Já passei uns dias com os Samsung Galaxy Z Fold 3 e Z Flip 3 e posso desde já afirmar que tenho, de longe, um preferido. Quer dizer, se fosse a comprar, sei qual era. Se me dessem a escolher de borla, enfim, ficaria com dúvidas. Talvez. Algumas. Não sei. Se calhar mantinha a primeira preferência.
Uma coisa é certa: ambos são dobráveis e espectaculares e um serve para uns e outro serve para outros. Parece simples, não é? Ou mesmo uma redundância. Mas a conclusão não é simples.

Fold ecrã frontal 
Fold ecrã principal 
Flip 3
Samsung Galaxy Z Fold 3 vs Galaxy Z Flip 3: Design e ecrã
Um dos grandes avanços relativamente às duas novas versões (não esquecer que o Fold vai mesmo na terceira geração enquanto o Flip saltou a segunda), é a classificação de resistência à água IPX8, o que significa que podem ser submersos em até um metro de água durante cerca de 30 minutos. Imaginem as fotos dentro da piscina! Perfeito para os denominados influencers que retratam o dia a dia como se não houvesse amanhã e mostram as fabulosas férias que passam de borla para fazerem exactamente este tipo de trabalho.
Não obstante, este é daqueles passos evolutivos que demonstram toda a capacidade técnica da marca, pois estamos a falar de dobráveis com dobradiças e espaços e essas coisas todas. É brilhante!
A utilização de uma nova película PET sobre o vidro ultrafino (UTG) aumenta a durabilidade de ambos os modelos até 80%. Mais um teste para os auto-denominados influencers.



Lado a lado
Construção
Ambos os telefones são feitos a partir de uma combinação de vidro e alumínio, seguindo a mesma tendência de qualquer outro topo de gama.
Começando pelo Z Flip 3, a grande modificação visual é o maior ecrã frontal (quando fechado), agora com 1,9”, com mais widgets pré-instalados a que podemos acrescentar mais um ou dois e que também funciona como visor para a configuração de câmara dupla.
Confesso que tive problemas nesta questão por não ler o manual de instruções… ou lê-lo. Dizia que tocando duas vezes no botão Power (que duplica função como ID), ligava as câmaras frontais com ele fechado. Mas nunca consegui e até dei valente barraca ao dizer à Samsung que a máquina estava com defeito. Veio outra e depois entendi que tinha de seleccionar primeiro e no menu de duplo toque, essa mesma função. Imaginem como fiquei…
Mas tudo muda quando o “flipamos”, pois somos brindados com um ecrã de 6,7” com uma taxa de actualização de 120Hz. Isto é uma enorme melhoria em relação ao Z Flip 5G, uma vez que este estava limitado a apenas uma taxa de actualização de 60Hz.
Passando ao Z Fold 3, está mais fino e mais leve do que o seu antecessor. O ecrã frontal tem 6,2”, mas agora oferece uma taxa de actualização de 120Hz para igualar o ecrã principal. Por falar nisso, esse 4:3 permanece do mesmo tamanho, vindo com um AMOLED de 7,6” com uma taxa de actualização de 120Hz adaptativa às necessidades das aplicações utilizadas à altura.
Formatos diferentes para targets diferentes
Não pdemos ser justos e comparar Flip e Fold taco a taco. Afinal, um custa o dobro do outro e por alguma razão.
Se de um lado temos um dobrável que fechado cabe no bolso mas obriga à abertura para a funcionalidade perfeita, o que equivale a ter um smartphone tradicional em termo de medidas, do outro lado um dobrável com dois ecrãs, um que faz de smartphone e que é frontal e outro que aberto convida ao trabalho e visualização de conteúdos.
Mas, e aqui entre nós, já conheço duas pessoas que se adaptaram bem ao ecrã exterior e confessaram que é raro abrirem o Fold. Então, pergunto, qual a necessidade de ter um?
Quando os analisei, o ecrã principal estava sempre aberto, pois era exactamente essa função que o torna especial. E mesmo grande, não me adaptei imediatamente à utilização do ecrã principal. Será pelo conjunto dos dois segmentos serem mais pesados e grossos?
Desempenho
Ambos estão equipados pelo melhor processador da Qualcomm, o Snapdragon 888. O primeiro só é oferecido com 8GB de RAM, enquanto o segundo é “limitado” a 12GB, tal como o Z Fold 2.
No armazenamento, ambos os dispositivos têm duas configurações. O Flip surge com 128GB ou 256GB e o Fold com 256GB ou 512GB, respectivamente. Nenhum dos dispositivos inclui armazenamento expansível, o que na versão 128 do Flip pode causar mossa.

