O Surface Laptop 4 chegou-me às mãos na sua inconfundível caixa que deixava adivinhar a continuação da regra máxima da Microsoft para esta gama: design, pureza e qualidade. E é isto que encontramos no novo Laptop 4 que pode ser adquirido em várias configurações (Intel e AMD inclusive).
Calhou-me uma mais básica, com processador Intel i5 de 11ª geração com 8GB de RAM e um disco algo confuso, como podem ver pelas fotografias: ora é de 500GB (475) ora é de 1TB (952). Estranho? Também achei, e fica a dúvida até ter tempo de telefonar para a casa-mãe.

475 
ou 952?
Este Surface Laptop 4 tem um belo ecrã táctil de 13,5” PixelSense de formato 3:2. Calhou-me a versão na cor Platina, mas podemos ser mais ousados e escolher o Preto Mate que deve ser bem bonito. Na verdade, ainda o não vi. Mas é Mate!

O cheiro a carr… computador novo
Se já entraram num carro novo, sabem que as marcas trabalham o odor particularmente para cada modelo, uma espécie de assinatura de sentidos que passado uns meses se esvai como a novidade que foi entrar nele pela primeira vez.
A Microsoft tem essa tendência e mal se retira o Surface Laptop 4 do plástico, chega-nos imediatamente um cheiro característico de “topo de gama” que nos convida a abrir a tampa e verificar o interior.
O formato de ecrã 3:2 demonstra que a casa o apontou para trabalho, esquivando-se à área mais baixa e larga de 16:9 que é ideal para visionamento de conteúdos audiovisuais.
Mas não é por isso que não pisca um olho aos sentidos, pois a imagem é francamente boa, com alto contraste e cores muito definidas, assim como a densidade de 201 ppi que dá conta do recado nas mais variadas situações.
O som também não é nada mau, tendo por comparação muitos laptops, e as colunas debitam-no com alguma pujança, muito devido ao Dolby Atmos OmniSonic integrado e colunas bastante interessantes.

A superfície 
única em 
Alcantara
O Surface Laptop 4 tem uma diferença para todos os restantes
O teclado desta linha de computadores da Microsoft optou, há muito, por escolher um acabamento em Alcantara que lhe confere todo um luxo e uma inequívoca diferença para a concorrência, mas também está disponível com painel em alumínio da cor exterior do Laptop 4.
Saliento que a versão em tecido é realmente muito confortável e duradoura, se alguém tiver dúvidas.

Experiência de utilização
Dá gosto escrever e trabalhar no Laptop 4, experiência que não difere muito das anteriores edições. Aliás, fisicamente é difícil encontrar diferenças entre o 3 e o 4, por isso, é nos pormenores que podemos ter surpresas.
Mas, muito sinceramente, nem por isso: tudo está um pouquinho melhor, com processador mais recente e tal, mas a experiência acaba por dar continuidade a uma gama bem nascida e, sabemos bem, não se mexe em quem ganha, certo?
O teclado tem um toque muito agradável, com as teclas afastadas quanto baste para um dedilhar pouco ou nada acidentado, mas é o trackpad de vidro que nos facilita muitas operações. Só depende de nós apreender as possibilidades do multitouch e seus atalhos.

Mas atenção, com uma gráfica integrada Radeon Graphics Microsoft Surface Edition de 8 núcleos, não há milagres e este não é um computador para grandes aventuras gráficas ou de edição de vídeo profissional.
Mesmo com jogos de muito “apetite” gráfico, este conjunto com apenas 8GB de RAM não chega para correr sem saltos ou pausas os títulos mais elaborados que andam por aí.
Portanto, é um belo PC para trabalho e óptimo para lazer desde que na reprodução de vídeo, internet, Youtube e demais serviços de streaming.
O novo Surface Laptop 4 também se destaca num campo muito importante para quem vive de Zoom para Duo, de Teams para StreamYard, na forma de uma câmara frontal HD integrada preparada para condições de baixa luminosidade e um conjunto de microfones para boa qualidade sonora, conjunto perfeito para as muitas videoconferências que acontecem hoje em dia.
Bateria que não acaba
É bem verdade, um verdadeiro portátil também se mede pela capacidade da sua bateria e, no caso do Surface Laptop 4, podemos contar com uma autonomia de 19 horas (13,3”) e 17,5 horas (no modelo de 15”). São números francamente bons.
Conclusão
Bonito, leve (1,3 kg), muito bem construído e com muita “pinta”, dá gosto agarrar e transportar o Laptop 4. Há qualquer coisa nele de sofisticação que enche de orgulho quem o tem e, como está apontado para quem geralmente trabalha num ambiente empresarial mas que se viu confinado a ficar em casa, ou a misturar os dois elementos, esse atributo não vai cair em saco roto.
O teclado convida à escrita, o trackpad é um mimo de sofisticação e máxima utilidade, e o ecrã táctil reforça toda a dinâmica com mais rapidez em algumas situações (e mais dedadas também).
O ecrã é francamente bom com 2,256 x 1,504 pixels de resolução, assim como todos os elementos que geralmente são deixados para trás, como a qualidade da câmara integrada, microfones embutidos e colunas de som.

Mas nem tudo é bom.
Mais uma vez, a Microsoft esquece-se que vivemos num mundo cada vez mais ligado o que significa que precisamos de conectividade. Máxima conectividade. E neste campo, os Surface sempre foram mauzinhos.

USB-A no carregador de 65W 
ligação proprietária
Reparem: apenas uma entrada USB-C, duas USB-A (uma delas no carregador, pois é), uma entrada minijack 3,5mm e um leitor de cartões MicroSD. Mais nada! É manifestamente pouco e nem uma HDMI (ou microHDMI tem), quando mais uma LAN cada vez mais necessária num mundo em que o WiFi está sobrecarregado.
O facto do formato ser 3:2 também irá criar duas barras pretas no topo e base quando reproduzimos filmes ou séries e a largura dos bezels do ecrã sugerem ser algo nascido em 2018, o que é se nota ainda mais quando o comparamos com outros laptops actuais.
Por tudo isto, tenho um mix feeling: se o adoro devido ao design, peso, qualidade de construção, teclado, ecrã e trackpad, para além do som e da bateria, a falta de conectividade afasta-o das minhas necessidades diárias.

Por outro lado, e querendo terminar numa nota positiva, o Microsoft Surface Laptop 4 pode ser a máquina ideal para quem leva o trabalha para casa e quer transportar um computador que responda muito bem às necessidades do dia a dia, tanto em trabalho de escritório quanto para momentos de puro lazer.








