A HONOR chegou ao Mobile World Congress 2026 com uma agenda ambiciosa e três conceitos que resumem bem para onde a marca quer ir: um smartphone que se move como um robot, um dobrável que redefine o que se pode pedir a uma bateria, e um robot humanóide que a empresa apresenta como o próximo passo natural do seu ecossistema. Há muito para desembrulhar.
Robot Phone: o smartphone que não fica quieto

O anúncio mais inesperado – e, convenhamos, o mais difícil de imaginar no bolso das calças – é o Robot Phone. A HONOR descreve-o como “uma nova espécie de smartphone”, e desta vez a expressão não é apenas marketing: o dispositivo tem um sistema de gimbal integrado com quatro graus de liberdade (isto é, consegue mover-se em quatro direcções de forma independente), movido por um micro motor desenvolvido internamente pela marca.

Na prática, o que isto significa é que o telemóvel consegue seguir o utilizador com a câmara de forma autónoma, estabilizar vídeo mesmo em situações de movimento intenso, e executar rotações de 90° e 180° para transições cinematográficas. Há também um modo de rastreamento de objectos por inteligência artificial, que mantém o sujeito em foco sem que seja necessário mexer na mão. Para quem faz vídeo com o telemóvel e está farto de precisar de um tripé, a proposta tem lógica.

O sensor de câmara principal é de 200 megapixéis, e a combinação com o gimbal mecânico é claramente pensada para elevar a qualidade de vídeo a um nível próximo do que se associa a equipamento dedicado. Mas o Robot Phone não se fica pelo aspecto funcional: a HONOR diz que o dispositivo responde com “linguagem corporal emocional” – acenos de cabeça, movimentos expressivos e, sim, é capaz de dançar ao ritmo da música. Difícil saber se isto é genial ou levemente perturbador. Provavelmente as duas coisas.
HONOR Magic V6: o dobrável com a maior bateria da sua categoria

Se o Robot Phone é a exploração futurista, o HONOR Magic V6 é a proposta que chegará ao mercado ainda este ano e que tem especificações para fazer a concorrência tomar nota. O destaque absoluto é a bateria de 6.660 mAh num dobrável com apenas 8,75 mm de espessura – um feito de engenharia possível graças à tecnologia de bateria de silício-carbono de quinta geração desenvolvida em parceria com a ATL.
O silício-carbono, para quem não está familiarizado com o termo, é uma tecnologia de células de bateria que permite armazenar mais energia no mesmo espaço físico – e a HONOR usa aqui uma concentração de 25% de silício, um dos valores mais elevados disponíveis actualmente num dispositivo dobrável.
No MWC, a marca apresentou ainda uma nova “Blade Battery” de silício-carbono com 32% de silício e densidade energética superior a 900 Wh/L, sinalizando que ainda há margem para avançar nesta tecnologia.
Os ecrãs acompanham o nível de ambição: 6,52 polegadas no exterior e 7,95 polegadas desdobrado, ambos com tecnologia LTPO 2.0 (taxa de actualização adaptativa entre 1 e 120 Hz, que poupa bateria ao ajustar automaticamente a fluidez do ecrã consoante o conteúdo), brilho máximo de 6.000 nits no exterior e 5.000 nits no interior.
O ecrã interno em vidro flexível tem certificação SGS de vinco minimizado e uma redução de 44% nas marcas de dobra face à geração anterior – o que é relevante porque uma das maiores críticas históricas aos dobráveis é exactamente o vinco visível ao centro do ecrã.
O processador é o Snapdragon 8 Elite Gen 5 – o mesmo que equipa os melhores flagships Android de 2026 –, com sistema de arrefecimento por câmara de vapor para gerir o calor em sessões de jogo ou edição exigentes. Certificação IP68 e IP69 completam o quadro, garantindo resistência a imersão e a jactos de água de alta pressão.
MagicPad 4 e MagicBook Pro 14

A HONOR não veio a Barcelona apenas com smartphones. O MagicPad 4 é um tablet ultra-fino de 4,8 mm com ecrã OLED de 12,3 polegadas em resolução 3K e taxa de actualização de 165 Hz – valores que rivalizam com o que existe no topo do mercado –, alimentado pelo Snapdragon 8 Gen 5 e com ferramentas de multitarefa potenciadas por inteligência artificial. Uma nota de interesse para os mais técnicos: o tablet suporta correr Linux através das opções de programador, o que abre portas a utilizações mais avançadas do que o Android convencional permite.

O MagicBook Pro 14 é o portátil da linha, com processadores Intel Core Ultra Series 3, ecrã OLED de 14,6 polegadas e foco declarado em portabilidade e autonomia para uso profissional prolongado. Ambos os dispositivos integram as funcionalidades de colaboração entre equipamentos que a HONOR tem vindo a desenvolver, incluindo interoperabilidade com o ecossistema Apple.
E havia também um robot humanoide
Quase como nota de rodapé – mas uma nota de rodapé que pesa –, a HONOR apresentou o seu primeiro robot humanóide. A marca posiciona-o em três cenários de uso: assistência em compras, inspecções em ambientes de trabalho e companhia de apoio. O argumento diferenciador face a empresas de robótica tradicionais é que a HONOR traz consigo anos de dados e conhecimento sobre o comportamento dos utilizadores, recolhidos através dos seus smartphones – o que, em teoria, permitiria a estes robôs reconhecer as pessoas e antecipar as suas necessidades desde a primeira interacção. Em teoria.
Em suma
A HONOR chegou ao MWC 2026 com uma das apresentações mais variadas e conceptualmente ambiciosas da feira. O Robot Phone é, para já, um conceito com data de lançamento por confirmar, mas a tecnologia de gimbal integrado e os 200 megapixéis são reais e apontam para onde a fotografia mobile pode ir a seguir.
O Magic V6 é o produto concreto mais relevante: um dobrável com bateria recorde, ecrãs de topo e o processador mais rápido disponível – para quem quer um dobrável sem compromissos, ficará no radar.
O robot humanóide é ainda uma promessa mas a HONOR nunca fez tantos anúncios diferentes numa única apresentação, e isso, por si só, diz algo sobre a fase em que a empresa se encontra.