Software e Características
O One UI da Samsung equipa ambos os smartphones que estão neste momento a ganhar a versão 4 que acompanha o Android 12. Este novo sistema deve melhorar as capacidades de ambos e trazer muitas novidades, principalmente ao Fold 3 com a possibilidade de rearrumação e extraordinária personalização de widgets e temas.
E digo isto pois já utilizo o novo interface no S21Plus que falha num motivo: não é nem nunca será compatível com a nova S Pen que a Samsung desenvolveu e que vai servir que nem ginjas o fluxo de trabalho no Fold 3.
Atenção, escrevi nova S Pen pois a que tem vindo a equipar os Notes e os tablets. E porquê? Por causa da dobra no ecrã principal do Fold 3.
Para ultrapassar possíveis problemas, a marca introduziu duas novas opções com a S Pen Fold Edition e a S Pen Pro. Ambas têm pontas retrácteis que foram concebidas para funcionar sem falhas. Infelizmente, a Samsung não integrou o digitalizador Wacom no Z Flip 3, o que significa que “o mais pequeno” não está preparado para esse acessório.
Outra característica limitada ao Fold 3 é a secção “Labs” encontrada dentro da aplicação Settings. Ou seja, uma espécie de atalho rápido para as Apps mais utilizadas mesmo quando se trabalha numa outra ou em mais. O verdadeiro multitasking com uma doca personalizável no ecrã, muito semelhante à aba lateral a que a marca nos habituou.
É neste campo que tenho de escrever sobre uma das maiores vantagens dos ecrãs dobráveis que se denomina Modo FLEX. Ou seja, dividir o ecrã que serve como base para ter funções para a parte de cima. Por exemplo, quando vemos um vídeo na metade aberta para cima, temos controlos vários na parte do ecrã que está apoiado na mesa.
Uma das funções mais práticas são as chamadas vídeo, ou zooms e etc. A parte que está “de pé” tem a imagem de quem conversamos enquanto na base podemos ir escrevendo textos, emojis, etc.
Câmaras
Pois este é um grande problema. Estamos a falar de terminais que custam mil euros ou dois mil euros e, por conseguinte, esperamos tudo o que a marca tem de melhor, principalmente numa secção tão importante quanto as câmaras.
Infelizmente, a Samsung poupou recursos exactamente nesta categoria e, por exemplo, o Flip 3, por muito que me encante, não é tão bom como eu desejo que um smartphone deste preço seja. Atenção, as fotos continuam de extrema qualidade, mas não são o último grito como encontramos nos dois S21 de topo. “Apenas” duas objectivas de 12MP (grande angular e ultra grande angular)
O Z Fold 3 está equipado com três sensores de 12MP (sensor principal, ultra grande angular e telefoto com zoom óptico X2) o que está longe do aclamado S21 Ultra
Duração da bateria
Este é outro calcanhar de Aquiles dos dobráveis, mas percebe-se bem o porquê: dois corpos gastam mais que um, certo? O Z Fold 3 tem uma bateria com 4400mAh e o Z Flip 3 apenas com uns parcos 3300mAh. Em ambos os casos, podem durar um dia, mas depende da utilização. O maior ecrã do Fold 3 é um sorvedouro e até a recarga é de apenas 25W no Fold 3 e 15 W no Flip 3. Ah, e já sabem, carregadores fora da caixa…
Ambos os aparelhos estão, contudo, equipados tanto com carregamento sem fios Qi de 10W como com carregamento sem fios invertido de 4,5W. Dá para uma recarga rápida dos auriculares para não ficarmos sem sumo durante o resto do dia.
Ângulos
Resumindo e concluindo
Chega a altura para afirmar qual compraria e a resposta é (tarararaammm) o Z Flip 3!
Pequeno, cabe no bolso, deu um enorme salto em relação à primeira e única versão (na verdade este Flip é o segundo e não o terceiro da linhagem), corrigiu alguns erros, como o ecrã frontal que agora é maior, mais útil e informativo, e tem um sex appeal inconfundível.
Também deixou de ser um smarphone pensado para o mercado feminino, pois qualquer macho latino se orgulhará de “flipar” o ecrã e ouvir o click quando o fecha.
A qualidade do ecrã é fantástica, as câmaras são suficientes para o dia a dia, mas é o modo Flex que tudo muda e que nos permite fazer algumas brincadeiras. Não esquecer a vista de realizador que também pode ser uma mais valia para os denominados “produtores de conteúdos”.
Acima de tudo é pequeno, leve e transportável, com três acabamentos/cores à espreita. Curiosamente, o meu preferido é o bege. Vá-se lá entender.

