Se em Berlim estive na conversa com o todo poderoso Neil Hunt, Chief Product Officer da “revolução” Netflix, a troca de ideias e informação prosseguiu em Lisboa na presença de Carlos Gómez-Uribe, Vice-Presidente de Inovação de Produto e Personalização de Algoritmos.
Mas porque existe toda esta euforia ao redor do canal conhecido pela excelência de conteúdos televisivos, que é famoso por produzir algumas das séries de maior qualidade e importância da actualidade e que, quase sozinha, está a conseguir travar o grande problema que é a partilha de ficheiros ou visualizações em streaming, vulgo “pirataria”?

Passa-se que será já em Outubro, com data ainda no segredo dos deuses, que a plataforma se estreará am alguns países do sul da Europa, nomeadamente Portugal.
Breve explicação do conceito Netflix:
É um serviço de streaming de conteúdos audiovisuais (séries e filmes) que através de uma box de operadora ou aplicativo na smartTV oferece acesso a um imenso catálogo, através de várias plataformas, e com diverso tipo de qualidade (normal a 4K) em que o utilizador pode, finalmente, controlar quando e onde quer ver o episódio da série preferida ou o filme do momento.
A Netflix está disponível em três plataformas: TVs, smartphones/tablets e computadores, categorias importantes e generalistas.
A aplicação tem pilares fixos: tecnologia, interface e algoritmo para recomendar películas e que é uma parte principal da personalização dos conteúdos para criar partilhas com foco num determinado tipo de consumidor. Em cada conta podemos criar até cinco perfis que podem, a título de exemplo, ser o pai, a mãe, o júnior de 10 anos, o mais pequeno de quatro e, ainda um convidado que geralmente fica lá em casa (ou como está na moda, que aluga o sofá).
Se a conversa com Neil Hunt se desenrolou à volta da política comercial, vantagem da plataforma e qualidade do produto (produção, desenvolvimento, mercado in/out e out/in), com Carlos Gómez a conversa foi mais técnica e incidiu sobre o tal conjunto de algoritmos que faz parte (e é) da experiência Netflix. Como somos conduzimos para este ou aquele título ou género, porque somos inseridos no grupo de consumidores tipo A ou D, etc. Tudo começa… no princípio, como o verbo. E neste caso somos convidados mal ligamos o serviço a escolher três de oito títulos para um primeiro processo de reconhecimento. A partir daí, toda a interacção que vamos tendo com o serviço é analisado ao pormenor e através dos tais algoritmos, o sistema percebe quem somos e do que gostamos, mostrando nos menus o que pensa que iremos gostar. Existem vários algoritmos, como recomendações por ranking personalizado, por exemplo.

A estrutura de menus é praticamente a mesma para todos os dispositivos e pode ser controlada por vários controladores, como joysticks de consolas a APP de smartphone. Podemos escolher fazer uma pesquisa por categorias, título, género, actor, etc.
Cada página tem numa estrutura diferente. O algoritmo sabe o que o utilizador fez, em que parte deixou o episódio, o que quererá ver a seguir, etc. E independente dos perfis associados à conta, o algoritmo trata de cada utilizador/perfil de forma pessoal. Não é fenomenal?
80% das escolhas são feitas através das recomendações e 20% através da busca directa com menu duplo: teclado alfanumérico reforçado por imagens das séries/filmes de cada letra ou conjunto de letras. Podemos buscar por género, actor, realizador, género ou por conceito, palavra, etc.
O interface para as crianças é visualmente atractivo e muito mais simples. Os conteúdos são apropriados para o segmento, não sendo necessário criar passwords ou bloqueios (mas tal é também possível).
O sistema de buffering e streaming analisa a largura de banda disponível e resolve automaticamente a melhor resolução para aquele preciso momento. Daí que seja fácil num mercado como o português, onde muitos consumidores já têm uma excelente ligação à internet, conseguir visionar os conteúdos até em qualidade 4K (naturalmente em televisores compatíveis).
E a pirataria?
É uma questão importante e interessante. Os mercados onde a Netflix marca presença têm uma tendência imediata de decréscimo de troca de ficheiros P2P ou utilização de sites de streaming online. O valor justo da mensalidade e a qualidade da aplicação são motivos fortes para a mudança. Têm-se registado essas mudanças em todos os mercados onde o serviço é disponibilizado e os responsáveis da Netflix têm a certeza que em Portugal não será diferente.
Mesmo o mentor do Popcorn Time (que garante ter pensado no sistema/esquema para que a sua própria mãe assistisse ao que queria ver com maior facilidade) tem vindo a terreiro afirmar que esta é uma nova realidade e que, possivelmente, “a pirataria acabará quando a Netflix estiver presente em todos os mercados“.
Tanto em Berlim como em Lisboa, perguntei se o mercado português poderia ganhar com este novo serviço, se seriam escolhidos actores ou profissionais locais para legendagem ou dobragem. Mas deverá ser difícil que a Netflix venha a ser um empregador, pois tem nas suas várias dependências um enorme conjunto de colaboradores, de várias nacionalidades, que se encarregarão do assunto desde a Califórnia a Madrid, através das sinergias montadas e muito eficazes.
Para terminar, eis o que se sabe desde já: existirão três perfis: 1 stream com SD; 2 streams com HD; 4 streams com 4K.
Os preços poderão rondar os 7,99, 8,99 e 11,99 euros, respectivamente, a ver pelos praticados em França.
Falta pouco para o “meados” de Outubro.
PS: séries como House of Cards ou Orange is the New Black, entre outras, não serão disponibilizadas através da Netflix, mesmo sendo originais da produtora. E isto porque, à altura que foram produzidas, os direitos de transmissão foram comprados por terceiros, como em Portugal. Esta situação, agora que a Netflix chega a Portugal, tenderá a ser mitigada ao longo dos meses.





