A Sony ZV-E10 vem substituir o primeiro modelo pensado quase exclusivamente para o mercado dos Vloggers, a ZV-1, que apresentava algumas limitações para ser perfeita. Será que a nova ZV-E10 mostra que a Sony percebe as críticas e melhora o menos bom? Vamos ver.

De fixa para amovível
A grande mudança está logo “à frente”, na profunda alteração de uma lente fixa que equipava a ZV-1 para a enorme possibilidade que é trocar de lente de acordo com o objectivo na ZV-E10. E isto, só por si, já mercecia um grande aplauso, pois transforma esta pequena câmara num grande adversário da gama M da Canon, para citar uma das mais vendidas para o mesmo target.

Indicada para vídeo e vlogs
A ZV-E10 baseia-se em parte na Alpha a6100, mas com outro objectivo e, portanto, não está equipada com visor EVF, não tem flash, para citar alguns elementos, mas oferece um microfone de três cápsulas de boa qualidade (que até vem com um corta-vento à parte) e conta com um visor LCD que imita o movimento da Canon M50 e abre para fora, rodando para se ver a auto-imagem
Com sistema E-mount sem espelho, podemos comprar o corpo ou optar pelo kit com a lente E PZ 16-50 mm. Mas é capaz de ser curta para os denominados “selfie blogs” que preferem uma maior abertura e mais claridade.

Mas atenção, a pega é demasiado pequena para usar uma objectiva mais encorpada, todo o conjunto fica desequilibrada e o nosso pulso depressa vai acusar essa realidade. É por isso que a Sony envia (sendo uma opção de compra até bastante cara por cerca de 150€) o mini-tripé que faz de punho designado por GP-VPT2BT Wireless Shooting Grip. Confesso que só o retirei do corpo para as fotografias, visto que faz toda a lógica e compensa tudo o que se pretende no manuseamento do conjunto.
Este punho liga-se à ZV-E10 via Bluetooth e inclui controlos para gravar clips, ajustar o zoom, e alternar ntre fundo focado ou desfocado. É um acessório quase necessário para o uso manual – segurará naturalmente a câmara mais firme com um punho de pistola – e dobra-se para um conveniente tripé de mesa.
Controlos e Interface
O topo desta Sony é muito simples: botão on/off, Modo Foto/ Vídeo/ Câmara Lenta, anel para Zoom (para a lente kit) e disparo, botão fundo focado/ desfocado e um outro rotativo para viajar pelos menus através do ecrã. Mas o que dá mais nas vistas é o grande botão com aro vermelho dedicado para vídeo.
Ao centro aloja o microfone de três cápsulas e à esquerda temos a sapata que também aceita os microfones digitais da Sony ou um microfone analógico padrão; a entrada de 3,5mm está próxima no painel do lado esquerdo.
A parte traseira é dominada pelo LCD oscilante. Os controlos físicos estão do lado direito. O Menu completo e os botões de menu Fn no ecrã estão no topo, enquanto que Play e Delete estão no fundo. Com o botão rotativo acima mencionado, ajustamos as definições. Ainda estão incluídas quatro teclas de pressão direccionais – Display, ISO, EV, e Drive.

Um ecrã pouco táctil
Os controlos físicos são complementados através de menus no ecrã, mas o apoio táctil é bastante limitado e quase que obriga a mais de um toque para cada acção. É, no mínimo, chato.
É necessário utilizar botões para navegar através dos menus no ecrã, o que se estende à muito útil interface Fn. É configurável (através do menu principal) e vale a pena aprender os passos básicos, pois vamos precisar deles.
Explico: podemos tocar no ecrã para definir um ponto de focagem, mas para conseguir algumas definições entre clips, somos forçados a trabalhar com os botões traseiros, ou seja, virar a câmara e traballhar dessa forma. É, no mínimo, pouco prático e que obriga a uma ginástica que vai fazer muita gente optar pelo modo automático e, deste modo, perder muitas das possibilidades criativas.
O visor LCD de 1,4 milhões de pontos e de 3″ é francamente bom e até apresenta um contorno vermelho à volta da moldura quando se grava vídeo. Há também uma luz de contagem no painel frontal para mais uma confirmação visual adicional de que se está a filmar.
Conectividade
ncontramos os já habituais Bluetooth e Wi-Fi para ligação a um smartphone, onde instalaremos a app Sony Imaging Edge Mobile para Android e iOS para controlo remoto e transferência de ficheiros.
Está incluída uma USB-C para ligação a um computador para transferências ou para utilização como webcam. Cumpre as normas UVC e UAC, pelo que funcionará com Macs, PCs, e smartphones Android 11.
O Streaming, ou seja, vídeos em directo para as redes preferidas, e que foi a grande novidade na ZV-1, está travado a 720p mas inclui uma alimentação de áudio. Penso que os 1080p seriam óptimos, principalmente numa área sensível como a qualidade de imagem e som através da net.
Também como ponto negativo, a ZV-E10 continua a usar a fraquinha bateria NP-FW50 da Sony que dura cerca de 80 minutos ou tira 440 fotos. Claro que quanto mais zoom e efeitos, mais depressa se esvai. O carregamento on-the-go é bastante lento, portanto, aconselho a compra de mais unidades.

