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Podcast Inoxcromo: No futuro seremos um filtro do Instagram

João Gata por João Gata
Março 4, 2020
Spark AR

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Uma jovem de 19 anos está viciada nos filtros do Instagram. Usa-os para se recriar e aumentar a auto-estima. Para onde caminhamos?

Inoxcromo: No futuro seremos um filtro do Instagram
http://No futuro seremos um filtro do Instagram

Estive a ler um artigo do jornalista britânico que versa sobre tecnologia, Chris Stokel-Walker, que apontou um caso extremo de uma vida com imagem artificial à conta dos filtros do instagram.

OUVIR O PODCAST: CLICAR AQUI

Recentemente, ele descobriu uma jovem de 19 anos, de nome Manilyn Macalos, que vive o seu dia a dia dentro do Instagram, ou seja, já deixou de ser uma pessoa real, com vida normal, para passar a ser o seu próprio avatar online.

Macalos usa e abusa de todos os filtros que o Instagram fornece desde os animados aos mais folclóricos, dos embelezadores aos coloridos.

A jovem admite que é viciada nestes filtros e procura sempre a novidade para poder usar um bigode numa certa selfie ou asas de borboleta numa outra.

Como é lógico, e num tempo em que a mentira visual é mais atraente que a realidade, ou seja, uma bocheca rosada é melhor que o acne, Macalos guarda uma colecção que considera necessária para a sua própria existência, que são geralmente embelezadores artificiais, através dos quais pode moldar o nariz, o tamanho dos olhos, das pestanas, aumentar os lábios, etc.

Real VS virtual

Quando alguém lhe pergunta se não vê esta fórmula como algo doentio, Manilyn Macalos responde com espanto num sonoro e afirmativo “claro que não!”

Macalos não vive sozinha neste mundo faz de conta. Milhares, quiçá milhões, de pessoas usam diariamente software e aplicações que mudam o corpo, tiram barriga, aumentam os glúteos, incham os lábios, mudam o cabelo, etc.

Uma das apps mais conhecidas, e usadas por muitos socialites da praça mundial, é o Facetune que serve para emagrecer artificialmente quem se preocupa em ser o que não consegue.

Mas será que esta moda é passageira?

O que nos diz o futuro?

Este passa por filtros baseados em realidade aumentada, ou seja, todos nós, dependendo do conhecimento técnico ou situação em que estamos envolvidos, podemos criar os nossos próprios filtros com o objectivo de fazer uma Storie que, sabemos, chega a mais pessoas que uma fotografia publicada na plataforma.

Assim sendo, os filtros podem ser tão poderosos que cada um de nós pode transfigurar por completo a sua cara, substituindo os olhos por relógios, a boca por buracos negros, um mundo infinito de possibilidades.

Para percebermos como este novo mundo está a ser levado a sério, existe uma comunidade com mais de 50 mil membros que publicam os novos filtros na plataforma Spark AR.

Imaginem transformar a nossa cabeça num relógio de cuco e, quando a abanamos, o cuco sai do nariz e faz “cuco cuco”. Pois isso é possível e será um sucesso numa storie do instagram.

which disney character am i instagram filter

Um dos filtros mais conhecidos foi criado por Arno Partissimo, um fotógrafo e videomaker belga, com o título

“Que personagem da Disney você é?”

O filtro projectava um espelho por cima da cabeça de alguém qu se filmasse, mudando a nossa cara para uma aleatória personagem Disney, como se fosse uma slot machine. Depois, captava as reacções de quem era apanhado como rato Mickey ou Tio Patinhas.

Estas reacções, que são instantâneas, alegram quem as faz mas também quem as vê, tornando mais viral um vídeo que foi feito de forma totalmente artificial.

Por ser divertida, também convida os mais temerosos a usarem-na, estando a ser apontada como uma ferramenta para combater o FOMO, ou seja, o Fear of Missing Out, que em português significa o medo de ficar de fora ou perder alguma coisa, tema que foi debatido numa M-Talks do Festival Mental 2019 e cujo filme-tema escolhido, Ingrid Goes West, fez chorar e rir muitos dos espectadores, confrontados com a sua própria realidade.

Ingrid Goes West
Ingrid Goes West

O sucesso deste filtro tem ainda outras razões para além de ser divertido e capaz de surpreender.

Podemos, por exemplo, incarnar numa personagem, herói ou vilão, sexy ou intelectual, atlético ou anafado, tudo é possível para conseguir sucesso viral. E se a coisa correr mal, podemos sempre responder que foi uma experiência que não correu bem.

E como é uma Storie, passado um dia já desapareceu na nossa cronologia

Regressando à jovem Manilyn Macalos, é da flexibilidade interpretativa que se fala, pois para esta adolescente de 19 anos, usar filtros rápidos é como passar horas no photoshop para retirar imperfeições e melhorar alguns atributos. Nenhuma fotografia que é publicada nos media é real, tudo é trabalhado para parecer bem melhor que a realidade.

Portanto, o que impede um jovem de fazer o mesmo pela sua imagem que é, aliás, a sua auto-estima?
Makalos diz que se sente 10 vezes melhor depois de publicar uma selfie filtrada, principalmente se usar os filtros que percebe que as estrelas sociais utilizam.

Estes filtros permitem brincar com a própria identidade o que, pelos vistos, é muito importante para os adolescentes, mas há que ter muito cuidado com as repercussões e há quem peça um maior cuidado neste tipo de operação plástica digital.

É que estes filtros, muito eficazes em transformar o feio em bonito, não irão traduzir o impacto real da vida que afinal existe fora das aplicações e smartphones.

E o que pode começar por ser divertido, pode terminar num enorme problema de auto-estima através de uma imediata rejeição social cujas pessoas não estão preparadas para aceitar e conviver com o que é, afinal, natural e normal.

Tags: Arno PartissimodisneyinoxcromoinstagramInstagram filtersManilyn MacalosSpark AR
João Gata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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