Extra Bass, design inconfundível e preço atraente. Serão os Sony WF-XB700 os reis dos graves a preço certo com a assinatura desejada?

Os auriculares sem fio vieram para ficar. Se infeliz ou felizmente, depende de cada um. Confesso que sinto a falta da ficha minijack 3,5mm nos smartphones porque, e posso ser teimoso, dou demasiada importância à música e à sua qualidade de gravação.

Sony WF-XB700 análise Xá das 5

Como músico que fui e tendo “gasto” tantas centenas de hora em estúdios domésticos e profissionais para conseguir a melhor mistura, a melhor equalização, ou seja, transmitir o que afinal a música pode fazer, sentimentos, que sou um confesso inimigo do codec MP3.

O som de um MP3 é, simplificando, miserável. Corta as baixas e as altas frequências, as tais que dão corpo e alma à música, e estendem-nos uma imensa gama de tons médios que cansam os ouvidos e a mente.

Aliás, não é por acaso que se assiste ao renovado interesse pelo vinil e, pasme-se, a uma tentativa de regresso da cassete áudio.

A falta de um “buraquinho” para a entrada de uma ficha provoca uma obrigatória visita à loja para escolher um par de auriculares “true wireless”, ou seja, sem fio e que se conectem por bluetooth aos terminais que usamos diariamente.

As marcas sabem disto, helás, foram elas que provocaram o nascimento desta “necessidade” (um especial agradecimento à Apple por ser pioneira neste disparate) e agora somos forçados a gastar preciosos euros para andarmos sem fio.

Sim, podem dizer-me, há auriculares com fio e ficha USB-C. Mas não é essa que carrega os terminais? Não entendo a vantagem quando fico sem bateria…

Nesta nova batalha por um lugar ao sol neste segmento, nem tudo é mau.

Por exemplo, a Sony tem os melhores auriculares sem fio do momento, os WF-1000XM3 (ler análise aqui) que, conjuntamente com uma extraordinária aplicação, apresenta um excelente som e, acima de tudo, é altamente personalizável, sendo sem dúvidas, o melhor companheiro para viagens e momentos de lazer mas com preço a condizer.

Sony WF-XB700 análise Xá das 5
WB700 ao centro

Ultimamente, a Jabra apareceu no mercado luso com vontade (e capacidade técnica) de nos levar a bons sons (ler análise aos Elite 75t) e a Samsung tem feito um esforço grande para se equiparar com a Apple (já o conseguiu nos Buds plusler análise) e tenta um novo format factor em forma de rim com os novos Buds Live (análise para breve).

Logicamente, não menciono sequer as cópias baratas dos Airpods ou os milhentos sub-produtos chineses pois são sofríveis e podem até fazer-nos mal fisicamente.

Portanto, o segredo está em conseguir um bom som a preço adequado. E é com esse objectivo que a Sony lançou os média gama WF-XB700 que são em tudo diferentes do que anda por aí.

Sony WF-XB700 análise Xá das 5
Caixa com tampa transparente permitem ver os leds de carregamento

A caixa

De tamanho médio (entre os Jabra 75t que são minúsculos e a caixa que alberga os WH-1000XM3 que é enorme), a protecção dos XB700 é de plástico, tem um ângulo interessante para, quando pousadas, permitirem olhar sobre a tampa meio transparente e assim perceber a cor dos leds de recarga, e tem uma conexão USB-C para recuperar energia.

WF-XB700
Lá atrás os 1000XM3, ao centro os Jabra, em baixo os novos WB700

Um conselho, não tentem abri-la com uma mão. A caixa protege bem os auriculares e os ímanes são fortes suficiente para, mesmo numa queda, são saírem disparados do seu interior.

Sony WF-XB700 análise Xá das 5
Terminal USB-C, carregamento total numa única hora

O design

A primeira reacção que temos ao agarrar nos XB700 é o seu tamanho e o formato. São redondos e grandes ao contrário da maior parte dos concorrentes (só parecidos com os Microsoft Surface Earbuds) o que causa uma reacção imediata: a primeira é não gostar e questionar o tamanho, mas é preciso metê-los nos ouvidos para perceber a razão.

Sony WF-XB700 análise Xá das 5
Tamanho real

Para quem tem orelhas muito pequenas e perfeitas, o que não é o meu caso, os XB700 podem até sugerir que são uns mini-overear, tal a massa que fica no exterior do ouvido, ou seja, todo o circulo exterior.