A sapata
Esta sapata, toda electrónica e chipada, suporta tanto microfones digitais Sony como outros analógicos, tipo os Rode, mas aí ligando-os através do conector 3,5mm audio in.
Mas há mais: a saída Áudio pode ser usada tanto para auscultadores para monitorização (também por 3,5mm), ou enviar um sinal de vídeo limpo 4:2:2 de 8 bits para fora da porta micro HDMI para alimentar uma Atomos Ninja V ou outro gravador externo como o meu mais que fabuloso BlackMagic VideoAssist 4K.
As imagens e o vídeo são guardados em cartões SD, mas se tiverem na gaveta, tal como eu, o antigo Memory Stick Duo, também dá. E esta?

Autofocus rápido e preciso
O ZV-E10 utiliza o mesmo sistema de autofoco que outros modelos recentes APS-C da Sony, incluindo as Alphas a6100 e a6400. Mistura a detecção de fase e contraste, espalhando a cobertura por todo o quadro. O autofocus é capaz de seguir objectos uma vez “travados” e suporta a detecção facial e ocular para pessoas e animais de estimação.
Existem algumas opções afinadas para os vloggers. Uma é a Product Showcase, uma configuração de um só toque para quem faz análises de produtos e está sempre a afastá-los ou aproximá-los da objectiva. A detecção de rosto da Sony irá tipicamente ficar com o “artista”, independentemente do que se encontra entre o assunto e a câmara, mas isto dá prioridade ao foco em objectos próximos da lente. Funciona bastante bem.
Mais relacionada com a medição do que com o foco, a câmara está também sintonizada para definir a exposição com base nos rostos detectados. Isto é especialmente útil quando se grava vídeo com a mudança de luz solar para sombra, e para cenas com uma forte luz de fundo.

Imagem e Vídeo
O ZV-E10 utiliza um sensor CMOS de 24MP para tirar fotografias. É o mesmo que no a6100 e a qualidade da imagem é idêntica. Se se cingir à captura JPG, obtemos fotografias com detalhes claros através da gama padrão ISO. Se mergulhar em definições manuais, poderá ir além da ISO 6400 mas não convém. Quem preferir fotografar em RAW, pode nesta Sony.
Para vídeo, grava 4K a 24 ou 30fps à mesma taxa de gravação de 100Mbps, mas tem alguns perfis de cor adicionais, incluindo um S-Log3 plano para classificação e um HLG para reprodução HDR. No entanto, o vídeo é capturado com qualidade 8-bit, pelo que não terá tanto espaço para ajustar a cor como com filmagens de 10-bit.
A gravação em câmara lenta está disponível e é um dos grandes atractivos, mas apenas na qualidade 1080p. Está disponível no modo de filmagem S&Q (lento e rápido). Podemos gravar a 1, 4, 8, 15, 30, 60, ou 120fps com opções de reprodução de 24, 30, ou 60p.

Estabilização
A Sony optou por uma mistura de estabilização baseada em lentes e ActiveShot digital mas, mesmo com punho, já vi resultados melhores.

Conclusão
A Sony ZV-E10 deveria ter sido o primeiro lançamento específico para vloggers ao invés da ZV-1, pois tem um conjunto de características muito difíceis de bater e, se conseguirmos ter dinheiro para o punho, mais uma lente e um microfone, teremos resultados excepcionais para quem quer comunicar no Youtube ou no Twitch. O microfone embutido é fantástico e vai ser para a maior parte das situações.
Se temos a qualidade 4K a 24fps como elemento conquistador, temos a bateria de pouco duração para nos refrear o apetite. E em vez do ActiveShot, a Sony deveria ter optado por um sensor de estabilidade no corpo.
Outro ponto a rever (parece crónico da marca) é o funcionamento táctil do ecrã que supostamente serviria esse propósito. Mas ainda não é desta, sendo muito limitado. Aliás, a Sony já faz bem melhor nas suas Alphas.
Um botão para desfoque de fundo é uma das melhores características desta câmara e que seduz pela velocidade e comportamento. Mas é pena que o punho seja tão caro, pois é quase obrigatório.
Preço
640€ em lojas seleccionadas











