Dominar o mundo é o sonho de muitos homens. A maior parte falhou, mas agora existe uma coisa chamada internet e outra denominada Facebook

A cara de Mark Zuckerberg, o todo poderoso mandante do império digital social (a que chamamos redes sociais e que, só ele, tem o domínio do Facebook, Instagram, Whatsapp, Oculus e demais), é automaticamente reconhecida em todo o globo. Até parece o Ronaldo CR7.

Chamam-lhe de tudo, desde perigoso ditador a alien transvestido de humano, enquanto desconhecem os reais e mais vastos planos que podem ser, ou não, diabólicos.

facebook_terragraph - Xá das 5
facebook_terragraph – Xá das 5

Enquanto em Portugal se discute futebol em 80% dos canais com produção nacional, os engenheiros de Mark trabalham numa rede de bases transmissoras de sinal de internet.

É uma “nuvem” Wi-Fi designada por Facebook Terragraph, que chega a uma qualquer casa de lata na Ásia, África ou América do Sul que tenha um receptor Facebook Express Wi-Fi que, salvo erro, é oferecido de borla. Leram bem.

Esta é a realidade hoje mas que foi anunciada em 2015 por Zuckerberg, a tal “internet.org”, uma ideia para oferecer acesso gratuito e à rede para 3,5 bilhões de pessoas. Fantástico, não é? E sim, ela está “on”.

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direitos Reuters

De repente, e aos olhos do mundo, o robótico Mark, o rapaz que queria saber tudo sobre as raparigas do campus e que andava de sandálias a beber cerveja, passava a ser o messias digital.

Mas há outras pessoas que não acreditam nesta faceta e apontam-no como o seu extremo, ou seja, Mark é alguém que deseja controlar o mundo e nada melhor que o ter na mão através do serviço que oferece. E, já sabemos, os novos políticos são escolhidos pelas redes sociais.

Se num post anterior (bit.ly/335LyOw) mencionei quanto custa uma pessoa falsa (e com ela todo um perfil), imaginem a facilidade que é manobrar e escoltar uma horda de gente que já não pensa por si. Imaginem a facilidade que é fazê-la comprar isto ou aquilo, apostar neste ou naquele e, por fim, votar num ou noutro.

O poder da filantropia ou o mito do falso profeta

Quando o famigerado 1º mundo percebeu onde Mark queria chegar, fez manifestações nas grandes praças contra o Facebook. Aliás, quem não se lembra do interrogatório feito por um Senado norte-americano senil e ultrapassado, totalmente perdido a falar do que não sabe?

O projecto, contudo, continuou, e o “colonialismo digital”, como muitos lhe chamam, está hoje disponível em 55 países. E atenção, estes só em África. O sinal é ainda distribuído para mais 30 países. É fazer as contas.

Discover By Facebook

Logicamente que, neste processo, o utilizador não pode aceder a tudo o que quer. Imagine-se o Facebook pagar o acesso ao Twitter… mas, na verdade, desde Maio deste ano (2020) que o novo Discover garante mais alguma liberdade de acesso.

Mas não é só por redes Wi-Fi que o Facebook (e reparem que estou sempre a repisar o nome da rede social) tem ampliado a sua network.

Discretamente, tem instalado milhares de km de fibra óptica que depois têm como base os muitos “internet cafés” (o que nos relembra o Portugal dos anos 90), drones alimentados a energia solar para manter o sinal estável e, finalmente, o envolvimento no projecto 2Africa que tem a ver com a construção de cabos submarinos intercontinentais.

2Africa Facebook

Sim, Mark não é um zombie robótico como sugeriu à frente do Congresso.

As promessas passam por criar postos de trabalho

É bem verdade, se os políticos sacam dessa arma para enganar os ignorantes, porque não imitá-los para conseguir construir a maior rede de comunicação global com a ajuda e permissão dos incautos?

“Mais emprego, mais trabalho, mais educação e melhor futuro”, gritam os panfletos desta extraordinária aventura e fenomenal investimento de um puto de chinelos que cresceu e se fez homem global.

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Mas onde termina o altruísmo e começa o alarme?

É que, oferecendo internet de borla, e controlando exactamente o que se quer, uma coisa é certa: o Facebook passa a ser a própria internet, a porta de entrada, pura e simplesmente, e sabemos bem como se fabricam vitórias eleitorais através dela, entre outros crimes.

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E depois há coisas que roçam o humor negro: muitas entidades destes países que foram criadas para lutar contra este já acalorado tema, foram fundadas… no Facebook. Ora basta um apagão em quem nele manda, certo?

(este post foi baseado num artigo alarmante e de opinião assinado por James Ball)

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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