Se muito gostei do OPPO Find X3 Pro, principalmente, e porque não, devido à originalidade da câmara Macro que, para mim, era bem mais que um simples gimmick, foi com grande curiosidade que me debrucei sobre o seu sucessor, o OPPO Find X5 Pro, após uma excelente experiência com a versão “não Pro”.

Existem, por vezes, situações que nos fazem pensar mais um pouco e a comparação entre os OPPO Reno 6 e Reno 6 Pro, fez-me partir para esta análise com extremo cuidado, pois o X5 normal é, quanto a mim, um excelente smartphone.
OPPO Find X5 Pro, uma máquina deslumbrante
Não há dúvidas que é espantoso o quanto uma marca, até há pouco tempo pouco conhecida entre nós, tenha um fulgor tão crescente e entusiasmante. Se o X3 Pro revolucionou com o design e a forma orgânica da secção das câmaras principais, o X5 Pro é a sua continuação, mas com algumas diferenças.

Claro que o ecrã de 120Hz QHD+ de 6,7” OLED (com 525ppi) dá “nas vistas”, mas está, como já é habitual, demasiado saturado e brilhante. A primeira coisa que faço é aplicar o modo de leitura que torna tudo menos “tcham” mas que não cansa a vista após 10 minutos de interacção, principalmente se em jogos ou youtubes. De salientar que, para poupar bateria e demais processos, este belo ecrã tem uma taxa de actualização de 1Hz-120Hz.
Este modelo usa um processador Snapdragon 8 Gen 1, o mais recente à actualidade, vem com 12GB de RAM e 256GB de armazenamento. Não há slot para cartão de memória nem ligação 3,5mm. Mas há duas colunas para uma boa e alta estereofonia, conectividade 5G, WiFi6, NFC, Bluetooth 5.2 e GNSS. Ah, também usa eSIM para além do nosso tradicional. Termino com o palavrão: o Pro tem uma unidade interna do processador neural MariSilicon X.

A parte de trás do telefone é mais invulgar, com um desenho moldado que envolve totalmente a secção das câmaras numa única peça de material cerâmico, ou seja, em tudo semelhante ao modelo que vem substituir… mas com uma diferença nas câmaras.
Calhou-me a cor branca que gostei particularmente, pois faz-me lembrar o Espaço 1999, e não é tão convidativa a marcas, poeiras e dedadas quanto a versão preta demasiado brilhante (ao contrário do acabamento do X5 normal que é apenas perfeito).
O toque é bom, mas escorregadio, o formato menos largo que os já concorrentes das marcas de topo, mas um pouco mais pesado (218g). Aconselho uma boa capa de protecção.
Para terminar esta questão das características, que tal ter resistência IP68, uma bateria muito decente, carregamento supersónico e que, na caixa, vem tudo e mais um par de botas… e sim, também o carregador de 120W.
Em suma, o que há para não se gostar do OPPO Find X5 Pro?

Comportamento
Bom, antes de mais, convém alertar os gamers que este X5 aquece e muito. Aliás, tem sido uma constante nos modelos com este processador, o que pode criar alguns problemas e incómodo físico.
Por outro lado, a velocidade é espantosa, com transições muito rápidas e suaves, mesmo com um interface cheio de gráficos e vários tamanhos de widgets como gosto de usar. Fazer scrolling das notícias é até uma espécie de slot machine e os nossos olhos perdem-se pelo meio de tanta informação… legível. É mesmo fenomenal!
Mesmo com o máximo de resolução de ecrã, a bateria consegue aguentar o X5 Pro mais que um dia, e isto com utilização intensiva. Parabéns, OPPO, pois dá uma “tareia” na concorrência mais acima da tabela de reconhecimento. E o carregamento SuperVOOC de 80W é espantoso e ainda mais o 50W sem fios.

ColorOS 12.1
O User Interface da marca é o ColorOS que é uma versão fortemente personalizada do Android 12 mais apontada para os gostos asiáticos que europeus. Quem vem de um Samsung ou Apple, terá aqui um pouco mais de trabalho em desinstalar algum bloatware mas também a criar toda uma dinâmica visual mais familiar. Coisa boa: muita personalização no aspecto e até no funcionamento.
O Oppo irá apoiar o Find X5 Pro com actualizações de software incluindo três grandes actualizações da versão Android e um total de quatro anos de actualizações de segurança a partir do lançamento do telefone. É bom, mas ainda fica atrás da Samsung e Apple.