Mas, na verdade, há que referir que quem os usa não os vê e que este tamanho tem quatro grandes vantagens.

As vantagens de ser “grande”

A primeira é ter mais “caixa”, ou seja, não há milagres com o som. Quanto maior for a caixa, melhor a qualidade. E quando a Sony fala de Extra Bass nestes auriculares, é exactamente disto que se trata:

O som é cheio, grave, poderoso, tem punch, algo que falta a 90% dos auriculares que se multiplicam nas lojas.

A segunda é esta caixa albergar botões físicos, esquerdo e direito, ao contrários de comandos tácteis o que tem vantagens, principalmente para quem usa luvas (no inverno ou agora com a pandemia).

A terceira terá a ver com a autonomia. Estes novos Sony aguentam-se pujantes até cerca de sete horas enquanto a marca garante nove de enfiada e a caixa recarrega 100% em apenas uma. Grosso modo, ficamos com 18 horas de som, fabuloso, não?

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Por último, a quarta vantagem é obrigatória para a malta que sua ao fazer ginástica ou habita países onde está sempre a chover. Ao contrário dos topo de gama 1000XM3, os XB700 têm certificação IPX4 o que garante alguma protecção extra.

Controlo por botões

Tocando no botão esquerdo aumentamos o nível de som por graus. Carregando longamente, baixamos. É simples e eficaz e escusamos de retirar o telefone do bolso.

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Um botão em cada auricular

O botão direito é mais complexo: um toque para play/pausa, dois toques para avançar faixa, três toques para retroceder faixa, toque longo chama o assistente pessoal usado por cada sistema operativo.

A vantagem escondida

Os XB700 têm uma enorme vantagem em relação a muitos adversários: o novo chip bluetooth têm um design optimizado de antena e liga simultaneamente os canais esquerdo e direito, ao contrário de muitas soluções que ligam um canal e o outro a esse primeiro canal.

Outra vantagem imediata é a quase total ausência de latência, mesmo a alguma distância. E por falar nela, mantemos uma boa conectividade mesmo no limite dos 10 metros a que sempre nos quedámos.

Esta solução também melhora a conexão áudio em chamada. Se a recepção é perfeita, a crítica de quem nos ouve é que o som é ok, mesmo no exterior com vento, mas que a voz soa um pouco metálica.

Posso viver bem com isso, principalmente porque estes auriculares fazem até um trabalho decente na rejeição do som ambiente.

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O menos bom

Tendo a Sony a melhor App que personaliza, melhora com alguns upgrades e que nos permite controlar inúmeros parâmetros, é pena que não esteja disponível para estes novos XB700. Podemos “mexer” na equalização com a aplicação áudio que escolhemos para o smartphone ou outro device, mas ficamos por aí.

Não é bem um ponto negativo, mas um menos bom, pois também não temos direito a cancelamento activo de ruído, mas o preço pedido oferece um eficaz barramento de ruído exterior o que, conjuntamente com a qualidade de som e o tal Extra Bass, apresenta resultados qualitativos muito interessantes.

O melhor do conjunto

Por cerca de 150€ (ou menos), não conheço auriculares com melhor som que estes XB700. Foram e estão a ser uma agradável surpresa. O Extra Bass prometido no autocolante é real e oferece uma dinâmica bem interessante no que toca à audição de géneros musicais mais batidos, como hiphop, trance, rock, etc.

São talvez menos específicos para quem prefere outros enquadramentos sonoros, mas nesse caso, há inúmeras soluções no mercado pelo mesmo valor.

O melhoramento da antena bluetooth é assinalável e, se por um lado temos menos latência (o que é sempre bom principalmente em relação ao visionamento de vídeos), há que assinalar a qualidade sonora nas chamadas que, na maior parte dos casos, resultou límpida e sem saltos.

Sony WF-XB700 análise Xá das 5

Concluindo

Pelo preço é difícil encontrar melhor (em termos de qualidade de som). Já o design (existem duas cores, todo preto ou em azul e preto) e as dimensões vão ser um factor decisivo na compra, pois podem não ser do agrado de toda a gente. Mas para quem procura eficácia e fiabilidade na gama média, pode ter aqui a solução.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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