O Fold 3 é apresentado como uma ferramenta de trabalho multidisciplinar, um porta aviões que até tem caneta compatível (paga à parte) e que tem um PVP a condizer: cerca de 2000€ é mesmo para quem prefere um smartphone de trabalho a um laptop topo dos topo de gama. E aqui é difícil ter uma posição clara.
Acho fantástico um smartphone ser como o Fold 3. Mas se gostava de ter um? Não. Não me consegui adaptar ao tamanho e peso e ainda menos ao ecrã frontal. Quem o tem diz que é uma questão de habituação, mas mesmo os 15 dias que o utilizei não foram suficientes.
Ver filmes também não é a melhor das características, pois o formato 4:3 do ecrã cria duas imensas barras pretas que fazem a imagem diminuir drasticamente de tamanho para poder oferecer o 16:9, portanto, também não é por aí e prefiro qualquer tablet em qualquer momento (tenho até um S6 da marca que é fantástico e mais que suficiente para multitarefa e já tem caneta S Pen embutida).

Portanto, e muito sinceramente, o target do Fold 3 é diminuto enquanto o Flip 3 é um sucesso de vendas. Mas é uma questão de perceber as reais necessidades e para quem gosta de rabiscar, como eu, num telefone, talvez encontrar o Note 20 seja ainda uma boa opção (talvez mesmo a última com caneta embutida).
Não me vou alargar nas características técnicas, pois são longas, e estão disponíveis no site dedicado da marca, clicando aqui.
Por último, salientar que a Samsung vai muito à frente neste campeonato e começa a ser copiada pelas marcas chinesas, como a OPPO e a TCL que já mostraram protótipos “enroláveis” e adoráveis, mas que vão seguir as trends sul-coreanas. Porque, afinal, já existem, não é? Deixo de fora o Huawei porque nunca foi lançado por cá e porque acho que o formato é demasiado frágil.
Preços e versões
Os PVPs já sabem, são altos, mas na oferta de lançamento traziam ofertas fantásticas.
Samsung Galaxy Z Flip 3: 128GB / 8GB 999,90 € · 256GB / 8GB 1.149,90 €
Samsung Galaxy Fold 3: 256GB / 12GB 1.859,90 € · 512GB / 12GB 1.959,89 €
Atenção que alguns preços podem ser encontrados mais baixos em algumas campanhas e lojas.
E atenção: a própria Samsung tem um serviço tipo Renting (ou ALD) para estes dois modelos. Há que checar para ver se vale a pena.


