E eis-nos chegados às câmaras
Novidade para este ano é uma parceria com o fabricante de câmaras Hasselblad que corresponde à filial OnePlus da Oppo do ano passado.
O Find X5 Pro tem três câmaras atrás e uma câmara de 32MP na frente:
- 50MP dupla (principal e ultrawide) + 13MP 2x telefoto, 32MP selfie
A câmara principal com 50MP capta imagens muito boas com excelente detalhe, manuseando bem uma gama de condições de iluminação, incluindo em situações de luz muito fraca. O modo nocturno é esplenderoso.
Existe alguma saturação em momentos particulares, mas nada de grave quando se fala num contexto com esta qualidade.
A câmara ultrawide também de 50MP tem os seus momentos e, se bem utilizada, resultados muito bons. Mas, por vezes, faltou-lhe a dinâmica da principal, conseguindo fotografias um pouco mais neutras e sem tanto vigor.

A telefoto de 13MP peca por ter um Zoom com apenas 2x. Quando se olha para o preço do X5 Pro e se compara o Zoom (mesmo óptico) do Galaxy Ultra na versão S21 ou demais modelos dessa categoria, a OPPO tem aqui ainda muito trabalho para fazer. A Hasselblad é um autocolante demasiado importante para não se conseguir elevar o potencial ao máximo em todas as frentes.
E eis que surge o elefante na sala: onde está a fantástica Macro do Find X3 Pro? Pois que não está. E isso, confesso, se tivesse esse modelo, utilizaria-o ainda mais um ano.
Por outro lado, o modo PRO Hasselblad tem tecnologia de Calibração de Cor Natural e um conjunto de filtros Master criativos: cor natural icónica, perfil de cor profissional e estilo à fotografia móvel. E vale muita a pena usar e abusar deste modo. Confiem em mim.
Em termos de vídeo, este X5 Pro é espectacular. Esqueçam lá a questão da gravação a 8K. Ninguém grava a 8K nem com câmaras profissionais. O resultado a 1080p é extraordinário, principalmente devido ao fabuloso estabilizador de imagem. Se preferirem gastar toda a ROM com gravações em 4K, boa sorte. Terão uns bons minutos de acção.



Concluindo
Super ecrã, design a condizer, construção sólida, uma bateria extrema com 5000mAh, uma caixa com tudo lá dentro, o último grito em processadores e mega capacidade em RAM/ROM, tudo encaixa num formato original, francamente apelativo e que transpira qualidade por todos os poros.
Continuo a gostar dele mesmo quando suei, quando todo o meu corpo aqueceu e o corpo do X5 Pro sobreaqueceu, pois este 8 Gen 1 tem esse problema. E isso também faz pensar se todo esse desgaste poderá ou não afectar o próprio telefone ao longo do tempo.
Mas, confesso, esperava mais da secção fotográfica, principalmente com uma parceria tão importante. Ok, são os primeiros passos, portanto, vamos lá acelerar, pois a Sony reinventou os seus Xperia que começam a ser verdadeiros “maquinões” neste campo pois focaram-se num nicho específico. O mesmo que a Hasselblad e a Zeiss e a Leica desejam.
Os sensores biométricos são fabulosos, tanto a retina quanto a impressão digital. E há muita coisa que se pode experimentar a nível de personalização.
Mas temos de lhe colocar uma capa, pois ele desliza numa mesa quando treme, o que o pode riscar e mesmo atirá-lo ao chão.

Onde perde é no preço. Demasiado alto olhando a concorrência mais clássica e com mais provas dadas e ainda consideradas as topo de gama.
E, cá está, mais uma vez prefiro a versão não PRO a esta, tal como aconteceu no RENO 6. São mais equilibradas, principalmente quando olhamos o PVP.
Mas a continuar assim, a OPPO vai ser um osso duro de roer daqui a um par de anos. Cuidem-se, sul-coreanos e americanos, cuidem-se.
Preço:
1199€





