A Audemars Piguet e a Swatch não são marcas que precisem de apresentação. A primeira é sinónimo do Royal Oak, um dos relógios mais influentes da história da relojoaria, lançado em 1972 pelo designer Gérald Genta – que teve a ideia algo irreverente de fazer um relógio de luxo em aço inoxidável com parafusos à vista na luneta octogonal.
A segunda democratizou o relógio de plástico suíço nos anos 80 e, desde a colaboração com a Omega (a MoonSwatch, em 2022), percebeu que há mercado enorme para fazer pontes entre o inacessível e o quotidiano. A colecção Royal Pop, apresentada esta semana, é exactamente isso: uma ponte com muito bom humor.
Do pulso para o pescoço ou para onde quiser

O primeiro aspecto que distingue a Royal Pop de qualquer colaboração anterior é a forma. Não é um relógio de pulso. É um relógio de bolso – um formato que a maioria das pessoas só conhece de filmes passados no século XIX ou de avôs com coletes. A Swatch e a Audemars Piguet reinterpretam-no com um cordão em pele de alta qualidade com costura contrastante, disponível em três comprimentos, que permite usar o relógio ao pescoço, no pulso, pendurado numa mala, preso a um casaco ou simplesmente guardado no bolso como manda a tradição. Há ainda um suporte amovível que transforma qualquer modelo num relógio de secretária. A ideia é simples: não há regras sobre como o usar, e isso, para um objecto de alta relojoaria, é genuinamente subversivo.
O Royal Oak em oito versões Bioceramic








A colecção é composta por oito modelos – e o número não é arbitrário. O Royal Oak tem uma caixa octogonal com oito parafusos na luneta, e a Royal Pop presta homenagem a esse detalhe em cada decisão de design: oito modelos, oito lados, oito patentes adicionais só para a construção da caixa. O padrão “Petite Tapisserie” do mostrador – aquela textura em relevo que cobre os quadrantes Royal Oak desde a origem – está presente em todos os modelos, assim como os oito parafusos hexagonais na luneta. No modelo branco chamado HUIT BLANC, esses parafusos aparecem em oito tonalidades diferentes, o que é ao mesmo tempo um excesso calculado e uma declaração de intenções.
Os relógios são fabricados em Bioceramic, o material que a Swatch tem usado nas suas colaborações de topo: dois terços de pó cerâmico e um terço de material derivado do óleo de rícino, o que resulta numa textura suave, resistente e ligeiramente diferente do plástico convencional. Os vidros, tanto na frente como no fundo da caixa, são de safira com revestimento antirreflexo – um detalhe que se encontra habitualmente em relógios a preços muito superiores.
O SISTEM51 e o tambor que avisa quando precisa de corda

Por dentro, todos os modelos Royal Pop são movidos pelo SISTEM51, o movimento mecânico de corda manual da Swatch que tem a particularidade única de ser montado de forma completamente automatizada – o único movimento Swiss-made no mundo com essa característica. Tem mais de 90 horas de reserva de energia, mola de balanço Nivachron antimagnética (desenvolvida em colaboração com a própria Audemars Piguet, e presente em vários modelos da marca suíça de luxo) e ajuste de precisão feito a laser em fábrica.
Há um detalhe particularmente elegante no mostrador: o tambor da reserva de energia – a peça que armazena a tensão da mola – funciona também como indicador visual. Quando as câmaras do tambor estão cinzentas e as espirais da mola são visíveis, está na hora de dar corda. Quando ficam douradas e opacas, o relógio está com corda total. É funcional, é bonito, e é o tipo de pormenor que convida a olhar mais vezes para o relógio.
Os oito modelos dividem-se em dois tipos: seis no formato Lépine, com a coroa na posição das 12 horas e dois ponteiros simples de horas e minutos; e dois no formato Savonnette, com a coroa nas 3 horas e um pequeno mostrador de segundos nas 6 horas. A diferença é subtil em fotografia, mais evidente na mão.
Audemars Piguet Swatch Royal Pop em Portugal
A colecção Audemars Piguet × Swatch Royal Pop estará disponível em Portugal a partir de sábado, 16 de Maio de 2026, nas lojas Swatch do Centro Colombo, em Lisboa, e do NorteShopping, no Porto. Como aconteceu com a MoonSwatch em 2022 – que gerou filas de várias horas em todo o mundo –, a Swatch aplica a mesma regra: apenas um relógio por pessoa, por dia e por loja. A Swatch não divulgou preço no comunicado oficial, mas tendo em conta o posicionamento e o historial de colaborações anteriores, será de esperar um valor entre os 300 e os 400 euros.





