esta. É um sensor excelente e amplamente testado e as imagens que produz têm um nível de detalhe que ultrapassa qualquer necessidade realista da maioria dos utilizadores, com uma gama dinâmica que permite recuperar detalhes em zonas sobreexpostas ou subexpostas na edição. Em termos de qualidade de imagem, a RX1R III está entre o que há de melhor no mercado, independentemente do preço.

A lente de trinta anos e o autofoco do futuro

Analise Sony RX1R III c

A lente Zeiss Sonnar 35mm f/2 é uma lenda que se recusa a envelhecer. Projetada originalmente há décadas e inalterada desde a primeira RX1 em 2012, consegue o feito notável de se manter relevante com um sensor de 60 megapíxeis – uma resolução que expõe implacavelmente as fraquezas de qualquer lente menos capaz.

No centro da imagem e a partir de f/4, é simplesmente extraordinária. Nos cantos, especialmente a f/2, é ligeiramente suave – um compromisso que a Zeiss assumiu conscientemente para obter um bokeh mais agradável e uma distância mínima de foco mais curta.

O que mudou radicalmente entre a RX1R II e esta versão nova é o autofoco: a câmara anterior tinha fama de ser lenta e hesitante a focar – uma limitação que arruinava momentos espontâneos e, para ultrapassar isso, a RX1R III recebe o sistema de autofoco mais recente da Sony, com reconhecimento de sujeitos por inteligência artificial para pessoas, animais, pássaros, insectos e veículos.

O resultado é uma câmara que encontra o olho de um sujeito humano com uma velocidade e fiabilidade que seria impensável neste formato há cinco anos. Para fotografia de rua, retratos casuais e qualquer situação onde se aponte e dispara sem grande preparação, o autofoco da RX1R III é a melhor versão de si mesmo que esta câmara alguma vez teve.

O corpo: pequeno com custos reais

Analise Sony RX1R III n 1 rotated

A miniaturização tem um preço e a Sony foi obrigada a fazer escolhas para manter este corpo tão pequeno. Algumas dessas escolhas são genuinamente difíceis de aceitar a 4900 euros. O ecrã traseiro é fixo e não articula nem inclina. Para fotografar a nível do chão ou acima da cabeça sem usar o visor, é preciso adivinhar o enquadramento ou contorcer-se de formas que não são muito dignas.

A câmara anterior tinha ecrã basculante, e a justificação é a manutenção do perfil compacto, o que faz sentido “engenheiristicamente” mas não resolve o problema do fotógrafo.

Também não há estabilização de imagem, nem na lente nem no sensor, portanto, depende-se inteiramente da técnica e da velocidade de obturação para evitar imagens desfocadas.

A câmara compensa em parte com o obturador de folhas integrado na lente, um mecanismo mais suave e menos susceptível a vibração do que os obturadores de cortina , mas não é o mesmo que ter estabilização real.

A autonomia da bateria é o terceiro ponto delicado porque a NP-FW50 é “curta”: a classificação CIPA indica 270-300 fotografias por carga, um número que na prática é ainda mais baixo quando se usa o ecrã, o Wi-Fi ou quando a câmara permanece ligada entre fotografias. Para um dia inteiro de uso activo, é prudente levar pelo menos uma bateria suplente. A boa notícia é que as NP-FW50 existem há quinze anos no mercado e as versões de terceiros são acessíveis.

Analise Sony RX1R III e

O visor electrónico fixo é uma melhoria face ao pop-up da versão anterior mas a resolução de 2,36 milhões de pontos parece modesta para uma câmara deste preço. Para a maioria dos utilizadores é adequado; para quem usa muito o foco manual, a menor resolução dificulta a confirmação de nitidez.

Fotografando

Analise Sony RX1R III j
Analise Sony RX1R III h
Analise Sony RX1R III i

Esta maravilha é mesmo pequena e leve, o que resuulta da construção com magnesium de qualidade excelente. É também muito silenciosa e as imagens que produz têm uma qualidade estonteante.

Os controlos físicos, o anel de abertura na lente, o dial de compensação de exposição no topo, o dial de velocidade de obturação, colocam os parâmetros essenciais ao alcance dos dedos sem precisarmos de entrar em menus. Para fotografia no modo de prioridade de abertura com ISO automático, a RX1R III funciona de forma quase instintiva.

Os menus são complicados – Sony a fazer Sony -, mas com os botões personalizáveis bem configurados raramente é necessário entrar nelas.

O modo de corte digital, que transforma a câmara de 35mm em 50mm com 29 megapíxeis ou em 70mm com 15 megapíxeis, usando os pixels disponíveis do sensor, é genuinamente útil e bem implementado. Não substitui uma objectiva intercambiável, mas para enquadramentos diferentes sem mudar de câmara, funciona com resultados aceitáveis.

Em suma

Analise Sony RX1R III m rotated
Analise Sony RX1R III k
Analise Sony RX1R III l

Se foi com entusiasmo que abri a caixa da Sony RX1R III para poder “brincar uns dias”, foi com uma sensação mista quando voltei a embrulhá-la para entregar à marca. É, acima de tudo, uma câmara extraordinária por muitos motivos, dos quais abordei a maior parte, mas tem limitações reais que a tornam difícil de recomendar, mais a mais tendo em conta sempre os euros do total com IVA.

A qualidade de imagem do sensor de 60 megapíxeis com a lente Zeiss é do melhor que existe, o autofoco com reconhecimento por IA é uma transformação face ao modelo anterior, e o corpo continua a ser o menor e mais leve sensor pleno disponível. Mas a ausência de estabilização, o ecrã fixo e a autonomia de bateria insuficiente são concessões sérias numa jóia que, embora cara e rara como todas as jóias, tem algum tipo de concorrência em modelos bem mais modestos para o fotórafo de rua.

Para quem quer a melhor qualidade de imagem possível num formato verdadeiramente compacto, é a câmara certa e contra factos não há grande argumentos.

Preço

4900€ (mas podem encontrá-la um pouco mais em conta em lojas conhecidas)

Tags: 35mmAnálisecâmara compactacompacta premiumfotografiafull-frameRX1R IIIsensor plenoSonyZeiss
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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