Vamos lá pensar um pouquinho: o que surgiu primeiro? O ovo mexido ou o ovo estrelado?
Deve ter sido isto que os responsáveis pelo grupo Derovo (de que nunca tinha ouvido falar, mas também não posso saber tudo) pensaram há quatro anos atrás quando decidiram criar um protótipo que permitisse perceber a importância do que é a produção industrial de ovos a cavalo, peço desculpa, de produtos pré-cozinhados que depois de embalados “individualmente”, estão prontos a ser consumidos por quem não sabe estrelar um ovo e tem um microondas.
Pior! Esta questão é tão importante que garante que vamos fazer frente às potências que dominam este sector de produção a nível global, os alemães e os holandeses, povos que sempre se deram extraordinariamente bem.
O problema, é que a ainda ministra Assunção Cristas foi dar o seu aval a esta invenção protagonizada pelo Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade do Minho e construída pela firma Valinox, parceiros desta fabulosa ideia. E como é muito nutritivo, é talvez o que vai safar o país cansado de tanto esperar pelo aclamado pastel de nata que nunca mais conhece uma produção semelhante à apresentada por este protótipo, ou seja, 100 unidades por hora.
Sempre pensei que até eu conseguiria comer 100 natas numa hora… ovos é que não.
Bom, mas quem sou eu para não levar esta ideia a sério? Afinal, parece que o mundo muçulmano está “ávido” por uma invenção destas e a Fly Emirates, que já ofereceu centenas de empregos aos portugueses, já é a primeira cliente também “ávida” e por quem os mentores do projecto clamam.
De qualquer forma, sempre estive do lado errado da barricada e reparem bem no trocadilho quase imperceptível que tentei no título do post, em vez de arregaçar as mangas e pensar numa patente para produção de ovo cozido massificado ou capitalizar o investimento com a simplicidade de tornar a doçaria conventual, tão cheia de ovos, numa espectacular aposta que consiga de vez o sucesso merecido das exportações portuguesas aquém e além mar…
Ah, é verdade, saquei a próxima frase do jornal Económico que, entre outros, fez o acompanhamento da acção governamental que elogiou o facto de o maldito colesterol ficar de fora do sistema de produção:
“O próximo passo é projectar um equipamento, até final de 2013, “uma vez que o protótipo funciona lindamente” ao nível de produção em massa à escala industrial, que tem um custo estimado de cerca de meio milhão de euros.”







