Não vi os Globos de Ouro 2021 em directo. Havia possibilidades, claro, escondido por uma VPN ou DNS de outrem que não a operadora, mas decidi deixar passar e ver de manhã se as minhas apostas estariam certas. Estavam.
Desta vez escrevo sobre o cinema. Em relação aos prémios TV, bom, isso dá pano para mangas e não estou muito satisfeito. Ficará para amanhã.

Nomadland, a dura realidade dos EUA
Trump decidiu vincar, de forma definitiva, as duas américas. A dele, ignorante, afastada, deslumbrada e enganada, e a outra, ignorante, afastada, deslumbrada e enganada.
Qual é a diferença entre ambas? A ignorância, o afastamento, o deslumbramento e o engano. Estão nos extremos e é por isso que há divisão.
Nomadland mostra a américa pequena, a que ninguém quer ver ou viver, a abandonada, sacrificada, esquecida, empobrecida e real. A américa que só surge em dramas reais quando são muito graves (tiroteios, chacinas, falência de cidades e breves passagens por terreolas fantasma).
Se o embate é, para alguns, brutal, para muitos é quase coloquial, como se fosse uma missa, uma viagem a Fátima, com ou sem rumo, como também a é a vivida pela protagonista, uma excelsa (quando o não é?) Frances McDormand.

O Globo foi para Chloé Zhao, a primeira asiática a receber este galardão.
Mas se Nomadland venceu na categoria dramática, na “musical ou comédia” a história foi outra.
Sacha Baron Cohen, premiado no regresso de Borat
Por muitos adorado (para mim é um boneco fora de série), Borat é também odiado. E está tão colado ao seu criador, Sacha, que muita gente não o suporta como actor e, pasme-se, como criador.

Fazem mal, é um extraordinário actor também dramático e isso vê-se bem este ano, num outro título em que interpreta o activista político Abbie Hoffman no extraordinário “The Trial of the Chicago 7” que venceu o Globo de melhor Argumento (Aaron Sorkin).
Curiosamente, estava convencido que seria neste que Sacha seria agraciado, mas foi com o regresso de Borat que ganhou o prestigiado prémio.
Póstumo, mas merecido
O prémio para melhor actor (Filme, Drama) foi para o malogrado Chadwick Boseman no fenomenal “Ma Rainey’s Black Bottom”, quase teatro filmado com longos e asfixiantes (no bom sentido) diálogos entre quatro das personagens principais.

Mas como falar deste filme sem mencionar o papelaço de Viola Davis que merecia também um Globo pela sua impressionante actuação?
Melhor actriz (filme, drama)
Calhou a Andra Day em “The United States vs. Billie Holiday” mas… não vi, portanto, não posso opinar.

Mas dos que vi, Viola Davis e Frances McDormand mereciam o globo. Mas desde que me senti enganado em “Amadeus”, em que Salieri ganhou o boneco ao estridente Mozart (era jovem e não sabia destas coisas dos nomeados), nunca me fez sentido alguns papeis não serem considerados principais.
A música está bem entregue e cheia de Alma
Trent Reznor e Atticus Ross assinam uma das mais belas bandas sonoras originais dos últimos tempos, “Soul”. Tiveram a colaboração de Jon Batiste, o maestro que comanda a banda Stay Human que actua para The Late Show com Stephen Colbert.

Movies
Best Motion Picture, Drama
Best Motion Picture, Musical or Comedy
Best Director, Motion Picture
Chloé Zhao, “Nomadland”
Best Performance by an Actress in a Motion Picture, Drama
Andra Day, “The United States vs. Billie Holiday”
Best Performance by an Actress in a Motion Picture, Musical or Comedy
Rosamund Pike, “I Care a Lot”
Best Performance by an Actress in a Supporting Role in Any Motion Picture
Jodie Foster, “The Mauritanian”
Best Performance by an Actor in a Motion Picture, Drama
Chadwick Boseman, “Ma Rainey’s Black Bottom”
Best Performance by an Actor in a Motion Picture, Musical or Comedy
Sacha Baron Cohen, “Borat Subsequent Moviefilm”
Best Performance by an Actor in a Supporting Role in Any Motion Picture
Best Screenplay, Motion Picture
Aaron Sorkin, “The Trial of the Chicago 7”
Best Original Score, Motion Picture
Trent Reznor, Atticus Ross and Jon Batiste, “Soul”
Best Original Song, Motion Picture
“Io Sì (Seen),” “The Life Ahead”
Best Motion Picture, Animated
Best Motion Picture, Foreign Language
“Minari”





