Onde está o mais barato, quantos há, aceitam cartão? Tem de ser com a mão? E App, não se Applica? Donde estão os milhões da europa? Davam jeito uns 100 paus.

Muitos de Vexas sabem que, para além do Xá das 5 e estas coisas mais directas, faço também parte da produção do Festival Mental cuja quarta edição começa no próximo dia 30 e, imaginem, escolhi ter comigo no palco algumas personalidades que achei por bem estarem incluídas num debate específico e que envolve a nossa existência real/digital.

Felizmente que, no nosso país, temos muita gente que sabe da poda e o difícil foi mesmo apontar os primeiros nomes para este primeiro debate.

Senso assim, convidei as extremosas Fátima Caçador da Tek Sapo/Casa dos Bits e a Susana Marvão, uma freelancer (e directora de muitas mags, entre elas a Business.it) que trata tudo por tu desde o Padel à inteligência artificial. Como representantes masculinos, inclui-me e convidei o mestre de cerimónias do Gerador, o mais jovem Tiago Sigorelho que tem mais experiência no sector que muitos de nós mesmo cumulando anos de carreira.

Festival mental debate: pandemia, do real ao digital
Festival mental debate: pandemia, do real ao digital

Pandemia: do real ao digital

O mote está dado no arranque da quarta edição do Festival Mental, após a intervenção poética e dançável de um trio de Mulheres que nos vai dar a alma, o corpo e a mente. Se clicarem aqui percebem onde quero chegar.

Duas mulheres, dois homens, do real ao digital

O arranque do festival faz-se com um debate. Não é uma das já (e felizmente) famosas M-Talk (há três no programa deste ano, cliquem aqui), mas sim um debate, coisa que parece simples mas que pressupõe opiniões extremadas, fundamentalismos, foras de jogo e acima de tudo, técnicas e tácticas.

Felizmente, os quatro intervenientes são conhecedores da realidade que se vai discutir, sem sebentas ou papel rascunhado, sem agenda mas também sem travões.

O que se passa, afinal? O que é é isto do confinamento, do teletrabalho, do trazer o computador para casa, do deixar de ter o pouco tempo que o tempo tem?

Como sobreviver a esta nova forma de vida, ao cansativo e tresloucado “novo normal”, como vão as pessoas responder, a médio e longo prazo, a uma mudança radical para que nunca foram preparadas?

É a economia, stupid. Certo. Mas também é a guerra aberta ao que era, afinal a nossa vida.

Vai ser um debate interessante, no Cinema São Jorge, que espera por vocês (cuidado com os bilhetes, a lotação está limitada pelas normas e este debate tem entrada gratuita, cujos ingressos só podem ser adquiridos/levantados na bilheteira do São Jorge).

A guerra em surdina

Mas porque raio escolhi este título? O que tem a ver com o tema e a sebenta e os convidados e tudo e tudo? Apenas e só uma realidade: tive de ir comprar um termómetro tipo arma do Espaço 1999 (o design pouco evoluiu).

Procurei os melhores preços, a existência, o que afinal poderia comprar na loja, sem ser online. Foi uma tremenda luta, porque mesmo os supermercados tradicionais (leia-se fnac, worten e similares) tinham soluções mas todas através de parceiros de terceiro ou quarto grau.

E, meus amigos, largar quase uma centena de euros para medir a temperatura de quem chega afogueado a uma sala, já é mau demais quando sabemos que tal instrumento custa uns 4 paus à saída da fábrica chinesa.

Então, percebi que havia uma promoção de 30% de desconto num desses supermercados, naturalmente não citado.

Correr, guerrear e lançar o derradeiro olhar

Cheguei à loja, perguntei onde estavam, havia um como amostra que dizia custar 99,90€. “Está com sorte, é o último!”.

Não, meu amigo, aqui na net dizem que há desconto de 30%. E, num repente, mesmo em cima do expositor, estava (não colado) um papelucho com essa promoção.

“olhe, parece que tem razão!”, lança-me o atordoado moçoilo. E não é que havia apenas UM, UÍNHO, uma unidade, apenas uma, dentro do expositor? Daquelas com aqueles cofres plásticos transparentes?

A guerra

“Ok, tive sorte”, pensei como tuga numa emergência. Não como consumidor que teria sempre direito a essa promoção desde que estivesse ainda “no ar”, que era o caso. E continuava no ar, na internet, na folha de promoções da dita loja.

Os demais perceberam e queriam a peça

O processo, simples, complicou-se porque, ao lado, mais dois clientes andavam à procura do mesmo joio. Apenas não foram tão lestos. E, sabe-se lá porquê, pensavam que estavam na fila do fisco ou das urgências e que tinham uma senha imaginária que os colocaria à minha frente para conseguir essa última dádiva dos deuses, com 30% de desconto.

Medir a febre, stay away, kiss & ride

Constipei-me hoje à noite. Já espirrei umas 50 vezes. Em tempos covid, isto é complicado e, como produtor de um festival que se inicia já já, não posso, de forma alguma, mostrar que estou debilitado.

Portanto, depois de conseguir lutar pelo meu termómetro digital que deveria custar 4€ mas custou 69,99 com desconto de 30%, saindo vencedor da querela, mostrei finalmente tenacidade para incluir no meu smartphone a aplicação Stay Away Covid, a designação mais brega, bimba, saloia e idiota que poderia ter acontecido (vejam a italiana e a espanhola, por exemplo).

Mas quedei-me numa coisa chamada bluetooth

E a saloiada do estrangeirismo leva-me também a medir o vosso pulsar com este modernismo pseudo-urbano que se intitula Kiss & Ride, o adeus com um beijo ao puto que se deixa na escola.

Ou seja, com um contacto físico, um simples beijo, que pode transmitir o raio do covid.

Eu sei. Estou constipado. E muito chateado.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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